Depois da humilhação pública do professor Álvaro, a escola estava em frenesi. Mas Ezra e Lilith perceberam que Helena ainda não parecia satisfeita.
Era tarde da noite quando os dois a encontraram na parte de trás da escola, perto do depósito onde os materiais velhos eram descartados.
Helena estava de joelhos, cavando.
Com as mãos nuas.
— O que diabos você está fazendo? — Ezra perguntou, a voz mais curiosa do que preocupada.
Helena não respondeu imediatamente. Seu rosto estava sujo de terra, mas ela sorria.
Ela parecia… em paz.
Lilith se abaixou ao lado dela, olhando para o buraco que ela cavava.
— Helena… o que você está enterrando?
Helena finalmente olhou para eles. Seus olhos estavam calmos, quase ternos.
E então, sem qualquer hesitação, ela jogou algo no buraco.
O celular do professor Álvaro.
Ezra e Lilith ficaram em silêncio.
Helena cobriu o aparelho com terra, batendo levemente com as mãos, como se estivesse enterrando um bichinho de estimação morto.
Depois, se levantou, limpando as mãos sujas na saia.
— Problema resolvido.
Lilith piscou, confusa.
— Você… roubou o celular dele?
Helena sorriu.
— Ele não precisa mais disso.
Ezra finalmente riu, balançando a cabeça.
— Você realmente não tem limites, tem?
Helena inclinou a cabeça.
— Por que teria?
Para Ezra e Lilith, aquilo era insano. Nenhum deles teria pensado tão longe. Nenhum teria enterrado a prova do crime como se fosse um ritual simbólico.
Mas para Helena?
Era a coisa mais natural do mundo.
Ela não só expunha a verdade.
Ela decidia o que fazer com ela.
E essa ideia…
Deu arrepios em ambos.
Ezra e Lilith sabiam que Helena era imprevisível. Mas o que aconteceu naquela noite fez os dois questionarem se estavam realmente no controle do jogo.
Ou se sempre foram apenas peças dele.
A Reviravolta
Depois de enterrar o celular do professor Álvaro, Helena se afastou sem dizer nada.
Ezra e Lilith trocaram um olhar, incertos.
— Você percebeu? — Lilith sussurrou.
— Sim. — Ezra respondeu. — Ela não nos contou tudo.
O professor Álvaro não apareceu na escola no dia seguinte.
Nem no outro.
Ninguém sabia onde ele estava.
Até que, no terceiro dia, a notícia se espalhou.
O corpo dele foi encontrado em sua casa.
Suicídio.
A escola inteira entrou em choque. Professores choravam, alunos cochichavam, a mídia se espalhou como um incêndio.
Mas Helena…
Helena estava calma.
Lilith sentiu um arrepio subindo pela espinha.
— Helena… você sabia que isso ia acontecer?
Helena não respondeu de imediato. Apenas girou um lápis entre os dedos, como se fosse uma adaga invisível.
Então, ela riu.
Baixo. Devagar.
— Quem sabe?
Ezra franziu a testa.
— Você disse que resolveu o problema. O que exatamente você fez?
Helena parou de brincar com o lápis e encarou os dois. Seus olhos estavam vazios de emoção, mas seu sorriso…
Seu sorriso era puro veneno.
— Eu apenas contei a verdade para ele.
Lilith e Ezra ficaram em silêncio.
Porque pela primeira vez, eles não sabiam se queriam ouvir o que Helena tinha a dizer.
O silêncio entre os três parecia mais pesado que o próprio ar.
Ezra cruzou os braços, tentando manter a compostura, mas sua mente fervia com a possibilidade.
Lilith, por outro lado, apenas observava Helena, intrigada e… talvez, um pouco assustada.
— Você contou a verdade para ele? — Lilith repetiu. — Que tipo de verdade?
Helena inclinou a cabeça para o lado, como se ponderasse a pergunta.
— A verdade que ele mais temia.
Ezra sentiu um arrepio subir pelo pescoço.
— E que verdade seria essa?
Helena suspirou, como se estivesse entediada com a insistência deles. Então, abriu um sorriso lento e cortante.
— Eu contei a ele que, no fim das contas, ninguém realmente se importava com o que aconteceria com ele.
Os olhos de Lilith se arregalaram levemente.
Helena continuou, sem pressa, como se estivesse contando uma história qualquer:
— Ele achava que tinha poder. Mas era apenas mais um nome na lista de segredos sujos dessa escola. Então, eu o fiz entender isso.
— Como? — Ezra perguntou, a voz mais baixa que o normal.
Helena sorriu, pegando um pirulito do bolso e o colocando na boca.
— Deixei uma carta para ele. Não minha, claro. Mas uma… convincente o suficiente.
— Você forjou uma carta de suicídio? — Lilith sussurrou, chocada.
Helena piscou lentamente, saboreando o doce.
— Eu apenas escrevi o que ele já pensava. Só que dessa vez… com mais clareza.
Ezra sentiu um frio no estômago.
Não foi apenas um jogo para Helena.
Ela não apenas revelou a verdade.
Ela o empurrou para dentro dela.
Lilith riu baixinho, mas era uma risada nervosa.
— Helena… você é cruel.
Helena tirou o pirulito da boca e sorriu.
— Vocês ainda estão surpresos?
Ezra olhou para Lilith, que parecia dividida entre o fascínio e o medo.
Ele próprio não sabia o que sentir.
Mas sabia de uma coisa.
Eles nunca mais olhariam para Helena da mesma forma.
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Atualizado até capítulo 32
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