Ninguém nunca prestava muita atenção em Jonas Duarte.
Aluno mediano, quieto, do tipo que se sentava no fundo da sala e nunca se metia em confusão. Não era popular, nem odiado. Apenas existia.
Mas Jonas guardava um segredo.
E naquela noite, ele soube que alguém descobriu.
Tudo começou com um simples bilhete encontrado em seu armário.
"Eu sei o que você fez. Me encontre na sala 203, meia-noite."
Jonas sentiu o estômago revirar. Ninguém sabia. Ninguém podia saber.
Seu coração batia rápido enquanto lia aquelas palavras. Ele deveria ignorar. Jogar o bilhete fora e fingir que nada aconteceu.
Mas ele não conseguiu.
E foi assim que, naquela noite, Jonas se viu parado diante da porta fechada da sala 203.
O corredor estava deserto. O silêncio pesava sobre ele como uma marreta.
Jonas respirou fundo e girou a maçaneta.
A sala estava escura, mas ele viu uma figura sentada sobre uma das carteiras, com as pernas cruzadas e um sorriso tranquilo no rosto.
Helena.
— Você veio. — A voz dela era calma, quase gentil.
Jonas engoliu seco.
— O que você quer?
Helena balançou a cabeça lentamente, como se ele tivesse feito a pergunta errada.
— Não é sobre o que eu quero, Jonas. É sobre o que você esconde.
Seu corpo se arrepiou.
— Eu… eu não sei do que você está falando.
Helena riu baixinho.
E então, ela apontou para o fundo da sala.
Jonas sentiu o sangue gelar quando percebeu.
Havia outra porta ali.
Mas aquela porta não deveria existir.
E, antes que pudesse reagir, a maçaneta girou sozinha.
A porta se abriu, revelando apenas escuridão.
E então, algo começou a sair de lá de dentro.
Jonas abriu a boca para gritar, mas já era tarde.
A Verdade Obscura havia encontrado mais um.
A escuridão dentro da porta não era comum. Ela parecia viva, como se tivesse um peso próprio, sugando o ar ao redor.
Jonas queria correr. Queria fechar os olhos e fingir que nada daquilo estava acontecendo.
Mas então, ele viu.
Uma silhueta começou a emergir da escuridão.
Seu coração quase parou quando reconheceu o rosto.
Era ele mesmo.
Mas não exatamente.
O Jonas que saiu da porta não era humano. Seus olhos eram vazios, sua pele pálida demais. Um sorriso distorcido se formava em seu rosto, e suas mãos estavam sujas de algo escuro.
Sangue.
— Você pensou que poderia esconder para sempre? — a cópia de Jonas falou, sua voz idêntica à dele, mas com um tom errado, como se estivesse sendo dita por alguém que nunca tinha aprendido a ser humano de verdade.
Jonas deu um passo para trás, sua respiração acelerada.
— Não… não pode ser…
Ele olhou para Helena, buscando uma explicação, mas ela apenas observava com aquele sorriso tranquilo, como se estivesse assistindo a um espetáculo bem ensaiado.
— O que você fez, Jonas? — Helena perguntou, como se já soubesse a resposta.
A cópia de Jonas riu.
— Conta pra ela. Conta pra todo mundo. Ou eu conto.
Jonas sentiu o pânico crescer.
A verdade.
A maldita verdade.
Ele tentou enterrá-la. Esquecê-la. Fingir que nunca aconteceu.
Mas a Verdade Obscura sempre encontra um jeito de sair.
Seus olhos estavam presos na versão distorcida de si mesmo, e memórias começaram a invadir sua mente.
Aquela noite.
O grito abafado.
O impacto contra o chão.
As mãos tremendo.
O corpo imóvel.
Ele tentou se convencer de que não foi culpa sua.
Mas agora, parado ali, encarando a sombra de si mesmo, Jonas sabia a verdade.
E sabia que não tinha mais como fugir.
A cópia avançou.
A sala se dissolveu em sombras.
E Jonas foi engolido pela escuridão.
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Capítulo 9 - A Lenda de Jonas
Na manhã seguinte, a escola inteira falava sobre Jonas.
Ele simplesmente desapareceu.
Seu armário estava intocado. Sua mochila ainda estava na sala de aula. Mas ninguém sabia dizer onde ele estava.
A única pista era um bilhete, deixado no meio da sala 203:
"A verdade sempre encontra um jeito de sair."
Helena, sentada sozinha no pátio, apenas sorriu.
Outro jogo havia terminado.
Mas o próximo já estava começando.
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Atualizado até capítulo 32
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