Um jogo sem regras

Havia algo de errado ali.

Os olhos de Helena pousavam sobre Ezra e Lilith como se os estivesse desmontando peça por peça, analisando cada contorno, cada sombra que a luz desenhava em seus rostos.

E, no entanto…

Eles também estavam fazendo o mesmo com ela.

Os olhos de Ezra pareciam um abismo escuro, fundos demais, perigosos demais.

Os de Lilith eram lâminas afiadas, deslizantes, que cortavam qualquer mentira.

Mas Helena…

Helena era todas as verdades, e nenhuma ao mesmo tempo.

Eles estavam perto demais agora.

Lilith observava a boca de Ezra, a forma como ele umedecia os lábios sem perceber.

Ezra olhava a curva do pescoço de Helena, o modo como sua pele parecia mais fria que a noite.

Helena… Helena via tudo.

Seus corpos estavam próximos o suficiente para que sentissem o calor uns dos outros, mas ainda longe o suficiente para doer.

— Isso é estranho. — Lilith murmurou, sua voz mais baixa do que um sussurro.

Ezra inclinou a cabeça, seu olhar fixo no rosto dela.

— O que é estranho?

Lilith não respondeu.

Em vez disso, passou os dedos pelo maxilar de Helena, delineando sua pele pálida como se estivesse tentando confirmar se ela era mesmo real.

Helena não se moveu.

Ezra observava tudo.

A forma como Lilith arqueava as sobrancelhas quando tocava Helena.

A forma como Helena inclinava a cabeça, deixando espaço para mais.

A forma como ele mesmo queria fazer o mesmo, mas de uma maneira diferente.

— Vocês estão me analisando como se eu fosse algo que vocês nunca viram antes. — Helena finalmente quebrou o silêncio, e sua voz pareceu puxá-los para ainda mais perto.

Lilith sorriu, seus lábios se curvando lentamente.

— E não é?

Ezra exalou um riso curto, deslizando a mão pela nuca de Helena, sentindo sua pele fria sob os dedos.

— Definitivamente é.

Helena piscou lentamente.

E então…

Ela tomou os dois.

As mãos de Helena puxaram Lilith para perto, seus dedos se enterrando nos cabelos dela enquanto seus lábios finalmente se tocavam.

Ao mesmo tempo, ela virou ligeiramente o rosto, permitindo que Ezra tomasse o outro lado, seus lábios quentes roçando sua pele, sua respiração pesada contra ela.

Era como um eclipse.

Como algo fora do tempo, como um colapso de tudo que fazia sentido.

Os formatos dos rostos, os traços, os olhares, tudo parecia se misturar, se dobrar, se perder.

Os dedos de Lilith apertavam a cintura de Helena, puxando-a para mais perto.

Ezra deslizou a mão para sua coluna, sentindo cada vértebra, cada pequeno detalhe.

Helena os controlava.

Mas eles também a puxavam para dentro desse vórtice estranho de desejo e curiosidade.

Nada ali era normal.

Nada ali era seguro.

Mas era impossível parar.

O mundo parecia dobrar ao redor deles.

A respiração de Ezra pesava contra a pele de Helena, quente demais, insistente demais.

Lilith pressionava os lábios contra o pescoço dela, deixando rastros de sua presença, como se quisesse marcar território em algo que nunca poderia pertencer a ninguém.

E Helena?

Helena apenas assistia e sentia.

Os corpos estavam misturados, suas sombras se confundiam na pouca luz do quarto.

Havia algo de errado naquilo, mas ninguém ousava nomear.

Porque, se nomeassem, se dessem sentido, talvez a realidade os engolisse vivos.

Os Olhares Queimarão Primeiro

Ezra segurou o rosto de Helena entre os dedos, polegar roçando sua bochecha.

— Você percebe o que está fazendo, não percebe?

Helena inclinou a cabeça, seus olhos cravados nele, intensos, curiosos.

— E você percebe o que está sentindo?

Ezra não respondeu.

Lilith riu contra a pele de Helena, seus lábios próximos demais, sua língua roçando levemente.

— Ele percebe, Helena.

Helena sorriu.

Lilith sempre entendia as coisas antes dos outros.

Ezra odiava isso.

Mas também odiava como Helena o olhava.

Não era um olhar apaixonado.

Não era um olhar comum.

Era um estudo, como se ele fosse um experimento.

E talvez fosse.

Ezra segurou a cintura de Helena e a puxou bruscamente para si.

Lilith assistiu a cena, seus olhos escurecendo, seus lábios se curvando.

Ela gostava quando Ezra se tornava perigoso.

— Então, Helena… — Ezra deslizou os dedos pela pele dela. — O que você quer que façamos agora?

Helena piscou lentamente.

E então sorriu de verdade.

— Que vocês percam o controle.

A resposta os atingiu como um incêndio num campo seco.

Ezra se perdeu antes mesmo de perceber.

Lilith se afogou antes mesmo de reagir.

E Helena…

Helena assistiu tudo acontecer com o mesmo sorriso de sempre.Helena sentiu quando Ezra apertou sua cintura com mais força.

Sentiu quando Lilith deslizou os dedos por sua clavícula, como se quisesse traçar algo invisível em sua pele.

Sentiu quando os dois finalmente entenderam.

Ali, naquele quarto de luz baixa e segredos presos entre os dentes, não havia regras.

— Você quer que a gente perca o controle? — Ezra repetiu, seu tom carregado de algo que não era só desejo. Era fome.

Helena sorriu, os olhos fixos nele, enquanto Lilith roçava os lábios na curva de seu ombro.

— Quero.

Era uma resposta simples. Mas o jeito que ela disse…

Era uma ordem.

A Primeira Ruína

Ezra não pensou.

Ele agarrou o rosto de Helena e a beijou. Sem aviso, sem hesitação.

Seu corpo pressionava o dela contra Lilith, que apenas aceitou o impacto, rindo contra a pele de Helena antes de morder sua nuca com um cuidado perverso.

Era um jogo.

Mas um jogo que ninguém ali entendia direito.

Helena puxou o cabelo de Ezra para trás, quebrando o beijo e encarando-o de perto demais.

— Isso é tudo que você tem?

Ezra sentiu algo se romper dentro dele.

Lilith riu baixo.

— Isso foi provocação. Você vai aceitar, Ezra?

Ele não respondeu.

Só tomou.

Tomou Helena pelos pulsos, a puxando para mais perto.

Tomou Lilith pela cintura, a envolvendo num calor que contrastava com a frieza de Helena.

Tomou tudo que podia, sem se perguntar o que viria depois.

Porque, no fundo, ele sabia.

Depois de uma Noite Assim…

Nada jamais voltaria ao normal.

E ninguém ali queria normalidade.

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