O corredor da escola estava vazio quando Maya caminhava em direção ao escritório do diretor. Ela sabia que algo tinha que ser feito, mas estava cansada de esperar por justiça. Ela precisava ser mais inteligente do que todos, precisava fazer com que Maicon e o diretor pagassem, não só pelas mentiras que tinham vivido, mas pelo controle cruel que exerciam sobre os outros.
Helena havia lhe dito que o jogo da verdade era uma arma poderosa, mas apenas para aqueles que tinham coragem de usá-la. E Maya tinha algo dentro de si que a fazia arder de desejo por vingança. O que ela não sabia era que a verdade, quando revelada, poderia ser mais perigosa do que qualquer mentira que tivesse contado.
A cada passo que dava, a sensação de estar sendo observada aumentava. Não era o olhar de seus colegas, mas algo mais... algo estranho. Maya sabia que Helena estava por perto, guiando seus passos, alimentando sua raiva.
Maya entrou na sala do diretor sem hesitar. Ele estava ali, como sempre, atrás de sua grande mesa de madeira escura, sua postura autoritária e olhar calculista.
— O que você quer, Maya? — perguntou o diretor, com a voz seca, quase desdenhosa.
Ela olhou para ele com um sorriso sombrio.
— Tenho algo para te mostrar.
Sem esperar resposta, Maya se aproximou e puxou um envelope de dentro de sua mochila. Ela o abriu com calma, deixando os papéis se espalharem sobre a mesa.
Ali estavam as provas. Fotografias, documentos, testemunhos. Tudo o que ela havia reunido, tudo o que ele pensava estar escondido. As alunas que ele havia manipulado, os relatos de abusos, as mentiras que ele usou para manter sua posição de poder.
Maya sentiu o peso do silêncio entre eles. O diretor olhou os papéis com uma expressão impassível, mas seus olhos traíam o pânico. Ele sabia que estava preso. Mas não foi a voz de Maya que o abalou, foi o toque gelado da verdade que Helena havia lhe permitido descobrir. A verdade que agora ameaçava destruir tudo o que ele construíra.
Mas, ao invés de se desesperar, o diretor sorriu, um sorriso de desgosto.
— Você acha que isso vai me derrubar, Maya? — disse ele com uma risada baixa. — A verdade nunca vai te libertar, garota. Ela só vai te destruir.
Antes que Maya pudesse reagir, a sala se encheu de uma sensação de peso, de algo sinistro. Um arrepio percorreu sua espinha, como se algo invisível estivesse pressionando contra ela. O rosto do diretor se distorceu, e, por um momento, ela viu algo estranho em seus olhos, algo que não era humano.
Maya deu um passo para trás, tentando processar o que estava acontecendo. Mas foi quando ela olhou para o canto da sala que a verdade se revelou.
Helena estava lá, sorrindo com uma expressão vazia, observando tudo.
— Você queria a verdade, Maya. Mas não é ela que vai salvar você. — disse Helena, suas palavras mais frias que o próprio gelo. — A verdade só vai te engolir, assim como vai engolir todos ao seu redor.
Maya estava em choque, mas a raiva ainda queimava em seu peito. Ela olhou para o diretor, para Helena, e então para os papéis na mesa. Tudo o que ela havia feito para expor a podridão do colégio, tudo o que ela havia feito para buscar vingança... parecia agora inútil.
Ela queria gritar, queria expor todo o mal que a escola escondia, mas as palavras não saíam. O peso da verdade estava esmagando-a, consumindo suas forças.
Mas Helena, sempre enigmática e fria, não se importava com suas emoções. Ela apenas observava o espetáculo que ela mesma criara.
— Eu só queria ver até onde você iria, Maya — disse Helena com um sorriso pequeno. — O que você vai fazer agora?
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Atualizado até capítulo 32
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