Maya olhava para o corredor escuro da escola. Seus passos eram leves, cuidadosos. A raiva queimava dentro dela, mas agora havia algo mais.
Um frio estranho na nuca.
Como se estivesse sendo observada.
A diretoria estava à sua frente. A porta de madeira escura parecia intransponível, mas ela sabia que, por trás dela, estava o homem que arruinou sua vida.
O homem que destruiu tantas outras.
Ela pegou a chave que roubara da sala dos professores e a girou devagar na fechadura.
O silêncio pesava no ar.
A porta se abriu.
O escritório do diretor era espaçoso, luxuoso. Uma escrivaninha enorme, cortinas pesadas, quadros que tentavam passar uma falsa impressão de seriedade.
E no centro da sala, sentado em sua cadeira, estava o diretor.
Ele não se moveu.
Maya franziu a testa. Deu um passo à frente.
— Ei.
Nenhuma resposta.
Ela foi se aproximando. A pouca luz da rua iluminava o rosto do homem.
Foi então que ela viu.
Os olhos do diretor estavam vazios. Sua boca entreaberta, a pele lívida, os lábios azulados.
Havia algo errado.
Maya prendeu a respiração e tocou seu ombro.
O corpo caiu para frente, sem vida.
Um grito escapou de sua garganta.
Ela recuou, sentindo o coração martelar no peito. Isso não podia estar acontecendo. Ela veio para se vingar, mas alguém já tinha feito isso antes dela.
E então, uma risada suave ecoou pela sala.
Maya congelou.
Aos poucos, virou-se.
E lá, encostada na parede, Helena a observava com um sorriso satisfeito.
— Parece que alguém chegou tarde para o show.
Maya sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Você… o que fez?
Helena inclinou a cabeça.
— Eu? Nada. A verdade simplesmente… apareceu.
Maya engoliu seco.
Foi então que percebeu.
Na parede atrás do diretor morto, escritas em sangue, estavam as palavras:
"Admita. Você sente medo."
A respiração de Maya ficou presa.
Helena se afastou da parede e caminhou até a porta.
— Agora me diz, Maya… — murmurou ela, antes de sair. — O que você vai fazer agora?
E então, ela se foi.
Deixando Maya sozinha, presa entre sua sede de vingança e o horror do desconhecido.
Maya sabia que tinha vencido.
Maicon estava destruído. Seu pai, desacreditado. Os segredos que ambos tentaram esconder por tanto tempo agora estavam escancarados para todos verem. A escola inteira assistiu o colapso da família Alves, e Maya finalmente sentiu o gosto da vingança.
Mas então, por que não se sentia satisfeita?
A resposta veio naquela noite, quando acordou sobressaltada em seu quarto. O relógio marcava 3h33 da manhã. O ar estava pesado, denso, como se algo invisível estivesse preenchendo o espaço ao seu redor.
E então ela ouviu.
— Você conseguiu o que queria, Maya. Está feliz?
A voz veio da escuridão do quarto, fria e sem pressa.
Maya se virou lentamente na cama, e lá estava Helena, sentada em sua escrivaninha, iluminada apenas pela fraca luz do poste da rua.
— Você… como entrou aqui? — Maya sussurrou, o medo crescendo dentro dela.
— Eu nunca precisei de convites — respondeu Helena com um sorriso enigmático.
Maya engoliu seco. Desde o primeiro momento, ela sabia que Helena não era normal. Mas até então, nunca havia sentido realmente o terror que aquela garota carregava consigo.
— O que você quer? — perguntou Maya, tentando manter a voz firme.
Helena inclinou a cabeça, estudando-a como se fosse uma peça de xadrez prestes a ser derrubada.
— Você teve sua vingança — disse, casualmente. — Mas vingança nunca vem de graça.
Maya sentiu um arrepio subir por sua espinha.
— O que isso quer dizer?
Helena sorriu.
— Quer dizer que, agora que a verdade foi revelada, não há mais necessidade de você estar aqui.
E então, a realidade mudou.
As paredes do quarto se alongaram, as sombras ganharam vida, e o chão desapareceu sob seus pés. Maya tentou gritar, mas sua voz foi engolida pelo vazio.
Ela não sabia onde estava.
Só sabia que estava caindo.
E o último som que ouviu antes de tudo desaparecer foi a risada suave de Helena.
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Atualizado até capítulo 32
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