A Escola Estadual São Jerônimo ficava no centro de uma cidade pequena, cercada por muros pichados e corredores iluminados por luzes frias e tremeluzentes.
Era o tipo de lugar onde todos se conheciam, mas ninguém realmente sabia nada sobre ninguém. As fofocas corriam soltas, os segredos eram guardados a sete chaves, e o medo de ser exposto era maior do que o desejo de ser popular.
Foi ali que Helena apareceu.
Ninguém sabia quando exatamente ela entrou na escola. Alguns diziam que tinha chegado transferida de outra cidade. Outros juravam que já a tinham visto antes, mas não sabiam dizer onde.
O fato era que ninguém sabia nada sobre Helena.
Ela andava pelos corredores com aquele olhar tranquilo, observador, como se já conhecesse tudo e todos. Sempre sozinha, mas nunca isolada. Nunca ignorada.
E então, começaram a acontecer coisas estranhas.
O primeiro foi Mateus, um garoto do terceiro ano, capitão do time de futebol e filho do delegado da cidade. Certo dia, ele foi encontrado trancado no banheiro masculino, murmurando coisas desconexas e arranhando as paredes. Seu rosto estava pálido como um morto, e seus olhos arregalados pareciam ver algo que ninguém mais via.
— Não pode ser… ele não deveria estar aqui… — Mateus repetia, enquanto os professores tentavam acalmá-lo.
Dois dias depois, ele sumiu. Ninguém sabia para onde tinha ido. A escola manteve silêncio sobre o caso.
Mas os boatos começaram a circular.
— Foi ela — cochichavam alguns alunos. — A garota nova. Desde que ela chegou, tudo mudou.
Mas ninguém tinha coragem de confrontá-la.
Exceto Lívia.
Lívia sempre foi esperta, determinada. Presidente do grêmio estudantil, filha de uma professora respeitada e uma aluna exemplar. Ela não acreditava em boatos, nem tinha medo de lendas escolares.
E foi por isso que, naquela noite, ela resolveu descobrir a verdade sobre Helena.
Sozinha na biblioteca da escola, enquanto revisava os arquivos estudantis, Lívia percebeu algo estranho.
Não havia nenhum registro de Helena.
Nenhuma ficha de matrícula. Nenhuma foto antiga. Nenhuma menção ao nome dela nos documentos da escola. Era como se ela nunca tivesse existido.
Lívia sentiu um arrepio.
E então, o silêncio foi quebrado.
— Procurando por mim?
A voz veio de trás dela. Lívia se virou rapidamente, e Helena estava ali, encostada na estante, olhando para ela com um pequeno sorriso.
O coração de Lívia disparou.
— Quem é você? — perguntou, tentando parecer firme.
Helena apenas inclinou a cabeça.
— Isso realmente importa?
Lívia sentiu um calafrio.
E foi nesse momento que as luzes da biblioteca começaram a piscar.
As sombras ao redor delas se moveram, como se tivessem vida própria. O ar ficou pesado, e um som baixo, quase como um sussurro, encheu a sala.
Lívia tentou correr, mas seus pés não obedeceram.
— A verdade obscura está por toda parte, Lívia — sussurrou Helena, caminhando lentamente em sua direção. — Você só precisa olhar mais de perto.
Lívia tentou gritar.
Mas então, as luzes se apagaram completamente.
E tudo que restou foi o silêncio.
Lívia, sem saber no tinha se metido, mas Helena adora quando as pessoas as quais estão erradas pedem por misericórdia
Misericórdia?
Na hora de mentir, escondeu a verdade, que tipo categoria de pessoa que você é Lívia?
Sussurrou Helena, no ouvido de Lívia.
Bons pesadelos, mentirosa ...
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Atualizado até capítulo 32
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