A Verdade Nua e Crua

A sala estava em silêncio.

Helena estava sentada na última carteira, sorrindo.

Ninguém se mexia.

Ninguém respirava.

Porque todos sabiam o que aconteceria agora.

— Vocês me chamaram. Agora estou aqui.

Sua voz era suave, quase doce, mas carregava um tom que fazia a pele de todos arrepiar.

Ela se levantou, caminhando lentamente até o centro da sala. Seus passos ecoavam, mesmo no chão de borracha.

— Então… por onde começamos?

O silêncio era absoluto.

Helena olhou para cada um dos alunos, seus olhos brilhando com uma excitação maliciosa.

E então, ela riu.

— Ah, não se preocupem. Eu sei exatamente onde começar.

Ela virou-se para Camila, a garota que sempre estava cercada de amigos, a aluna exemplar, filha de uma família tradicional.

— Camila… você quer contar, ou eu conto?

Camila arregalou os olhos.

— O quê? Do que você está falando?

Helena suspirou, fingindo decepção.

— Tão previsível… Tá bom, eu conto.

Ela olhou ao redor, certificando-se de que todos estavam atentos.

— Camila nunca quis o irmão mais novo. Ela dizia que ele estragou a vida dela. E uma vez… só uma vez… ela fez um pequeno "teste".

O rosto de Camila ficou pálido.

— Deixou a banheira cheia e fechou a porta. Esperou alguns minutos.

Camila se levantou tão rápido que a cadeira caiu para trás.

— CALA A BOCA!

Mas Helena continuou, o sorriso crescendo.

— Se sua mãe não tivesse entrado a tempo… bem, acho que não teríamos essa conversa agora, né?

Os olhos de Camila se encheram de lágrimas.

— Eu… eu não fiz nada…

— Ah, claro que não! Foi só um pensamento, um "teste", né? Afinal, você só queria ver o que aconteceria. Pena que seu irmão nunca esqueceu daquele dia… O que ele disse mesmo? Ah, sim: "A mana queria que eu morresse."

Camila caiu no chão, soluçando.

Helena suspirou, satisfeita, e olhou para o resto da turma.

— Próximo.

Ela girou os olhos pelo grupo e então parou em Bruno.

O garoto estava tremendo.

— Ah, Bruno… sabe do que eu mais gosto? De quando as pessoas agem como se fossem inocentes. Mas você… você não é.

Bruno se encolheu, segurando os braços.

— Helena… por favor…

— "Por favor" não muda os fatos. Você lembra daquela garota? Aquela que te pediu ajuda na saída da escola? Que estava chorando?

Bruno fechou os olhos com força.

— Você a ignorou.

A sala ficou gelada.

Helena continuou, seu tom quase animado.

— E no dia seguinte, encontraram o corpo dela no rio.

O sangue sumiu do rosto de Bruno.

— Eu não sabia…

— Não, sabia sim. Você viu que ela estava desesperada. Você ouviu o que ela disse: "Se ninguém me ajudar, eu vou acabar fazendo uma besteira." Mas você virou as costas, porque não queria perder seu ônibus.

Bruno começou a chorar.

Helena riu baixo.

— Próximo.

O terror se espalhava pela sala.

Porque todos tinham segredos.

E Helena estava apenas começando.

---

Capítulo 16 - O Jogo de Helena

Agora que a verdade está sendo exposta, até onde Helena irá?

O que acontece quando alguém decide revidar?

Nada pois é a própria reviravolta, assim como você mente com a verdade a verdade uma hora te expõe.

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