Liam
Meu coração está disparado. Droga.
Nunca senti algo assim.
Meus dedos apertam a cintura de Aria, puxando-a ainda mais para mim enquanto seus lábios se movem contra os meus com urgência. O beijo é intenso, quente, desesperado. Como se tivéssemos segurado isso por tempo demais e agora não houvesse mais como conter.
O gosto dela se mistura com a minha própria respiração acelerada. Minhas mãos deslizam por suas costas, subindo até sua nuca, os fios macios de seu cabelo entre meus dedos. Aria suspira contra minha boca, e o som dispara um arrepio pelo meu corpo inteiro.
Eu poderia me perder nisso fácil.
Mas então a realidade bate. Se eu não parar agora, não vou conseguir parar.
Relutante, me afasto alguns centímetros, nossas respirações ainda misturadas no ar pesado entre nós. Aria mantém as mãos espalmadas no meu peito, como se tentasse se recompor tanto quanto eu.
Eu sorrio, um sorriso torto e carregado de algo que nem eu sei nomear.
— O que diabos você está fazendo comigo? — minha voz sai rouca.
Aria pisca algumas vezes, como se tentasse encontrar o próprio fôlego. Então, um pequeno sorriso brinca nos cantos de sua boca.
— Eu ia perguntar a mesma coisa.
Eu solto uma risada baixa, passando a língua pelos lábios, ainda sentindo o gosto dela.
Aria suspira e balança a cabeça.
— Agora vai ser mais difícil te odiar.
Solto uma risada mais forte dessa vez.
— Bom, você pode continuar tentando.
Ela revira os olhos, mas está sorrindo.
Suspiro e passo a mão pelos cabelos, tentando recuperar o controle.
— Vem, vamos tomar café antes que eu faça algo que não deveria.
Ela arqueia uma sobrancelha, e eu complemento com um olhar malicioso:
— Porque se a gente continuar assim, eu não vou conseguir ficar só nos beijos.
Aria solta uma risadinha, mas assente. Finalmente, solto sua cintura, mesmo contra minha vontade.
Antes de sairmos, seguro sua mão e encaro seus olhos.
— E, Aria… nunca mais esconde nada de mim.
Ela hesita por um segundo, mas assente.
---
Depois do café, encontro Will na sala de reuniões improvisada no hotel. Ele está ao telefone, mas faz um sinal para que eu entre. Assim que desliga, suspira pesadamente e esfrega o rosto.
— Bom, já estamos tomando as providências para minimizar o estrago.
Me jogo numa das cadeiras e cruzo os braços.
— E como exatamente?
— Primeiro, soltamos um comunicado oficial negando qualquer envolvimento da Aria no suposto caso com Tom Wilkins. — Ele abre um e-mail no laptop e me mostra. — O foco é afirmar que ela não sabia que ele era casado e que as acusações da esposa dele são infundadas.
Bufo.
— E alguém vai acreditar nisso?
Will dá de ombros.
— A questão não é essa. O objetivo é controlar a narrativa e desviar o foco. Também estamos alinhando entrevistas estratégicas para suavizar a situação.
— E o lance do nosso namoro falso?
— Estamos indo na linha do "não confirmamos nem negamos". Assim, ninguém pode dizer que mentimos, mas também não alimentamos mais fofoca.
Reviro os olhos e passo as mãos pelo cabelo.
— Beleza. Só me avisa se precisar que eu fale alguma merda ensaiada.
Will ri.
— Você já fala merda naturalmente.
---
Depois da conversa, decido dar uma volta pelo hotel. Acabo indo até a área externa, onde há algumas mesas ao ar livre perto do bar da piscina. É lá que encontro Felix, sentado com uma cerveja na mão, olhando pensativo para o rótulo.
Ele levanta o olhar quando me vê.
— E aí? — me aproximo e puxo uma cadeira.
Felix dá um gole na cerveja antes de responder.
— Os outros caras estão na academia do hotel. Achei que vir aqui e beber cedo seria mais produtivo.
Rio.
— Boa escolha.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, até que ele diz:
— Pelo menos aquela polêmica toda serviu pra alguma coisa.
Eu estreito os olhos.
— O que você quer dizer?
Felix sorri de lado.
— Vi você e Aria se agarrando no bar.
Sinto um calor subir pelo pescoço, mas finjo indiferença.
— Feio ficar espiando os outros escondido, sabia?
Ele dá de ombros.
— Se vocês não quisessem ser vistos, deveriam ter procurado um lugar mais privado. Não o bar do hotel.
Solto uma risada.
— Tem um ponto.
Felix me observa por um momento, como se analisasse algo, e depois solta um suspiro.
— Falando sério agora… Se você realmente gosta dela, não vacila.
Meu sorriso diminui um pouco.
— Não vou vacilar.
Ele assente, mas há algo nos olhos dele. Algo diferente.
— É só que… às vezes a gente faz coisas achando que está certo, mas depois percebe que só ferrou tudo. — Ele dá um gole longo na cerveja. — E quando percebe, pode ser tarde demais.
Minha testa franze.
— Felix…
Ele me corta com um meio sorriso.
— Só estou dizendo. Se você tem algo bom nas mãos, não estrague por besteira.
O jeito que ele fala não é só sobre mim e Aria.
Fico em silêncio por alguns segundos.
Felix nunca foi muito de abrir sobre seu passado, mas sempre houve uma sombra ali.
Algo que ele nunca disse em voz alta.
Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos.
— E desde quando você virou meu conselheiro? — provoco.
Ele ri.
— Desde o primeiro dia que vi você babando por Aria e fingindo que não.
Jogo a tampa da garrafa que está em cima da mesa nele.
Felix balança a cabeça ainda sorrindo, mas ainda com o olhar distante.
E pela primeira vez me pergunto que diabos aconteceu no passado dele para ele falar desse jeito.
Aria
Eu nunca, em meus sonhos mais loucos, achei que isso aconteceria.
Que eu estaria sentindo isso.
Que eu estaria envolvida com Liam Ashford.
Minha mente ainda está em turbilhão, mas de um jeito bom. Nem mesmo todo o caos da mídia, todas as manchetes sensacionalistas, os jornalistas atrás de qualquer migalha de escândalo… nada disso parece importar agora.
Porque tudo que consigo pensar é no jeito que ele me beijou.
Sigo pelo corredor do hotel com um sorriso bobo no rosto, incapaz de conter a felicidade que pulsa no meu peito.
Estou quase chegando ao meu quarto quando ouço uma voz feminina atrás de mim.
— Aria?
Paro e me viro.
Uma mulher está parada no corredor, sorrindo para mim. Ela parece ter por volta de cinquenta anos, talvez um pouco menos. Há algo nela… familiar. Mas não sei dizer o quê.
— Oi — respondo, piscando algumas vezes.
O sorriso dela é simpático, mas algo nele parece… forçado.
— Bom, obrigada pela foto, Aria. Espero que tudo se resolva para você.
— Obrigada — respondo, sem saber muito bem o que sentir.
Ela dá um último olhar para mim antes de se virar e seguir pelo corredor.
Fico parada ali por alguns segundos, tentando identificar o que me incomodou.
Há algo nela. Algo familiar. Mas por mais que eu tente, não consigo lembrar o quê.
Balanço a cabeça, afastando o pensamento. Provavelmente estou apenas cansada.
Sigo de volta para meu quarto, ainda sentindo o eco do beijo de Liam nos meus lábios, mas agora… com uma pequena pontada de inquietação na mente.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 32
Comments
Juh Machado
quem é essa mulher 🤔🤔
2025-02-05
0
Bruna Carolina
Oxi do nada!?
2025-02-05
0