Liam
– Você devia levá-la para o quarto – Felix diz, apontando com o queixo para Aria, que parece estar a dois segundos de apagar no sofá.
Eu olho para ela. Os olhos estão semicerrados, a cabeça balança levemente, e há uma leve cor rosada nas bochechas. Ela bebeu mais do que devia, isso é óbvio, mas algo nela ainda consegue parecer... adorável. Ridículo pensar isso agora.
– Ela precisa beber algo antes – Harper retruca, já vasculhando sua sacola com a eficiência de um general planejando uma batalha. Ela tira de lá algo que parece um copo de café e entrega para Aria.
– Café preto. Vai ajudar – Harper explica, enquanto se agacha na frente dela.
– Eu não gosto de café – Aria murmura, fazendo uma careta antes de beber um gole.
– Você também não gosta de admitir que tá bêbada, mas aqui estamos – Harper responde, sem paciência, o que arranca um sorriso de canto meu.
Aria termina o café com dificuldade e se recosta no sofá, os olhos vagando pela sala. Harper se levanta, ajeitando o vestido, mas seus olhos estreitam quando eu me levanto.
– Eu vou levar ela para o quarto – digo casualmente, mas Harper cruza os braços, o olhar cheio de desconfiança.
– Eu não sei se gosto da ideia de você sozinho com ela, Liam.
Eu dou um sorriso, aquele que normalmente desarma qualquer argumento. – Relaxa, Harper. Não vou fazer nada. Ela só precisa descansar.
Depois de um momento tenso, ela suspira e balança a cabeça. – Tudo bem. Mas se algo acontecer, eu arranco suas cordas vocais.
– Sim, senhora – respondo com um tom brincalhão, mas há algo no jeito como ela me encara que me faz levar a ameaça mais a sério do que eu gostaria.
Eu me abaixo e passo o braço por baixo dos ombros de Aria.
– Vamos lá, Estrela. Hora de se deitar.
– Pare de me chamar assim– ela murmura, mas não resiste.
Conduzi-la até o quarto é um exercício de paciência. Ela tropeça um pouco nos próprios pés e se apoia em mim mais do que provavelmente gostaria. O perfume dela é suave, uma mistura de algo floral e amadeirado, e apesar de estar exausta e um pouco bagunçada, ela ainda exala aquela aura que a torna impossível de ignorar.
Quando chegamos ao quarto, eu abro a porta com o cotovelo e a conduzo até a cama. É um espaço pequeno, com uma cama de solteiro, um abajur e uma cadeira no canto. Nada luxuoso, mas serve.
Eu a ajudo a sentar na beira da cama e me abaixo para tirar seus sapatos. – Pronto. Agora, tenta dormir um pouco.
Quando estou prestes a me levantar, sinto algo quente segurando minha mão. Olho para cima e vejo Aria me encarando.
– Fica – ela diz, a voz baixa, quase um sussurro.
– Aria, você tá bêbada – digo, tentando manter minha voz firme.
– Eu sei – ela responde, com um sorriso que é ao mesmo tempo doce e perigoso.
Ela puxa minha mão, e antes que eu perceba, estou sentado ao lado dela na cama. Seus dedos ainda estão entrelaçados nos meus, e o olhar que ela me lança é diferente de qualquer coisa que eu já vi nela antes. É vulnerável, mas também carregado de algo mais.
– Você é tão complicado – ela murmura, inclinando-se ligeiramente para mim.
– Eu? Complicado? – Minha risada sai mais nervosa do que eu gostaria.
– Sim. Você tem esse jeito todo arrogante, mas... eu sei que tem mais aí dentro – ela diz, os olhos verdes fixos nos meus.
– Aria... – minha voz sai tensa. Cada instinto meu diz para me levantar, sair daquele quarto, mas ela está tão perto, e a forma como ela me olha faz algo dentro de mim vacilar.
Ela se inclina ainda mais, a mão livre tocando meu rosto.
– Você sabe que eu te acho bonito, né? Não só o sorriso.
– Você realmente tá bêbada – murmuro, tentando soar despreocupado, mas minha voz sai rouca.
Ela ri, baixa e suave, e antes que eu possa reagir, seus lábios estão a centímetros dos meus.
– Aria, não – digo, finalmente recuando um pouco.
– Você não quer fazer isso.
– Como você sabe o que eu quero? – ela pergunta, o olhar desafiador.
– Porque eu não sou um canalha que se aproveita de uma mulher bêbada.
O quarto fica em silêncio. Ela ainda está tão perto que posso sentir sua respiração.
– Você é irritante – ela murmura, finalmente recuando e se deitando na cama.
– Eu sei – respondo, me levantando e ajeitando o cobertor sobre ela.
Enquanto saio do quarto, minha cabeça está um caos. Aria tem o poder de virar meu mundo de cabeça para baixo com um simples olhar, e isso me assusta mais do que qualquer coisa.
Aria
Acordo com a luz suave de um abajur iluminando o quarto. Por um momento, não tenho ideia de onde estou. A sensação é familiar e desconfortável, como acordar de um sonho que você não lembra. Meus olhos focam na figura de Harper, sentada em uma cadeira no canto, mexendo no celular como sempre. O som das teclas é baixo, mas constante, e é isso que finalmente me ancora na realidade.
– Harper? – minha voz sai rouca, quase um sussurro.
Ela levanta os olhos do celular e me encara com uma expressão que mistura cansaço e irritação. – Finalmente acordou. Como se sente?
Passo a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.
– Confusa. E com dor de cabeça.
– Isso é o mínimo que você merece – ela retruca, mas não há dureza real em sua voz. Harper é rígida, mas ela sabe quando pegar leve.
Me sento na cama com um pouco de dificuldade, as lembranças de mais cedo me atingindo em flashes.
– Eu... fiz alguma besteira? – pergunto, hesitante.
Harper inclina a cabeça, os olhos avaliando meu rosto.
– Até onde eu sei, não. Mas talvez seja uma boa ideia você manter distância das bebidas por um tempo.
Suspiro, aliviada e envergonhada ao mesmo tempo.
– Obrigada por não dizer “eu avisei”.
Ela dá um pequeno sorriso. – Eu estava guardando para um momento mais oportuno.
Meu olhar vagueia pelo quarto, um espaço pequeno e funcional, mas aconchegante. Não demora muito para perceber que estamos ainda no estúdio.
– Já está tarde?
– Sim – Harper responde, se levantando. – E nós precisamos voltar para o hotel.
Balanço a cabeça, me levantando devagar.
– Os rapazes da banda ainda estão aqui?
Ela balança a cabeça negativamente.
– Já foram.
Meu coração aperta um pouco mais do que deveria com essa informação. Por alguma razão, eu esperava que Liam tivesse me esperado, mesmo sabendo que isso não faz sentido. Nós não passamos de um acordo, um namoro falso, e nossa relação, na maior parte do tempo, é uma mistura de sarcasmo e tensão. Mas, ainda assim, uma parte de mim se sente decepcionada.
– Que horas são? – pergunto, tentando mudar de assunto.
– Passa da meia-noite – Harper responde, guardando o celular na bolsa.
– Vou chamar um carro para nos levar para o hotel.
Eu assinto, e em poucos minutos estamos a caminho. O carro está silencioso, e eu encaro a paisagem noturna da cidade pela janela, a cabeça girando com pensamentos desconexos.
Quando finalmente entro no meu quarto, o silêncio me engole. A cama parece um convite, mas eu não consigo simplesmente deitar. Vou até o espelho do banheiro e encaro meu reflexo. O rímel está borrado, e meu cabelo está uma bagunça. Não que eu esperasse algo diferente, considerando o estado em que estava.
As memórias voltam em fragmentos.
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Atualizado até capítulo 32
Comments
Bruna Carolina
Autora, estou ansiosa de hora em hora entro pra ver se foi atualizado!!!
2025-01-30
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Bruna Carolina
Eu só queria uma atualizaçãozinha
2025-02-01
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Bruna Carolina
Queria o mesmo Ária, que ele ficasse!
2025-01-29
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