Liam
Assim que estaciono em frente ao hospital, solto um suspiro de alívio. Finalmente. Mas antes mesmo de desligar o carro, ouço uma voz aflita ao meu lado.
-Ah, não. Aqui não, não pode ser.
Reviro os olhos, segurando a irritação. Quem diria que trazer alguém para o hospital causaria tanto drama?
Esse tipo de coisa só acontece comigo. Resolvo dar uma boa olhada na garota ao meu lado. Tem alguma coisa nesse rosto que me soa familiar, mas não consigo encaixar exatamente de onde. Olho de novo, tentando puxar da memória.
Cabelos ruivos, olhos penetrantes,Onde eu já vi isso antes?
E então, como se uma luz se acendesse, a memória surge. Aria Black. A atriz que eu escolhi pra ser minha "namorada" de mentira. E, até agora, ela ainda não deu uma resposta à proposta. Eu só não sei se devo rir ou xingar.
Sorrio, não conseguindo esconder o sarcasmo.
-Não é bom o suficiente pra uma estrela como você?-solto, com o tom mais provocador possível.
Ela responde com um olhar afiado e revira os olhos, como se eu fosse o culpado por tudo.
-Quero ir em um hospital perto da minha casa- diz ela, seca.
-Ah, é claro- retruco, com um tom exagerado de compreensão. Esqueci que estou aqui pra ser seu motorista particular. Tô exausto, sabia? Já dirigi por meia cidade. Esse aqui serve, não serve?
-Se você não lembra, eu não te pedi pra me trazer aqui. Foi você quem me jogou nesse carro- rebate ela, num tom igualmente ácido.
-Tá, tá. Mais um hospital, só porque eu sou um cara legal.
Reviro os olhos e ligo o carro, seguindo na direção que ela pede.
A estrada passa rapidamente, e logo chegamos ao novo hospital. Dou uma última olhada nela antes de perguntar:
-Qual o problema com o outro hospital?
Ela simplesmente responde, com a voz sem emoção:
- Só ... não gosto daquele hospital
Reviro os olhos, já começando a me perguntar o que estou fazendo da minha vida. Não devia ter me envolvido nisso. Mas lá estamos nós, mais uma vez, pelo simples motivo de ela ser quem é. -Tá bom- resmungo.
-Espera aqui. Vou procurar uma cadeira de rodas pra você.- Ela assente, sem sequer me agradecer.
Saio do carro e, com passos rápidos, vou até a entrada do hospital. O segurança à porta me observa, reconhecendo meu rosto imediatamente. Ele não diz nada, apenas me dá a cadeira de rodas que eu peço, com a mesma rapidez com que me reconheceu
Dou uma rápida olhada ao redor. Claro que, sendo quem sou, atraio alguns olhares. Eu até me acostumei com isso. Mesmo assim, tenho que encontrar uma maneira de fazer Aria entrar sem fazer um alvoroço. Qualquer movimento pode nos expor antes da hora certa. E se existe algo que eu sei, é que nada disso pode sair dos trilhos agora.
Eu ainda não tenho uma resposta se ela ira aceitar ser minha "namorada" , então é melhor não causar outro alvoroço na mídia
Assim que volto para perto do carro, olho para Aria e penso rápido. A entrada principal é uma armadilha em potencial, e o estacionamento já está ficando movimentado. Não posso simplesmente empurrar a cadeira de rodas pelo hospital como se fosse um passeio no parque – qualquer pessoa com um celular pode nos expor em segundos.
-Ok, precisamos ser discretos. Alguma ideia brilhante, estrela de Hollywood?-provoco, mais para ganhar tempo do que esperando uma resposta útil.
Ela me lança um olhar afiado, mas, para minha surpresa, responde:
-Você não é o especialista em improvisar? Achei que rockstars fossem bons nisso.
-Rockstars improvisam no palco, não em hospitais-resmungo, mas começo a observar ao redor. Há um funcionário próximo empurrando um carrinho de suprimentos médicos em direção a uma entrada lateral do hospital.
Isso pode funcionar.
-Espere aqui-digo, indo até ele antes que Aria possa começar com outro comentário sarcástico.
O homem, um senhor de meia-idade com expressão cansada, olha para mim com uma mistura de surpresa e reconhecimento assim que me aproximo.
-Você é... aquele cantor, não é? Da banda... Nocturnal alguma coisa.
Sorrio, mantendo a calma.
-Nocturnal Echo. Isso mesmo. E preciso de um favor. É rápido, prometo.
Ele cruza os braços, desconfiado.
-Que tipo de favor?
-Preciso levar uma amiga lá dentro sem chamar atenção. É uma situação meio complicada... coisa de gente famosa, entende?
Ele me olha por um momento, depois solta um suspiro resignado.
-Tem uma entrada de serviço logo ali. É por onde recebemos as entregas. Pouca gente passa por lá.
Meu alívio é imediato.
-Você salvou minha noite, amigo. Sério, devo uma pra você.
Ele balança a cabeça, murmurando algo sobre os problemas que vêm com a fama, enquanto eu volto até Aria.
-Temos um plano- anuncio.
-Ótimo- ela responde, mas sua expressão cética deixa claro que não está completamente convencida.
Empurro a cadeira em direção à entrada indicada, um pequeno portão nos fundos do hospital. O segurança na porta nos observa, mas antes que ele possa perguntar alguma coisa, eu tomo a frente.
-Minha amiga torceu o tornozelo. Estamos tentando evitar confusão na entrada principal, sabe como é-digo, jogando meu sorriso mais convincente.
Ele hesita, mas então reconhece meu rosto. -Você não é aquele cantor que...
Eu o interrompido antes que ele possa terminar, já impaciente
-Sim .. Dá pra quebrar essa pra gente?
O homem olha para Aria, depois para mim, e acaba abrindo o portão.
-Entrem rápido. E mantenham a discrição.
-Obrigado, cara. Prometo que não vamos causar problemas.
Empurro Aria pela entrada enquanto ela murmura:
-Você é sempre tão descarado?
-Só quando funciona- retruco, satisfeito por termos passado sem alarde.
Assim que entramos, encontramos uma área tranquila do hospital. Finalmente, ela relaxa um pouco na cadeira, e eu respiro aliviado.
-Viu? Nada como um pouco de planejamento.
-Planejamento?-Ela me encara, incrédula.
-Isso foi pura sorte.
- O que importa é que funcionou. - digo
Aria balança a cabeça, mas não discute. O importante, afinal, é que chegamos lá sem transformar a noite em um show.
Aria Black
Estou sentada na mesa do consultório, meu pé direito apoiado em uma almofada improvisada enquanto o médico ajusta os papéis em sua prancheta. A sala cheira a desinfetante, aquele aroma que sempre me deixa inquieta. A iluminação branca do teto parece mais forte do que deveria, como se até ela quisesse que eu me sentisse desconfortável.
-Bom, senhorita Black-começa ele, olhando para mim por cima dos óculos.
-As boas notícias são que você não quebrou nada. É uma torção moderada no tornozelo, mas nada que repouso e cuidado não resolvam.
Deixo escapar um suspiro aliviado, mas a palavra "repouso" já me deixa nervosa. Tenho uma agenda cheia. Repouso não faz parte do meu vocabulário.
-O que significa exatamente esse ‘repouso’?- pergunto, tentando esconder o incômodo na minha voz.
Ele sorri, paciente.
-Quinze dias sem colocar peso no pé. Evite caminhar o máximo que puder, mantenha o pé elevado e use essa faixa para imobilização. Vou prescrever também um anti-inflamatório. É simples, mas essencial para a recuperação.
-Quinze dias?-minha voz sobe um tom antes que eu possa me controlar.
-Eu não posso ficar parada tanto tempo.
-Entendo que isso possa ser inconveniente, mas necessário
Apenas balanço a cabeça e deixo o médico continuar com as instruções enquanto ele cuidadosamente enfaixa meu pé. A sensação apertada da bandagem me traz um misto de alívio e desconforto, mas é melhor do que a dor aguda que senti quando caí.
-Pronto. Isso deve manter o tornozelo estabilizado-diz ele, levantando-se para pegar uma cadeira de rodas no canto da sala.
-Agora, vamos levá-la até a saída dos fundos, conforme combinado. O senhor Ashford está esperando lá.
Deslizo da mesa para a cadeira de rodas com a ajuda do médico.
O som das rodas ecoa enquanto passamos por portas e corredores que parecem intermináveis. Por um instante, sou grata pelo silêncio. A última coisa que preciso agora é de uma plateia.
Quando chegamos à porta de saída, vejo Liam encostado em seu carro, falando com dois funcionários do hospital. Mesmo à distância, consigo perceber seu sorriso despreocupado e a postura relaxada, como se estivesse em casa. É incrível como ele consegue fazer tudo parecer fácil, mesmo quando claramente não é.
-Ah, finalmente!- ele exclama ao me ver, abrindo os braços como se eu fosse uma conquista. -Achei que vocês fossem me deixar plantado aqui a noite toda.
O médico me empurra até o carro e ajuda a me transferir para o banco do passageiro.
-Ela precisa de repouso absoluto, senhor Ashford. Confio que vai garantir isso?
-Repouso absoluto. Pode deixar comigo- ele responde
O médico se despede e volta para o hospital, e Liam dá a volta no carro, entrando no banco do motorista.
-Então, férias forçadas. Já pensou em como vai sobreviver a isso?- ele pergunta, ligando o motor.
-Não faço ideia, mas espero que você não se intrometa tanto nesse tempo- retruco, ajustando a posição do pé enfaixado.
-Intrometer? Eu? Sou um exemplo de discrição.
Não consigo evitar. Uma risada escapa antes que eu possa controlar. Talvez seja o alívio de finalmente sair daquele lugar ou simplesmente o fato de que, mesmo irritante, ele consegue arrancar humor das situações mais improváveis.
-Tá bom, rockstar. Só dirige.
Enquanto saímos pelo estacionamento vazio, sinto um misto de alívio e exaustão. Ainda não sei como vou lidar com tudo isso, mas, por ora, estar longe dos holofotes já parece suficiente.
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Atualizado até capítulo 32
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