Aria
As horas da noite se arrastam como sombras, cada minuto um lembrete de que, mesmo em meio à agitação de Hollywood, eu me sinto incrivelmente sozinha. Estou em um parque tranquilo, a alguns quilômetros da cidade, cercada por árvores altas que sussurram ao vento. Vim aqui em busca de um pouco de paz ja que passei um dia conturbado, pensando na minha conversa com Tom noite passada , aqui é um refúgio temporário onde posso colocar meus pensamentos em ordem e, quem sabe, me reconectar comigo mesma.
A luz da lua reflete nas folhas, criando padrões dançantes no chão. O canto distante de um pássaro noturno quebra o silêncio, mas, para mim, cada som parece amplificado pela solidão. Olho para o meu celular pela milésima vez, sem saber se espero que Tom atenda ou que, por algum milagre, ele se lembre de mim. Ouço sua voz na noite anterior, mas agora o silêncio me envolve como um manto pesado. As ligações que fiz foram em vão; seu número apenas ecoa na minha mente, repleto de perguntas não respondidas.
A tristeza se aninha em meu peito. Como Tom pode escolher um caminho que não inclua a mim? Ele preferiria que eu assumisse um relacionamento falso com um "rock star" para apaziguar a imagem pública dele do que arriscar seu coração ao assumir o que realmente somos. Um amor verdadeiro, mas conturbado, sufocado sob os holofotes e as expectativas. O que há de errado em amar alguém sem precisar de uma máscara? O que nos torna prisioneiros das aparências?
Enquanto ando, avisto um banco sob uma árvore frondosa e decido me sentar. Fecho os olhos e deixo que o silêncio me envolva, mas logo sou invadida por memórias dele—o jeito como seu sorriso iluminava o ambiente, a maneira como seus olhos brilhavam quando falava de seus sonhos. A ideia de que tudo aquilo pode estar se dissipando, como fumaça no vento, é insuportável.
Minhas mãos tremem levemente quando busco novamente o celular, apenas para verificar se não há nenhuma mensagem. Mas a tela permanece a mesma, refletindo meu rosto preocupado. O desejo de enviar uma mensagem, de gritar por atenção, é quase avassalador. Contudo, sei que não posso pressioná-lo. O que preciso é de um espaço para respirar, longe do caos de Hollywood e das promessas quebradas.
Levanto-me do banco com um suspiro pesado. Não adianta ficar me lamentando aqui; preciso me mover, encontrar um pouco de clareza em meio à escuridão. Caminho lentamente, a grama macia sob meus pés, mas a paz que busco parece tão distante quanto as estrelas que brilham acima de mim.
Enquanto avanço pela trilha iluminada fracamente por lanternas, um frio súbito percorre minha espinha. Uma silhueta alta se destaca contra a escuridão. Meu coração dispara, e uma onda de adrenalina me faz parar, paralisada. O homem à frente é muito alto, musculoso, com uma presença que parece consumir o espaço ao seu redor. O que estou fazendo aqui, sozinha, à noite? O pensamento invade minha mente com uma urgência que me faz hesitar.
Droga em meio a tanta confusão na minha mente não pensei em quão perigoso poderia ser uma mulher sozinha nesse parque isolado a essas horas da noite
Ele também para, a alguns metros de mim. A escuridão torna impossível ver seu rosto, mas a postura imponente e a aura ao seu redor são inegáveis. Por um momento, somos apenas duas figuras solitárias, perdidas em um parque.
— Olha so parece que alguém alem de mim decidiu sair para passear. Às vezes eu me pergunto se você sabe o quão perigoso é para uma mulher estar sozinha aqui à noite. — A voz dele é rouca, com um tom sarcástico que me faz estremecer.
Droga. Estou paralisada, a mente confusa enquanto tento processar suas palavras. Não sei se deveria responder, se deveria correr ou se simplesmente deveria ignorá-lo. Mas há algo em sua voz que me atrai, um mistério que aguça minha curiosidade.
— Não sou uma criança, — finalmente consigo murmurar, tentando adotar uma postura de segurança que não sinto.
— Posso cuidar de mim mesma.
A risada dele é baixa e desdenhosa, ecoando na noite
Ele avança um passo em minha direção, e eu sinto o impulso de recuar. Meu corpo responde antes que minha mente consiga raciocinar. Dou alguns passos para trás, o coração batendo tão rápido que parece ecoar no silêncio da noite. Droga, eu devia ter pensado duas vezes antes de ficar sozinha aqui, em um parque deserto. O que estou fazendo?
O homem se aproxima mais, e a risada dele ecoa na escuridão, baixa e desdenhosa.
— Por sorte sua, não sou um serial killer ou algo do tipo, — ele diz, o sarcasmo pingando em cada palavra.
Meu coração dá um salto no peito. É exatamente isso que um serial killer diria, não é?
Não espero mais para descobrir. Sem pensar, me viro e corro, minhas pernas disparando em uma explosão de adrenalina. O som dos meus sapatos batendo contra o chão úmido preenche o silêncio ao meu redor. Eu nem ouso olhar para trás, com medo de vê-lo me seguindo, de repente transformado em algo muito mais sinistro.
O parque, que antes parecia um refúgio, agora é um labirinto de sombras, e cada árvore parece estar me observando. Tento manter o ritmo, mas meu coração está prestes a explodir. Mais à frente, vejo uma luz. Uma lanterna! Deve ser de algum guarda do parque. Um suspiro de alívio me escapa, e aumento a velocidade, tentando chegar até ele o mais rápido possível.
Mas então, meu pé se enrosca em algo, e eu tropeço desajeitadamente, caindo no chão com um baque surdo. A dor irrompe pelo meu corpo, e sinto a terra fria contra minhas mãos e joelhos. Tento me levantar, mas minhas pernas tremem com o esforço da corrida.
— Ei, você está bem? — Ouço a voz de um homem, provavelmente o guarda, enquanto ele se aproxima com a lanterna.
Levanto o rosto e o vejo se aproximar rapidamente, a luz da lanterna oscilando à medida que ele se apressa até mim. A dor nas minhas pernas parece menor agora que há alguém para me ajudar. Abro a boca para explicar o que aconteceu, para contar sobre o homem que me assustou, mas antes que eu consiga formar uma palavra, ouço aquela mesma voz rouca atrás de mim. A voz que eu esperava deixar para trás.
— Ela achou que eu era um assassino? — A risada dele é seca, com um toque de diversão.
— Foi por isso que saiu correndo feito uma louca pelo parque?
Eu congelo, o medo se misturando à raiva e à vergonha. Como ele chegou aqui tão rápido? Viro lentamente, e o guarda também se move, iluminando a figura do homem com sua lanterna. A luz revela traços que me são dolorosamente familiares.
Liam Ashford. Ele está parado ali, como se a cena toda fosse apenas uma grande piada. A luz da lanterna destaca seu rosto marcado pelo sarcasmo, e seus olhos penetrantes me encaram com uma mistura de diversão e desafio. A cabeça raspada dos lados , os músculos definidos, as tatuagens... tudo está ali, em carne e osso, como se saído de um pesadelo — ou de um sonho, dependendo da perspectiva.
— Não acredito... — as palavras escapam de meus lábios antes que eu possa me controlar.
Liam Ashford.
Droga é o Liam Ashford.
Liam
Ela está parada ali, me olhando com os olhos arregalados, como se tivesse acabado de ver um fantasma. Ou talvez algo mais interessante. A expressão dela é quase divertida, como se soubesse exatamente quem eu sou. Bom, não é surpresa. A maioria das pessoas sabe. É inevitável quando se está no centro das atenções como eu. Só que... algo nela me parece familiar também, mas não consigo identificar o que é. Droga, será que bebi demais essa noite? Pode ser a bebida nublando minha mente.
O guarda olha para mim, reconhecendo imediatamente quem eu sou, como sempre acontece.
— Liam Ashford? O que está fazendo por aqui a essa hora da noite?
Reviro os olhos levemente antes de responder, tentando manter o tom casual.
— Gosto de vir aqui para espairecer. Esse é o único horário em que posso andar no parque sem ter fãs me seguindo por todos os cantos.
Dou uma olhada para a jovem , ainda em choque, sem dizer uma palavra.
— Mas parece que eu não sou o único que gosta de uma caminhada noturna. — Minha voz carrega um toque de provocação, mas ela continua me observando como se estivesse congelada no lugar.
O guarda, meio sem graça, intervém.
— Bom, é melhor vocês não ficarem por aqui por muito mais tempo. É perigoso. — Ele acena com a cabeça antes de se afastar, deixando-nos sozinhos.
Eu faço um gesto de assentimento e volto minha atenção para ela. Não consigo deixar de provocá-la.
— Então, quer um autógrafo? Ou só vai ficar aí me admirando feito uma estátua?
- Sei que sou lindo mas é meio desconfortável sabe? ... você me olhando assim...
Finalmente, algo muda na expressão dela. Ela pisca algumas vezes, e, para minha surpresa, fala com um toque de sarcasmo:
— Você tem um ego muito grande.
Isso me faz rir. Uma risada curta, cheia de diversão. Ela tem coragem, tenho que admitir.
— E isso é novidade? — respondo
— Mas pelo menos tenho algo para me gabar, não acha?
Ela bufa, impaciente, como se estivesse cansada da minha presença.
— Tenho mais o que fazer do que ficar discutindo com... — ela faz uma pausa, me avaliando de cima a baixo com uma expressão quase irritada
— ...com você " Sr ego Gigante".
Sorrio com a provocação.
Ego Gigante, hein? Essa garota definitivamente não me trata como o resto das pessoas. Antes que eu possa retrucar, ela tenta passar por mim, mas algo acontece. Ela solta um gemido e, por um segundo, parece que vai cair no chão. Instintivamente, estendo a mão e a seguro antes que ela se esborrache no chão.
— Droga... — ela murmura, claramente frustrada. — Acho que torci o pé.
Eu rio, uma risada leve, porque a situação é quase cômica.
— Só o que me faltava... Agora vou ter que te carregar até a sua casa? — brinco, o sarcasmo evidente na minha voz.
Ela me olha com um misto de dor e irritação.
— Deixa de ser imbecil — ela rebate, tentando se livrar da minha ajuda. Ela dá mais um passo, mas mal consegue. O gemido de dor que escapa dela é mais sincero do que o sarcasmo anterior. Caramba, ela realmente se machucou.
— Certo, chega disso — digo, suspirando. Seguro o braço dela com firmeza, mas de forma suave, oferecendo algum apoio.
— Deixa eu te ajudar, vai ser mais fácil.
Mas ela puxa o braço com força, a teimosia escancarada no rosto.
— Não preciso da sua ajuda — insiste, tentando mais uma vez andar. Mas, claro, tropeça de novo e acaba no chão.
Dessa vez, quem bufa sou eu. Já estou ficando sem paciência, embora ainda ache graça da situação.
— Deixa de ser teimosa, garota. — Sem dar mais tempo para ela protestar, a pego no colo.
Ela protesta
— Me põe no chão, seu idiota! — Ela grita, o tom de voz indignado ecoando no silêncio da madrugada.
— Para onde você está me levando?
— Para o hospital, é claro. — Respondo, sem hesitar.
— Não, me leva até o meu carro! Ele está ali, estacionado perto da entrada do parque!
— Ela aponta com a cabeça para um ponto distante.
— E como você pretende dirigir, se nem consegue andar?
— Eu posso me virar sozinha! — Ela insiste, mas há uma fúria comedida nos olhos dela que me faz querer rir ainda mais.
— Por mais tentado que eu esteja a te jogar no chão e te deixar aqui no meio do parque, — digo, forçando a voz a ser mais grave — meu instinto de cavalheirismo não me permite isso.
Assim, começo a me mover em direção ao carro, que estaciona em uma área bem iluminada, longe da penumbra do parque. Ao chegarmos ao meu Maserati Levante , eu a coloco no chão para destrancar as portas.
Eu abro a porta do passageiro e a coloco para dentro. Ela continua protestando.
— Isso é sequestro! — grita, mas eu simplesmente reviro os olhos.
— Estou tentando fazer uma boa ação aqui, então pare de ser irritante! — respondo, fechando a porta do passageiro, quase tumbando um sorriso. Então vou para o meu lado e me sento no banco do motorista com um suspiro.
— Você está fedendo a álcool! Você não pode dirigir assim! — Ela me acusa, a voz cheia de autoridade.
— Eu não estou bêbado, só tomei uns goles ,relaxe, baby. — murmuro, tentando disfarçar o cansaço enquanto me recosto no assento.
A verdade é que um drinque ou dois não me tornariam incapaz de dirigir, mas preferi não entrar em detalhes.
— Você é impossível! — Ela resmunga, enquanto eu ligo o carro, e eu não posso deixar de sorrir com a ideia de que, mesmo no meio do caos, existe algo inegavelmente divertido nisso tudo.
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Atualizado até capítulo 32
Comments
Bruna Carolina
Eita como é o destino, colocou os dois no mesmo lugar e na mesma hora!
2025-01-28
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