Ritmo Perigoso

Aria

O carro para diante do clube, e as luzes piscantes na fachada iluminam o rosto de Liam por um breve momento. Ele abre a porta e me ajudar a descer. O toque dele retorna, firme, quente, enquanto entrelaça nossos dedos novamente. Tudo parte do show. Tudo parte do acordo.

Os flashes começam assim que nossos pés tocam o chão. Não tão agressivos quanto antes, mas ainda assim presentes, atentos a cada movimento. Eu mantenho meu rosto relaxado, embora o aperto na minha mão revele minha tensão. Liam, claro, está completamente à vontade, um pequeno sorriso relaxado nos lábios enquanto acena casualmente para os fotógrafos.

O clube é um universo próprio. A música pulsa como um coração gigante, grave e profunda, preenchendo o ar com energia. As luzes são um caleidoscópio de cores, refletindo no teto espelhado e criando um ambiente que é ao mesmo tempo caótico e hipnótico. O cheiro de álcool, perfume caro e algo doce — talvez fumaça de máquina de neblina — preenche o ar.

Assim que entramos, Liam solta minha mão, mas sua presença ainda parece me envolver. “Quer beber alguma coisa?” ele pergunta, inclinando-se perto o suficiente para que sua voz rouca supere a música.

-Sim-respondo, tentando soar casual. Ele faz um gesto para que eu o siga até o bar.

Os outros membros da banda aparecem logo em seguida, se misturando à multidão com sorrisos despreocupados. Cole já está falando algo animado com Jasper, enquanto Felix ri de algo que parece ser uma piada interna. Eles parecem pertencer a esse lugar, como se fossem parte do próprio ritmo da música.

Liam se encosta no balcão do bar, sua postura relaxada contrastando com a intensidade no olhar que ele lança ao barman. Em poucos minutos, dois copos de um líquido âmbar aparecem diante de nós. Ele ergue o copo para mim, e eu faço o mesmo, tentando ignorar o pequeno tremor nos meus dedos.

-À sobrevivência- ele diz com aquele sorriso de canto que eu já estou começando a odiar — e, ao mesmo tempo, a notar demais.

-À sobrevivência- murmuro de volta antes de dar um gole.

O álcool é quente, queimando suavemente na garganta e relaxando os nós de tensão nos meus ombros. Não sei quanto tempo passamos ali, bebendo e falando sobre nada específico. Há algo surpreendentemente fácil na maneira como Liam conversa, como se ele soubesse exatamente como te puxar para a sua órbita sem que você perceba.

Depois de alguns goles a mais, ele se inclina mais perto, seus olhos encontrando os meus. -Quer dançar?

Ele já está estendendo a mão, seus dedos quase tocando os meus. Droga. Meu coração tropeça antes mesmo de eu me levantar, como se já soubesse o que está por vir.

Ele me guia para a pista de dança, e, embora não seja a dança convencional — estamos mais cercados de corpos que pulsam junto com a música —, há algo intensamente íntimo na proximidade dele. O calor de sua pele. O jeito como ele se inclina perto o suficiente para que apenas eu o ouça.

A música muda, tornando-se mais lenta, mais profunda, e eu sinto o peso de sua mão na base das minhas costas.

-Está tudo bem?- ele pergunta, baixo o suficiente para que soe quase como um segredo.

Assinto, incapaz de formar palavras. O rosto dele está perto, mas não o suficiente para quebrar qualquer regra tácita que estabelecemos. É isso que torna tudo tão... perigoso. Cada pequeno movimento parece calculado para parecer natural, e, no entanto, meu coração dispara como se fosse real.

-Você leva jeito para isso- murmuro, tentando mascarar o que estou sentindo.

Ele ri, um som grave que reverbera em mim.

-Pra fingir? Ou pra te irritar?

-Os dois- respondo automaticamente, mas não consigo conter um sorriso. Não importa o quanto eu lute contra isso, há algo nele que é magnético.

Os flashes das câmeras são quase imperceptíveis em meio às luzes do clube, mas sei que estamos sendo observados. Eu me convenço de que é por isso que me inclino um pouco mais, deixando nossas cabeças se tocarem por um breve segundo. Tudo parte do show. Tudo pelo acordo.

Pelo menos é o que continuo dizendo a mim mesma enquanto meu coração erra mais uma batida, e o sorriso de Liam se torna quase insuportavelmente desarmante.

 A música pulsa ao nosso redor, mas sua intensidade não é páreo para a energia que sinto crescendo entre nós. A cada segundo que passo ao lado dele, mais difícil fica lembrar por que concordei com tudo isso — por que aceitei me colocar nessa posição, fingindo algo que começa a parecer perigosamente real.

Ele se inclina um pouco mais, e minha respiração falha. Meu coração martela contra minhas costelas, como se quisesse gritar algo que minha mente ainda não está pronta para admitir. Liam mantém os olhos fixos nos meus, a intensidade em seu olhar me prendendo no lugar. Não consigo desviar, mesmo que isso signifique perder o último fragmento de autocontrole que tenho.

-Você está pensando demais, Aria- ele murmura, a voz rouca, baixa, deslizando como um segredo entre nós.

Eu deveria responder. Qualquer coisa. Mas minha garganta está seca, e as palavras parecem evaporar antes de alcançarem meus lábios. Ele dá um passo à frente, e o calor de seu corpo contra o meu é quase insuportável. Não estamos encenando agora. Ou talvez estejamos, mas não para os paparazzi. Esse momento é só nosso, e isso me assusta mais do que os flashes.

-Liam…- Tento protestar, mas minha voz sai baixa demais, fraca demais.

Ele não diz nada. Em vez disso, sua mão sobe lentamente para a base do meu rosto, os dedos firmes, mas gentis, enquanto seguram meu queixo. O toque é quente, quase possessivo, e minha pele parece eletrificada onde ele me toca. Meu coração está prestes a explodir, e não tenho certeza se é de nervosismo, raiva ou… algo mais.

E então ele me beija.

É intenso, mas não apressado. Ele toma seu tempo, como se estivesse marcando cada segundo em minha memória. Seus lábios são firmes, mas suaves, movendo-se contra os meus com uma certeza que me desarma. Não há hesitação nele, apenas uma confiança que parece inabalável, como se soubesse que eu não conseguiria resistir, mesmo que tentasse.

Minha mente grita que isso é errado. Que é tudo parte do acordo. Mas meu corpo não parece ouvir. Minhas mãos encontram o tecido macio de sua camisa, agarrando-o como se fosse a única coisa que me mantivesse de pé. Há algo na forma como ele me segura, como se eu fosse preciosa, mas também algo que ele não deixaria escapar tão facilmente.

O mundo ao nosso redor desaparece. Não há música, não há luzes piscando, não há flashes. Apenas ele. Apenas nós.

Quando ele finalmente se afasta, o faz devagar, como se estivesse relutante em quebrar o momento. Seus olhos encontram os meus novamente, e há algo ali que não consigo decifrar. Algo cru, profundo, que me deixa sem fôlego.

Eu deveria dizer algo, mas ainda estou lutando para recuperar o fôlego. Ele, claro, parece completamente tranquilo, como se não tivesse acabado de bagunçar completamente minha cabeça.

-Isso foi…-Começo, mas minha voz falha. Não consigo nem terminar a frase.

Ele inclina a cabeça, aquele sorriso irritantemente desarmante voltando aos seus lábios.

-Parte do show, certo?- Sua voz é leve, quase provocativa, mas seus olhos dizem outra coisa. Algo mais sério.

Concordo com a cabeça, mesmo que meu coração esteja gritando o contrário.

-Parte do show- repito, mas as palavras soam vazias, como uma mentira mal contada.

Ele sorri novamente, mas não diz mais nada. Apenas pega minha mão outra vez, entrelaçando nossos dedos com uma facilidade que deveria parecer natural. O calor ainda está lá, percorrendo minha pele onde ele me toca.

Enquanto caminhamos de volta para o centro do clube, uma coisa é clara: nada sobre isso parece uma encenação. E isso me assusta mais do que qualquer coisa.

A música segue alta, os graves reverberando no chão. Vamos a um canto mais reservado do clube, mas o ambiente continua denso, cheio de luzes que piscam e corpos que se movem ao ritmo. Liam está ao meu lado, mas não diz nada. Ele apenas observa. Cole e Jasper estão ocupados com suas "companhias" da noite, enquanto Felix, do outro lado do bar, parece imerso em algum tipo de conversa filosófica consigo mesmo – ou talvez com o copo de uísque na mão.

-Parece que todo mundo sabe como se divertir por aqui- comento

Liam segue meu olhar e solta uma risada baixa. -Bem, somos especialistas em caos

-E você?”-pergunto, arqueando uma sobrancelha. -Vai ficar só aí, quieto e comportado?

Ele vira o rosto para mim, um sorriso malicioso surgindo.

-Eu? Nunca.

Antes que eu consiga responder, sinto o calor da mão dele na minha, puxando-me para perto.

-Mas acho que já cumprimos nossa cota de diversão por hoje. Vamos sair daqui.

Olho ao redor – os paparazzi provavelmente ainda estão lá fora, à espreita. Minha hesitação é automática.

-E os outros?

Liam dá de ombros.

-Eles estão bem. Além disso, não somos babás. Vamos antes que eu mude de ideia.

O toque da mão dele é firme, mas não apressado, e algo no tom casual que ele usa me faz perceber que não tenho escolha. Meu coração acelera, como sempre acontece quando estamos tão próximos.

Ele me guia pelo clube, desviando dos poucos que nos olham enquanto passamos. No caminho, noto o jeito como ele mantém a postura confiante, a maneira como parece dominar qualquer espaço que ocupa. É frustrante e... atraente ao mesmo tempo.

-Você faz isso o tempo todo, não é?- pergunto, tentando soar desinteressada.

-Fazer o quê?

-Comandar. Atrair atenção sem nem tentar.

Liam ri, mas é um som baixo, quase como se estivesse pensando em algo que não compartilha.

-Eu não tento, Aria. Só acontece.

Rolando os olhos, me obrigo a não responder. O som abafado da música vai ficando para trás enquanto nos aproximamos da saída.

Quando estamos fora do clube, o ar noturno é um alívio imediato. É fresco, e o silêncio é quase reconfortante, quebrado apenas pelo clique das câmeras que nos esperam do lado de fora.

-Pronta para mais um show?- Liam murmura, inclinando-se perto o suficiente para que sua voz seja apenas para mim.

Não confio na minha voz, então apenas assinto. Ele sorri – aquele sorriso meio provocador, meio perigoso – e, sem hesitar, entrelaça nossos dedos. Mais uma vez, a eletricidade percorre minha pele.

Quando começamos a caminhar em direção ao carro, os flashes aumentam. Mantenho meu olhar fixo à frente, consciente de cada movimento, mas Liam parece completamente à vontade. Ele dá um pequeno aperto na minha mão, como se dissesse Relaxa, é fácil.

E, de alguma forma, com ele ao meu lado, quase parece ser.

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