Eu ainda não conseguia processar tudo o que a enfermeira havia dito. Sentada na maca, sentia meu coração acelerar e minha mente borbulhar de perguntas. Minha memória da queda da escada era tão clara que se tornava insuportável imaginar que poderia ser apenas um devaneio ou uma ilusão causada por glicose baixa. Meus dedos apertavam o lençol branco da maca, e o cheiro de álcool ético do ambiente me trazia uma mistura de calma e ansiedade.
— Enfermeira, desculpe perguntar de novo… Mas quem me trouxe aqui? Foi algum amigo? — minha voz saiu mais fraca do que eu esperava, quase um sussurro.
Ela ergueu os olhos do prontuário que preenchia, com um sorriso que parecia meio divertido.
— Um rapaz. Disse que te encontrou desacordada no corredor. Você teve sorte, sabe? Ele parecia bem preocupado, insistiu que você fosse atendida imediatamente. — Ela deu de ombros como se fosse algo rotineiro. — Ah, e ele é bem conhecido aqui na universidade. Como é mesmo o nome dele…? Algo com L, eu acho.
Meu corpo congelou. Um arrepio percorreu minha espinha, e meu coração pareceu dar um salto.
— Você disse L? Tem certeza? — perguntei, inclinando-me ligeiramente para frente.
— Isso mesmo. O Lobo, acho que é assim que o chamam. — Ela riu levemente, como se fosse um apelido inusitado. — Bem misterioso, não acha? E muito bonito também.
Minha mente girou. O Lobo? O homem que parecia ter entrado na minha vida como um espectro de proteção e intenções enigmáticas? O que ele estaria fazendo ali, na faculdade, e como ele sabia onde me encontrar? Minhas mãos suavam enquanto tentava encaixar as peças do quebra-cabeça que parecia cada vez mais incompleto.
— Ele disse algo? Quero dizer… sobre mim ou o que aconteceu? — tentei controlar minha curiosidade, mas falhei miseravelmente.
A enfermeira abanou a cabeça, ainda com aquele sorriso acolhedor.
— Não muito. Disse apenas que te encontrou e achou melhor te trazer aqui. Parecia muito calmo, mas os olhos dele… — Ela pausou, pensativa. — Sérios, quase como se estivessem analisando tudo. Acho que ele se importa com você.
— Eu duvido disso, — murmurei mais para mim mesma do que para ela.
— Bem, ele deixou isso para você, — disse a enfermeira, tirando algo do bolso do jaleco. Um pequeno papel dobrado foi entregue em minhas mãos.
Com as mãos trêmulas, abri o bilhete. As palavras escritas com uma caligrafia impecável fizeram meu coração disparar ainda mais:
*"Nem tudo é o que parece. Cuidado em quem você confia. Estarei por perto. — L."
Fitei o papel por um longo momento, sentindo uma mistura de alívio e medo. Ele sabia mais do que eu poderia imaginar, e, de alguma forma, estava me avisando. Mas avisando sobre quem? Ou sobre o quê? Meu peito se apertou com a sensação de que eu estava no meio de algo muito maior do que podia compreender naquele momento.
— Você está bem? — perguntou a enfermeira, observando minha expressão preocupada.
— Sim… Estou, obrigada. — Guardei o bilhete rapidamente no bolso e forcei um sorriso.
Enquanto a enfermeira continuava suas tarefas, decidi que precisava de respostas. E essas respostas estavam com o Lobo. Ele era a chave para desvendar o que estava acontecendo comigo, e eu não descansaria até encontrá-lo.
Me levantei da maca, ainda um pouco zonza, mas determinada. Antes de sair, a enfermeira me chamou novamente.
— Carol, se cuide, viu? Você é jovem, mas parece carregar o peso do mundo nos ombros. Lembre-se de que tem gente por perto que se preocupa com você.
— Obrigada, — respondi, tentando ignorar o aperto no peito que suas palavras causaram. — Vou me cuidar.
Ao sair da enfermaria, os corredores da faculdade pareciam diferentes. Cada rosto desconhecido parecia esconder segredos, cada olhar parecia uma pista para algo maior. Eu precisava encontrar o Lobo. E, dessa vez, não aceitaria mais enigmas. Era hora de jogar as cartas na mesa.
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Atualizado até capítulo 64
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