O restaurante do centro tinha um ar sofisticado e aconchegante, com sua iluminação baixa e paredes cobertas de madeira clara. As mesas estavam dispostas de maneira a garantir a privacidade, o que tornava o local perfeito para reuniões discretas. Exatamente o tipo de lugar que Rayssa adorava exibir em suas redes sociais, como se dissesse ao mundo que era parte de uma elite que, na verdade, ela só fingia pertencer.
Cheguei pontualmente, escolhendo um vestido elegante, mas sóbrio: preto, com alças finas e um decote discreto, acompanhado por um blazer bege. Nos pés, sapatos de salto que me pareciam ainda mais imponentes. Queria que Rayssa sentisse minha presença antes mesmo de eu abrir a boca.
Ela já estava lá, sentada a uma mesa no canto, confundindo no celular. Seu cabelo perfeitamente ondulado caído sobre os ombros, e ela usava um vestido vermelho chamativo que parecia gritar "olhem para mim". Quando me viu, abriu um sorriso que qualquer um acreditaria ser sincero, mas que eu sabia ser tão falso quanto tudo o que ela representava.
—Carol! — ela exclamou, levantando-se para mim abraçar. O perfume doce e enjoativo que ela usava invadiu minhas narinas.
— Rayssa — respondeu com um sorriso igualmente ensaiado, enquanto retribuía o abraço. — Que bom você ver.
Sentamo-nos, e uma garantia apareceu imediatamente para nos oferecer o menu. Rayssa, como de costume, pediu uma taça de vinho branco antes mesmo de olhar as opções.
— Então, como você está? — ela disse, cruzando as pernas e inclinando-se levemente para a frente. — Faz tempo que não nos falamos direito.
Respirei fundo, mantendo minha expressão neutra. — Estou bem, Rayssa. Focada no trabalho, como sempre. E você?
Ela deu de ombros, incomodando na taça de vinho que a garçonete havia de trazer. — Ah, você sabe, vivendo um dia de cada vez. Tanta coisa acontecendo…
— Imagino — comentei, dando um leve sorriso. — A vida sempre nos surpreende, não é?
Houve um breve silêncio, durante o qual Rayssa parecia procurar algo para dizer. Eu sabia que ela estava desconfortável. Talvez tivesse percebido uma mudança em mim, ou talvez fosse apenas uma culpa pesando em sua consciência.
Decidi quebrar o silêncio. — Sabe, Rayssa, estive pensando muito sobre amizade ultimamente. Sobre como é importante confiar nas pessoas que escolhemos ter por perto.
Ela piscou, parecendo pega de surpresa. — Ah… claro. A confiança é tudo, né?
— Exatamente — concordo, inclinando-me um pouco para frente. — E é por isso que acho que precisamos ser honestos uma com a outra.
O sorriso dela vacilou por um momento, mas ela rapidamente se recompôs. — Claro, Carol. Sempre fomos honestos uma com a outra.
Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou em cima da mesa. Olhei rapidamente para a tela: era uma mensagem do Lobo.
"Tudo pronto. Dispositivo ativo."
Coloquei o celular de volta na bolsa, mantendo uma expressão tranquila.
— Então, Rayssa, me conta. O que foi feito ultimamente? — querido, observando atentamente cada acontecimento dela.
Ela começou a falar sobre projetos triviais, encontros sociais, e eu deixei que ela se enrolasse em sua própria narrativa. Sabia que, em algum momento, ela daria o passo errado. E foi exatamente o que aconteceu.
— Ah, e tem o Felipe — ela comentou casualmente, mas com um brilho nos olhos que não conseguiu esconder. — Ele é um amor, sabe? Sempre tão gentil…
Meu coração disparou, mas mantive a calma.
— Sim, ele é mesmo — respondi, sorrindo. — Vocês passaram bastante tempo juntos, pelo que vejo.
Ela ficou momentaneamente sem palavras, mas logo se recuperou. — Ah, não é nada demais. Somos amigos, você sabe disso.
— Sei, sim. — Inclinei-me para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Mas me conta, Rayssa. Como é para você… estar com ele?
O rosto dela ficou pálido por um segundo, mas ela tentou disfarçar. — Não sei do que você está falando, Carol.
— Ah, Rayssa, não precisa fingir. — Meu tom era calmo, mas minhas palavras tinham peso. — Eu sei de tudo.
O silêncio que se abalou foi garantidor. Rayssa olhou ao redor, como se procurasse uma saída, mas estávamos longe de qualquer interrupção.
— Carol, eu… eu posso explicar — começou ela, a voz tremenda.
— Pode, sim. E eu sugiro que o faça — respondi, cruzando os braços.
Ela começou a falar, mas suas palavras eram desconexas, cheias de desculpas e justificativas. Tudo o que eu primeiro foi capturado pelo dispositivo escondido na bolsa, cada mentira e tentativa de manipulação.
Quando terminei de ouvir o suficiente, levantei-me.
— Rayssa, foi bom te ver. — Peguei minha bolsa e olhei diretamente para ela. — Mas acho que já ouvi tudo o que preciso.
Ela ficou sentada, paralisada, enquanto eu saía do restaurante com a cabeça erguida.
Mais tarde naquela noite
No meu apartamento, o Lobo estava à minha espera. Ele tinha um laptop aberto, com o áudio da conversa já sendo detalhado.
— Foi perfeito — ele disse, enquanto ajustava os fones de ouvido. — Ela praticamente foi entregue.
Senti-me ao lado dele, exausta, mas satisfeito. — E Felipe?
O Lobo convidou, mas havia algo sombrio em seus olhos. — Ele está mais nervoso do que nunca. O próximo passo será o golpe final, Carol. Você está pronto para isso?
Olhei para ele, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. — Estou pronto. Eles me destruíram, Lobo. Agora é a minha vez.
Ele concordou, fechando o laptop. — Então vamos terminar o que começamos.
Eu sabia que o caminho à frente seria perigoso, mas também sabia que não estava mais sozinho. Com o Lobo ao meu lado e a determinação de que queimava em meu peito, estava preparado para enfrentar o que fosse necessário.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Dione Lopes
Eitaaa suspense eu aqui roendo minhas unhas para saber o que vai acontecer.
2024-12-13
1
Reni Demetre
qual será o próximo passo
2024-12-11
1