Na manhã seguinte, a atmosfera estava carregada de tensão, embora eu fosse a única a perceber. O dia começou como qualquer outro: um café preto forte, um rápido deslocamento até o brechó, e a equipe já imersa em suas tarefas habituais. Mas, por dentro, eu sentia que algo maior estava se aproximando.
As palavras de Felipe ecoavam em minha mente, especialmente depois de assistir ao replay da minha live. Ele devia estar desconfiado, eu sabia disso. O Lobo também tinha razão: cada movimento precisava ser calculado, cada palavra cuidadosamente escolhida.
Ao entrar no brechó, minha assistente Gisele já estava organizando as vitrines. Ela olhou para mim com um sorriso habitual, mas seus olhos demonstravam curiosidade. Talvez fosse a intensidade com que eu me movia, ou a forma como meus passos ecoavam como declarações de guerra silenciosas.
— Bom dia, Carol! — ela disse, ajeitando um vestido de grife em um manequim. — A live de ontem foi incrível. Os seguidores estão comentando sem parar!
Dei um sorriso leve e assenti, colocando minha bolsa sobre o balcão. — Foi mesmo, Gisele. Mas isso é só o começo. Temos muito trabalho pela frente.
Ela inclinou a cabeça, intrigada. — Alguma coisa em mente?
— Sempre. — Meu tom foi firme, mas amigável, o suficiente para encerrar o assunto.
Mais tarde naquele dia
Enquanto ajustava alguns detalhes para o evento de moda que eu estava organizando, recebi uma mensagem enigmática do Lobo:
"Nosso próximo passo começa hoje. Encontro no café da esquina às 18h."
Meu coração acelerou. Era um misto de ansiedade e determinação. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, chegaria a hora de agir. Mas o que ele teria em mente agora?
O café era um lugar discreto, com paredes de tijolos aparentes e luzes amareladas que criavam um ambiente intimista. Quando entrei, o Lobo já estava lá, sentado em uma mesa no canto, de frente para a porta. Ele estava vestido como sempre: um terno preto impecável, a gravata afrouxada o suficiente para dar um ar de casualidade calculada.
Ao me aproximar, ele levantou o olhar, seus olhos brilhando com aquele mistério característico. Ele gesticulou para que eu me sentasse.
— Você parece tensa, Carol — disse ele, com a voz calma, mas carregada de propósito.
— Quem não estaria? — respondi, enquanto puxava a cadeira e me acomodava. — O que temos agora?
Ele colocou um tablet sobre a mesa e deslizou a tela para que eu pudesse ver. Era um esquema detalhado, quase como um roteiro. Os movimentos financeiros de Felipe, suas interações recentes, mensagens suspeitas trocadas com Rayssa. Cada detalhe estava ali, organizado como peças de um quebra-cabeça que, quando montado, revelava a verdadeira extensão da traição deles.
— Você não acha que isso já é suficiente? — perguntei, olhando para ele.
— É o suficiente para começar — respondeu o Lobo, cruzando as mãos sobre a mesa. — Mas não para vencer.
Inclinei-me para frente, meus olhos fixos nos dele. — Então qual é o plano?
Ele sorriu de leve, o tipo de sorriso que dizia que ele já tinha pensado em tudo.
— Primeiro, precisamos colocá-los contra a parede. Felipe está ficando paranoico. Você viu como ele agiu depois da live? — Ele apontou para o tablet novamente. — Ele aumentou a vigilância sobre você, e Rayssa está ainda mais instável. Precisamos usar isso a nosso favor.
Engoli em seco, tentando processar. — E como exatamente fazemos isso?
Ele se inclinou, diminuindo o tom de voz. — Felipe já está ameaçado. Vamos intensificar. Um pequeno susto, algo que o tire da zona de conforto, mas que não o alerte completamente. Enquanto isso, Rayssa será seu ponto de entrada.
Minha mente começou a formular cenários. — Quer que eu me aproxime dela?
Ele assentiu. — Exatamente. Rayssa está emocionalmente vulnerável, e pessoas assim cometem erros quando pressionadas. Use isso. Marque um encontro, finja que quer reatar a amizade. Ela vai baixar a guarda, e você terá o que precisa.
Pensei por um momento, a ideia girando na minha mente como um motor prestes a pegar. — E Felipe?
— Felipe será tratado de outra forma. Ele já está obcecado pelo controle, então vamos tirar isso dele.
— Como?
O Lobo sorriu novamente, enigmático. — Você vai ver.
Naquela noite
Quando voltei para casa, sentia que algo estava errado. Abri a porta devagar, escaneando cada canto do meu apartamento. Nada parecia fora do lugar, mas havia uma sensação que eu não conseguia ignorar, como se estivesse sendo observada.
Liguei para o Lobo imediatamente.
— Carol? — ele atendeu no segundo toque.
— Acho que alguém esteve aqui.
Houve uma pausa do outro lado da linha antes de ele responder. — Felipe.
Minha respiração ficou mais pesada. — Como você sabe?
— Porque ele está desesperado. Ele sente que está perdendo o controle, e isso o faz agir de forma impulsiva.
Olhei ao redor novamente, tentando identificar algo fora do lugar. — O que eu faço?
— Fique calma. Não reaja. É isso que ele quer. Deixe que ele pense que você não percebeu.
— E se ele for mais longe?
— Ele irá. — A voz do Lobo era grave, quase como um aviso. — E é por isso que você precisa estar preparada.
Desliguei o telefone e me sentei no sofá, as palavras dele ecoando na minha mente. Estava claro que Felipe não pararia até que eu fosse completamente destruída. Mas ele não sabia que eu já estava três passos à frente.
Enquanto olhava para a janela, a cidade brilhando ao longe, uma sensação de determinação tomou conta de mim. Não importava o que viesse a seguir.
Eu estou pronta.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Reni Demetre
o que será que vai acontecer
2024-12-11
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