Os dias que se seguiram foram cheios de preparativos para o evento, e eu estava mais animada do que nunca em cada detalhe, cada conversa com os fornecedores, cada ajuste nas roupas e acessórios, tudo parecia perfeito. Mas no fundo, algo me incomodava, era como uma sombra que se arrastava atrás de mim, mas que eu preferia ignorar.
Eu estava tão focada no evento que decidi deixar as pequenas inquietações de lado.
Felipe continuava agindo de maneira estranha, ele estava sempre tão ocupado, mas sua ocupação parecia um pouco além do normal. Às vezes, ele ficava em silêncio por horas, como se estivesse se distanciando, ausente mesmo estando fisicamente presente, como se por algum motivo, sua mente estivesse em outro lugar.
Só não estava aqui no presente.
Eu queria questioná-lo.
Queria perguntar se algo estava errado, mas, ao mesmo tempo, eu sabia que ele sempre foi reservado quando se tratava de assuntos profissionais. Pensei comigo “ele está apenas estressado com a empresa”, dizia para mim mesma, eu tentava acreditar nisso.
A empresa dele estava indo mal, mesmo sendo uma parte minha nunca me importei muito com isso só entrei com o capital. Então sim ele precisava se concentrar, na empresa, mas mesmo assim, algo dentro de mim começava a perceber que talvez eu estivesse apenas me enganando, um pouco.
Até que um dia eu o vi um pouco desconfiado antes de ir trabalhar, com a aparência de um cachorrinho perdido.
E então, uma noite, eu o encontrei mexendo em um envelope que estava escondido entre seus papeis, não sou do tipo que invade o espaço de ninguém, mas algo me fez olhar. Ele rapidamente guardou o envelope assim que me viu, com um olhar que poderia ser confundido com preocupação, mas também com algo mais… Uma tentativa de disfarçar, talvez?
— O que era isso? — perguntei, tentando manter a calma, mas uma leve tensão na minha voz denunciava que eu não estava completamente tranquila.
Felipe me olhou por um momento, como se pudesse responder. Ele então sorriu e balançou a cabeça.
— Nada demais, apenas alguns documentos da empresa. Está tudo sob controle.
Eu não me senti convencida, algo naquele olhar, naquele movimento rápido, me dizia que havia algo mais. Mas, novamente, decidi não questionar mais, pois parecia tão certo de que estava me dizendo a verdade.
A noite estava calma, mas meu coração estava inquieto, não consegui dormir direito, como se algo estivesse me impedindo de relaxar. O evento estava chegando, e eu precisava estar no meu melhor, mas esse desconforto não ia embora.
No dia seguinte, quando fui até o brechó, encontrei uma pista que nunca imaginei que pudesse encontrar. Algo que, sem que eu soubesse, começaria a desvendar a verdade.
Havia um envelope aberto sobre o balcão, algo que não era comum, eu sabia que Felipe nunca deixaria algo assim por aí, especialmente porque ele sempre foi tão cuidadoso com seus papeis. No envelope, vi um pedaço de papel rasgado, e ao ler o que estava escrito, meu mundo virou de cabeça para baixo. Não sabia o que isso significava ainda, mas a sensação de que algo estava errado se solidificou.
A carta falava de um seguro de vida.
E de um nome: meu nome. Carol Villar Paixão
A princípio, não consegui processar.
Olhei para o papel, depois olhei em volta, como se esperasse que alguém aparecesse e me dissesse que aquilo era apenas uma coincidência, mas ninguém apareceu… Ninguém disse nada.
O que eu sabia era que algo estava acontecendo.
Algo que Felipe não me contou.
Algo que ele estava tentando esconder.
E nesse momento, percebi que minha vida perfeita, que eu achava estar vivendo, estava prestes a desmoronar.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Reni Demetre
Será que ele é amante da amiga
2024-12-07
2
Eliete Nonata
acho que ele vai tentar matar ela
2025-01-03
1