A manhã começou com o som da chuva batendo suavemente contra a janela do meu quarto. Levantei devagar, tentando ignorar a sensação de peso no peito que vinha me acompanhando há dias, cada passo até o banheiro era meticuloso, como se eu estivesse caminhando para a batalha, abro a torneira e deixo a água quente escorrer pelas mãos antes de lavar o rosto. Quando ergui os olhos para o espelho, vi uma nova versão de mim, não uma Carol vulnerável e apaixonada, mas uma Carol determinada, disposta a usar cada arma que tinha.
Desci as escadas e encontrei a gravador deixado pelo Lobo sobre a mesa da sala., peguei com todo um cuidado, observando como aquele pequeno dispositivo tinha o poder de mudar tudo , ou seja minha vida. Sentada no sofá, revisei mentalmente cada detalhe do plano,as palavras do Lobo ainda ecoavam na minha mente:
"Eles só caem quando se sentem no controle. Dê a eles essa ilusão."
Respirei fundo, peguei o celular e digitei uma mensagem para Rayssa:
Carol : “Rayssa, eu preciso te ver ainda hoje, podemos almoçar daqui a pouco? Estou sentindo sua falta e preciso de você e quero comer um docinho...”
A resposta veio em minutos:
Rayssa : “Claro, amiga! Que bom que me chamou. Vamos se vê ao meio-dia no restaurante de sempre?”
Fiquei olhando para a tela do celular por alguns segundos, sentindo uma mistura de nojo e colapso. Amiga? Como ela consegue dizer isso depois de tudo?
Cheguei ao restaurante 15 minutos antes do combinado, escolhe uma mesa próxima a uma janela grande, com vista para a rua movimentada. A luminosidade do dia nublado entrava pelas vidraças, refletindo nos talheres perfeitamente alinhados sobre a mesa, pedi um café enquanto esperava, o cheiro que eu amava de café, hoje parecia forte e não estava me ajudando a manter o foco.
Quando Rayssa chegou, percebo de longe a maneira exagerada como ela jogava os cabelos para trás, seus sapatos de salto ecoando no piso de madeira do restaurante. Ela estava usando um vestido vermelho justo, que parecia gritar por atenção, e um sorriso largo estampava seu rosto que estava na cara que era falso, me pergunto onde estava o meu subconsciente que não me alertou que ela era falsa?
—Carol! — Ela abriu um sorriso, —Hoje você tá radiante. Logo se jogou em cima de mim e me abraçou como se nada tivesse acontecido. O jeito dela chamar atenção.
Fingi um sorriso fraco. — Oi, Rayssa. Que bom que veio.
Ela sentou-se à minha frente, cruzando as pernas de forma teatral, e começou a falar sobre trivialidades. Falava de uma nova bolsa, logo depois de um homem que havia chamado para sair e de um salão de beleza que havia experimentado recentemente. Cada palavra era como um lembrete cruel do tipo de pessoa que ela realmente era: superficial e traiçoeira.
Esperei ela terminar de falar e soltei a isca. — Rayssa, posso te perguntar uma coisa?
Ela piscou, curiosa. — Claro, amiga. O que foi?
Inclinei-me progressivamente para frente, simulando vulnerabilidade. — Você acha que Felipe está... distante ultimamente?
Por um breve momento, vi uma sombra de surpresa em seus olhos, mas ela se recompôs rapidamente. — Distante? Ah, Carol, deve ser o trabalho. Ele tem tanto na cabeça.
— É, talvez seja isso. — Suspirei, fingindo desconforto. — Mas, sabe, eu fico com uma sensação estranha às vezes... como se ele estivesse escondendo algo de mim.
Ela deu uma risadinha nervosa. — Não diga isso! Felipe te ama. Você é tudo para ele.
Mentira.
Decidir ainda mais o cerco. — Rayssa, você é minha melhor amiga. Se você souber de algo, me contaria, não é?
Ela hesitou. A hesitação foi tudo que eu precisava.
— Claro, Carol. Sempre. — Mas sua voz não tinha a mesma confiança de antes.
Nessa hora, o esperado chegou com nossos pedidos, e o momento foi interrompido. Rayssa expressou-se aliviada, mas eu sabia que a pressão estava funcionando.
Enquanto almoçamos, continuamos a sondá-la, deixando pistas de que eu desconfiava de algo sem revelar o quanto eu já sabia. A certa altura, ela mordeu os lábios, visivelmente incomodada.
— Rayssa, você está bem? — Perguntei, com falsa preocupação.
— Estou, claro. Por que não estaria? — Ela respondeu rápido demais.
Quando terminamos o almoço, Rayssa pediu licença para ir ao banheiro. Assim que ela saiu, toquei no gravador escondido no bolso e verifiquei discretamente: ele estava funcionando perfeitamente.
Ao voltar, Rayssa parecia mais calma. Ela segurou minhas mãos por cima da mesa. — Carol, não deixe essas paranoias estragarem o que você tem com o Felipe. Você é forte, linda, bem-sucedida, ele tem sorte de ter você.
Engoli o ódio e forcei um sorriso. — Obrigada, Rayssa. Você tem razão.
Despedimo-nos com um abraço. Enquanto ela se afastava, sentia uma pontada de satisfação. Rayssa estava desconfortável, quase nervosa. Ela sabia que algo estava fora do lugar, e isso era exatamente o que eu queria.
Assim que entrei no carro, meu celular tocou. Era O Lobo.
— Como foi? — Ele disse direto.
— Ela está desconfiada, mas consegui algumas coisas. Ainda não é suficiente.
— Não se preocupe. Isso é só o começo. — Ele disse com calma. — Agora é a vez de Felipe.
À noite, como planejado, Felipe recebeu uma notificação de auditoria em sua empresa. Era falsa, clara, mas convincente o suficiente para colocar pressão sobre ele. Quando chegou em casa, encontrou-o no escritório, com a testa franzida e um copo de uísque na mão.
—Algum problema? — Perguntei, entrando com cautela.
Ele olhou para mim, tentando mascarar o nervosismo. — Nada que você precise se preocupar, Carol.
Sorri para ele, me aproximando. — Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe?
Ele beijou minha testa, como fazia quando me queria tranquilizar sem dar explicação. — Eu sei, meu amor, só estou cansado, na noite passada tive um sonho no qual você me deixava e isso fez eu não dormi, acredita nisso!
— Claro que eu nunca fazia isso. — Respondi com cautela
Subi para o quarto, mas fiquei espiando pela fresta da porta. Ele fez várias ligações, andando de um lado para o outro, tentando claramente resolver algo. A pressão estava funcionando.
Deitada na cama, fiquei olhando para o teto, meu coração batendo rápido. Rayssa e Felipe estavam se movendo como peões no meu tabuleiro, mas o jogo estava longe de terminar. Eu continuo jogando com cuidado.
Naquela noite, decidi que não seria mais uma vítima. Eu seria um caçador.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Dione Lopes
Isso mesmo jogue com eles deixem os dois fragilizados em seu jogos que eles mesmo preparam, agora é sua vez de agir.
2024-12-13
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