A noite estava pesada, o ar carregado como se anunciasse uma tempestade iminente. Dirigir até o brechó foi um ato quase automático, mas meu coração parecia disputar uma corrida contra o ponteiro do velocímetro. O som do motor era o único ruído no silêncio sufocante que me envolvia. Meu destino era claro, assim como meu objetivo: hoje, Felipe enfrentaria a verdade.
Ao chegar, estacionei o carro na entrada lateral. A fachada do brechó parecia a mesma de sempre, mas, para mim, aquele lugar tinha se transformado num campo de batalha. Antes de entrar, respirei fundo, ajustei meu blazer e me olhei pelo reflexo do vidro da vitrine. Eu estava impecável, uma armadura perfeita para esconder o turbilhão que fervilhava dentro de mim.
Já dentro do brechó, liguei apenas o abajur da sala dos fundos. A luz quente iluminava o espaço com uma atenção que contrastava com a tensão que dominava o ambiente. Arrumei a mesa: uma pilha de documentos, um gravador e, no centro, o envelope com as provas mais incriminadoras. Ao lado, deixei outro envelope, desta vez recheado com fotos. Meu trunfo final.
Enquanto esperava, a ansiedade tentava me dominar. Peguei o celular e enviei uma mensagem curta para O Lobo.
"Ele está vindo. Fique atento."
A resposta foi rápida:
"Sempre. Não faça nada impulsivo."
Eu sabia que ele estava por perto, mas mesmo assim a sensação de estar sozinha era esmagadora. Minutos depois, o som de pneus rangendo no asfalto interrompeu meus pensamentos. Ele havia chegado.
Felipe entrou no brechó com passos firmes, mas algo em sua postura me chamou a atenção. Ele parecia tenso, desconfiado, como um animal encurralado. Vestia sua melhor camisa social, como se quisesse disfarçar o caos que poderia estar prestes a enfrentar.
— Carol — ele começou, tentando subir com calma. — O que está acontecendo? Por que essa urgência?
— Sente-se — falei, apontando para a cadeira em frente à mesa.
Felipe hesitou, mas acabou obedecendo. Enquanto ele se acomodava, eu me mantive em pé, uma mesa elétrica como uma barreira entre nós. Peguei o envelope com as fotos e o deslizei em direção a ele.
— Abra.
Ele pegou o envelope com uma expressão de desconfiança. Ao retirar a primeira foto, sua mão tremeu progressivamente. Era uma imagem clara, sem margem para interpretações: ele e Rayssa na cama de um motel barato. Ele folheou as fotos lentamente, e a cada nova imagem, parecia perder um pouco mais de cor no rosto.
Quando chegou à última foto, ele olhou para mim. Seus olhos estavam vermelhos, como se as lágrimas estivessem prestes a cair.
— Isso... isso não é o que parece, Carol. UE...
Eu o interrompi com uma risada seca. — Não é o que parece? Felipe, você está literalmente na cama com ela. O que mais isso poderia ser?
Ele abaixou a cabeça, os ombros caíram. — Foi apenas uma vez. Eu... eu estava confuso, e ela...
— Apenas uma vez? — retruquei, inclinando-me sobre a mesa. — Então me explique, por favor, por que a lingerie dela muda de cor em várias fotos? De vermelho para preta, depois azul. Ou você quer que eu acredite que vocês estavam fazendo desfile de moda no meio da traição?
Ele finalmente chorou. Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ele tentava balbuciar algo.
— Eu... eu me arrependo, Carol. Não sei o que aconteceu. Eu estava perdido, mas eu te amo. Sempre te amei.
As palavras dele me atingiram como uma bofetada, mas mantive minha expressão firme. Por dentro, meu coração estava uma bagunça, mas não deixaria que ele percebesse.
— Você me ama? — querido, a voz relacionada ao sarcasmo. — E foi assim que você gostou de demonstrar? Eu estou treinando com uma pessoa que eu mais confio? Felipe, isso não é amor. Isso é egoísmo.
Ele estendeu a mão na minha direção, mas recuei, erguendo um dedo para ele.
— Não me toque. Não ouse sequer tentar me manipular. Você acha que as lágrimas vão mudar alguma coisa? Que desculpas esfarrapadas vão apagar o que você fez?
O silêncio entre nós era garantidor. Ele parecia ter sido escolhido na cadeira, um homem derrotado, mas eu sabia que não podia subestimá-lo. Felipe era como um animal ferido: imprevisível e perigoso.
— Carol, por favor... eu posso explicar. Podemos resolver isso.
Eu cruzei os braços e encarei com frieza. – Resolvedor? Você quer resolver o quê, Felipe? Porque, para mim, está tudo muito claro. Você me tentou destruir. Você me traiu, me humilhou e ainda planejou lucrar com a minha morte. A única coisa que vamos resolver aqui é como você vai pagar por tudo isso.
Ele se falou abruptamente, a cadeira caindo para trás com o movimento. — Você não entende! Eu estava sob pressão. A empresa, as dívidas... eu não sabia o que fazer.
— Achei que a melhor solução era me matar? — queria, minha voz subindo. — Você é patético, Felipe.
Ele ficou em silêncio, os punhos cerrados ao lado do corpo. Pela primeira vez, senti um leve medo, mas não deixei transparecer.
— Agora é minha vez de jogar — continuei, pegando o gravador e apertando o play. A voz de Rayssa ecoou pelo ambiente, revelando detalhes sórdidos do plano que ambos foram arquitetados.
Felipe parecia em choque, os olhos arregalados enquanto ouvia cada palavra. Quando a gravação terminou, ele olhou para mim, desesperado.
— Carol, você não pode usar isso contra mim. Você... você não sabe com quem está lidando.
Eu sorri, um sorriso frio que nem eu reconheci. — Não sei com quem estou lidando? Felipe, eu sou uma mulher que você subestimou. A mulher que você traiu e tentou destruir. E agora, sou uma mulher que vai acabar com você.
Ele deu um passo na minha direção, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a porta do brechó se abriu. O Lobo entrou, presença sua dominando o ambiente. Ele vestia preto da cabeça aos pés, como sempre, e seus olhos brilharam com uma mistura de desafio e proteção.
— Acho que a conversa acabou, Felipe — disse O Lobo, a voz baixa, mas cheia de autoridade.
Felipe olhou de mim para ele, confuso e assustado. Sabia que o jogo havia mudado, e desta vez, eu tinha as cartas vencedoras. O medo nos olhos dele foi a confirmação de que, finalmente, eu estava no controle. O jogo havia virado, e eu estava pronto para vencer.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Dione Lopes
Faço a mesma pergunta Reni quem é esse lobo o que ele tem a ver com o Felipe.
2024-12-13
1
Reni Demetre
afinal quem e esse lobo, pq o Filipe conhece ele
2024-12-11
1