O silêncio do brechó parecia mais pesado do que nunca. Após o confronto da noite anterior, Felipe havia desaparecido por algumas horas, mas agora ele estava de volta, mais sombrio, mais venenoso, como um predador encurralado que escolhe atacar em vez de fugir.
Ele estava diante de mim, sua postura rígida, o rosto contorcido por uma mistura de raiva e desprezo. Por um momento, pensei que ele fosse sofrer em desculpas ou até mesmo implorar, mas as primeiras palavras que saíram de sua boca foram como veneno puro.
— Sabe, Carol, olhando para você agora, finalmente entendi por que nunca senti nada de verdade.
Meu corpo congelou. Minhas mãos, que descansavam sobre a mesa, tremeram levemente, mas me recusei a dar a ele o prazer de saber que suas palavras me atingiram.
— Você era conveniente. Só isso.
Ele deu um passo à frente, simplificando o espaço entre nós, seus olhos fixos nos meus, cruzeiros e cálculos.
— Quando você estudou na faculdade, todo o mundo disse o quão sortudo eu era. Mas sabe o que eu pensei? — Ele inclinou a cabeça, um sorriso frio curvando seus lábios. — Que sorte nada. Você foi a oportunidade perfeita. Uma garota doce, ingênua, com um sorriso que gritava "preciso de um homem para me completar".
As palavras atingiram meu peito como um soco. Eu me senti nova diante dele, exposta de uma forma que nunca tinha imaginado.
— Você era tão desesperada por amor, tão carente... — Ele riu, um som seco e sem vida. — Eu só preciso aparecer no momento certo, dizer as coisas certas. Você me deu tudo sem que eu nem precisasse pedir.
— Chega, Felipe — murmurei, minha voz falhando. Mas ele continuou, ignorando completamente a minha súplica.
– Ah, não, Carol. Você queria a verdade, então aqui está. Desde o começo, eu sabia que você era frágil. Com aquele dinheiro todo e essa sua vontade de provar ao mundo que era forte... Era óbvio que tudo o que você precisava era de alguém que te mostrasse manipular.
As lágrimas caem no cair, quentes e silenciosas. Eu queria detê-las, mas era impossível. Cada palavra dele era como uma faca sendo cravada no meu coração.
— E sabe o que mais? — Ele se mudou ainda mais, a voz baixa e carregada de desprezo. — Eu sempre soube que você não era nada especial. Comparada às mulheres que já tiveram... — Ele fez uma pausa, me avaliando de cima a baixo com um olhar cruel. — Você é mediano, no máximo.
Eu fechei os olhos por um momento, tentando conter o nó que se formava na minha garganta. Mas ele não parava.
— Se eu fiquei tanto tempo com você, foi porque era confortável. Você bancava tudo, e era óbvio que eu poderia fazer o que queria que você nunca percebesse. Você sempre foi cega, Carol. Uma bobinha que acreditava no conto de fadas.
A raiva começou a subir dentro de mim, mas estava misturada com uma dor tão profunda que quase me paralisava. Abri os olhos e o encarei, minhas mãos cerradas em punhos ao meu lado.
— Por que você está fazendo isso? — querido, a voz embargada.
Ele riu novamente, um som cheio de desdém. — Porque você precisa entender quem você realmente é. E você sabe o que mais? No fundo, você sabe que estou certo.
Minhas lágrimas agora corriam livremente, mas elas não eram apenas de tristeza. Elas carregavam frustração, raiva, humilhação. Cada palavra dele estava quebrando algo dentro de mim, mas ao mesmo tempo, estava acendendo uma chama.
— Você acha que vai sair disso como uma grande vencedora? — Ele balançou a cabeça. — Ninguém vai te levar a sério, Carol. Você pode ter dinheiro, seguidores, fama... mas isso não muda quem você é de verdade. Uma mulher frágil que precisa de validação.
Eu respirei fundo, tentando encontrar forças dentro de mim. Ele tinha razão sobre uma coisa: eu era frágil, mas não era apenas isso. Ele poderia tentar me destruir com suas palavras, mas não deixaria que ele fosse a voz final na minha história.
— Acabou, Felipe — murmurei, a voz baixa, mas firme.
Ele riu mais uma vez, como se minhas palavras não precisassem de peso algum. — Acaba? Carol, você nem começou a entender o que está perdendo.
Eu o encarei, minhas lágrimas secando aos poucos enquanto uma nova determinação tomava conta de mim. Ele poderia me machucar, me humilhar, mas não poderia me tirar o controle do que vinha a seguir.
— Talvez você tenha razão, Felipe — falei, minha voz recuperando a força. — Talvez eu tenha sido frágil, ingênua, cega. Mas você sabe o que isso significa? Que agora eu sei o que preciso mudar. Você não vai mais me manipular, não vai mais usar minha dor contra mim.
Ele estreitou os olhos, como se finalmente percebesse que algo havia mudado. Mas antes que ele pudesse responder, eu me virei e deixei a sala, o som dos meus passos ecoando pelo espaço vazio.
Eu não sabia exatamente o que viria a seguir, mas sabia de uma coisa: nunca mais permitiria que ele me quebrasse. Suas palavras poderiam ter sido facas, mas elas também foram o combustível que eu precisava para me reconstruir. E dessa vez, eu seria inquebrável.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Dione Lopes
Cara nojento as vezes a carência ver amor onde não há. Agora que comece os jogos porque está apenas começando.
2024-12-13
1
Reni Demetre
Será que mesmo assim ele vai tentar algo contra ela?
2024-12-11
1