O som das notificações no celular me despertou. Era cedo, mas minha agenda já parecia cheia antes mesmo de sair da cama. Olhai para a tela: centenas de mensagens e comentários explodindo nas redes sociais. Meu anúncio sobre uma live especial gerou mais repercussão do que eu esperava. Talvez fosse o tom enigmático que usei, ou apenas uma curiosidade dos meus seguidores, que sempre ansiavam por algo mais pessoal.
Levantei-me devagar, sentindo o peso dos últimos dias, mas determinado a transformar cada pequeno momento em uma arma contra Felipe e Rayssa. No espelho do banheiro, observei meu reflexo. Ainda havia traços daquela Carol otimista e apaixonada, mas agora eles estavam confusos com algo mais sombrio: uma determinação calculada.
Escolhe minha roupa com cuidado. Optei por uma blusa branca de seda, com mangas leves e elegantes, e uma calça de alfaiataria em tom pastel. Queria parecer confiante, mas acessível, mantendo a imagem que meus seguidores amavam. Finalizei com um batom vermelho, o símbolo da minha força e resiliência.
No brechó, minha equipe já estava nos postos, organizando as peças que apareceriam ao fundo da live. Meu cenário era parte da minha estratégia. Vestidos de grife, blazers impecáveis e acessórios criaram um fundo visualmente atraente, mas não chamativo o suficiente para desviar a atenção de mim.
— Tudo pronto, Carol? — perguntou Gisele, uma das minhas funcionárias mais confiáveis.
Assenti, ajustando a câmera no tripé. — Quero que fique perfeito. Hoje, mais do que nunca, preciso que a mensagem alcance todos.
Ela me olhou com curiosidade, mas não disse mais nada. Apenas confiei em mim, como sempre.
A live começou pontualmente às 10 horas. Assim que apertei o botão para iniciar, meu rosto apareceu na tela do celular, e os comentários começaram a rolar rapidamente.
— Bom dia, meus amores! — abri com meu sorriso característico, aquele que parecia convidar todo o mundo para uma conversa íntima. — Como vocês estão hoje?
As mensagens explodiram: “Linda como sempre!” , “Carol, você amo!” , “Ansiosa para as dicas de moda!” . Eu li um pouco em voz alta, rindo e agradecendo. Era sempre assim, uma mistura de calor humano e admiração que me fazia sentir conectado a cada um deles.
— Hoje, quero fazer algo diferente — continuei, inclinando-me levemente para frente, como se estivesse falando diretamente com cada pessoa do outro lado da tela. — Vou responder às perguntas mais sinceras de vocês. Quero que sejamos vulneráveis, que conversemos como amigas.
Os comentários duplicaram, e eu já pude ver perguntas surgindo na tela. A maioria era sobre moda, como de costume. Respondi a algumas, falando sobre tendências, dicas de estilo e até os bastidores do meu brechó. Era natural para mim, mas estava apenas esquentando.
E então, ela apareceu:
Seguidora: "Carol, você aceitou uma traição? Você acredita em perdão nesses casos?"
Li a pergunta em voz alta, sentindo meu sorriso diminuindo gradualmente. Respirei fundo, deixando a câmera captar minha hesitação. Era um momento calculado, mas necessário.
— Essa é uma ótima pergunta... — comecei, trabalhando diretamente para a câmera, como se estivesse conversando com uma amiga íntima. — Traição, para mim, é uma das maiores quebras de confiança que podem existir em um relacionamento.
Fiz uma pausa, permitindo que minhas palavras fossem absorvidas. Meu tom mudou, tornando-se mais introspectivo.
— Sabe, eu sempre acreditoi no amor. Sempre achei que quando você constrói algo com alguém, esse algo é sagrado. — Sorri de leve, mas havia uma tristeza em meus olhos. — Mas também acredito que há coisas que não podemos aceitar.
Os comentários dispararam: “Isso mesmo!” , “Você merece respeito!” , “Já passei por isso, dói demais!” . Eu li alguns em voz alta, criando um diálogo direto com os seguidores.
— E sabe o que fez mais em uma traição? — continuei, inclinando-me um pouco mais para a câmera. — Não é só o ato em si. É a sensação de que uma pessoa não valorizou tudo o que você fez, tudo o que você sacrificou.
Minha voz sincera levemente no final, como se uma emoção naturalmente estivesse escapando. Era um toque sutil, mas poderoso.
Os comentários não paravam de chegar. Muitas compartilharam histórias pessoais, criando uma corrente de apoio mútuo na seção de mensagens. Eu sinto muito, lendo algumas, sentindo-me conectado com aquelas pessoas que, sem saber, faziam parte do meu plano.
A live contínua, desviando para perguntas mais leves, mas eu sabia que já havia deixado minha marca. A mensagem foi enviada, e Felipe e Rayssa certamente entenderiam.
Do outro lado da cidade, Felipe estava em seu escritório, com o celular sobre a mesa. A live de Carol ainda passando na tela, e ele assistia em silêncio, seus olhos estreitos e sua mandíbula travada.
— Ela está me desafiando... — murmurou, mais para si mesmo do que para Rayssa, que estava sentada no sofá, mexendo distraidamente no celular.
— Está exagerando, Felipe. Ela só está jogando palavras no ar.
— Não, Rayssa. Isso foi um aviso. Ela sabe de alguma coisa.
— Mesmo que você saiba, ninguém vai acreditar. Ela é apenas uma influenciadora.
Felipe a encarou, irritado. — Influenciadora ou não, ela tem poder. O público dela adora histórias como essa. Se ela começar a expor, vamos perder antes mesmo de agir.
Rayssa riu, debochada. — Então faça algo antes que ela faça.
As palavras ficaram no ar, e um silêncio pesado tomou conta da sala. Felipe passou as mãos pelos cabelos, visivelmente frustrado. Mas, nos olhos dele, uma decisão sombria começou a se formar.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Reni Demetre
qual será essa decisão
2024-12-11
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