Chris olhou fixamente para Roxanna, seus olhos transmitindo uma mistura de seriedade e preocupação. A sala estava cheia de murmúrios, mas, naquele momento, tudo parecia silenciar ao redor deles.
Ele se aproximou um pouco mais, como se quisesse garantir que ela realmente prestasse atenção em suas palavras.
— Você, venha até o meu escritório. - Ele disse, com uma firmeza que não deixava espaço para negativas.
Roxanna sentiu um frio na barriga, mas não teve escolha a não ser segui-lo em silêncio, seu coração acelerando a cada passo.
Eles saíram do salão, deixando as pessoas ainda comentando em voz baixa. Roxanna podia sentir o calor subindo em seu rosto, uma mistura de vergonha e medo. Ela seguiu Chris em silêncio pelos corredores, passando pelos funcionários que lançavam olhares curiosos em sua direção.
Quando chegaram à porta do escritório, Chris a abriu com um gesto amplo, permitindo que ela entrasse primeiro. Assim que a porta se fechou atrás deles, ele virou-se para ela e lançou a pergunta que ecoava em sua mente.
— Porque não se defendeu? - A voz dele tinha um tom de frustração contida.
Roxanna hesitou por um momento antes de responder.
A situação era delicada e seu orgulho estava em jogo.
— Como eu poderia me defender com a prova no meu quarto? Eu te garanto que eu não... — começou a falar, mas Chris ergueu a mão, interrompendo-a.
— Eu não a chamei aqui para você se explicar. Eu disse, eu acredito em você. Mas tenho algo que eu detesto aqui: injustiças. E também queria que você fosse mais forte. Você está grávida. Como acha que vai criar um bebê sendo tão mole?
A frase pegou Roxanna de surpresa.
O tom dele transparecia uma preocupação genuína, mas também uma crítica que ela não estava disposta a aceitar.
— Isso é um problema meu, não concorda? - Respondeu ela, com uma firmeza que tentava esconder o desconforto crescente: — Nem todo mundo tem a felicidade de ter alguém para ajudá-la.
Chris fez uma pausa e então disse:
— O orgulho também é uma ponte que se quebra fácil. Acho que com a maternidade, você deveria começar a parar de deixar todo mundo pisar em você. Como pretende proteger seu bebê quando o pai aparecer? Aliás, porque ele fugiu?
Roxanna o encarou com intensidade, sentindo sua raiva crescer.
— Você me contratou e sou grata por tudo, mas minha vida pessoal não diz respeito a você.
Chris assentiu lentamente antes de lançar uma nova provocação:
— O mesmo se aplica a mim quando mentiu sobre não estar ontem à noite no meu escritório?
Ele caminhou até uma estante próxima, buscando algo entre as prateleiras cheias de livros e objetos de arte.
Enquanto Roxanna tentava processar suas palavras, Chris virou-se e apontou um controle remoto para a TV de grande tela que dominava uma das paredes do escritório.
Com um clique, as imagens apareceram na tela: Roxanna limpando a sala e ajudando Chris a deitar no sofá.
Ela ficou sem palavras, pois não sabia que havia uma câmera no escritório.
O rubor tomou conta de seu rosto enquanto as palavras escapavam dela.
— Não minta mais pra mim. Eu odeio mentiras. - Disse Chris com uma voz grave.
Ela se virou rapidamente:
— Não menti, só omiti.
— É o mesmo. - Retrucou ele com firmeza: — Agora volte ao seu trabalho.
Roxanna bufou, furiosa e envergonhada ao mesmo tempo.
Ao sair do escritório, fechou a porta com tanta força que as paredes tremeram levemente.
Chris observou-a sorrindo da cena; havia algo nela quando estava brava que o atraía inexplicavelmente.
Roxanna sentiu uma onda de irritação enquanto caminhava de volta ao salão, murmurando baixinho:
— Chefe idiota! Tão bonito, mas idiota.
Ela estava brava com a maneira como Chris havia se intrometido em sua vida pessoal, e como ele a fazia sentir vulnerável e exposta.
Quando ela estava quase no final do corredor, uma voz feminina a fez parar.
— Está falando de quem, Adie? - Era a moça que a havia defendido na discussão com Lucy.
Roxanna ficou sem palavras, sentindo-se pega em flagrante.
A moça sorriu, aparentemente divertida com a situação.
— Não se preocupe. - Ela disse: — Eu sei que você estava falando do nosso chefe. Ele parece ter esse efeito em muitas pessoas. Mas ninguém nunca disse que ele era bonito e idiota ao mesmo tempo. - Ela riu.
Roxanna sentiu uma onda de alívio, mas ainda assim estava constrangida.
— Desculpe, eu não deveria ter dito isso. - Ela disse: — É que ele me deixou brava e...
A moça a interrompeu com uma risada.
— Não precisa explicar. - Ela disse: — Eu compreendo. E, além disso, eu acho que você não está errada. Ele é bonito, não bonito, não, ele é um anjo perfeito...e idiota às vezes.
Roxanna soltou uma risada nervosa, ainda um pouco envergonhada, mas também aliviada por não ter sido a única a pensar assim. Ela olhou para a moça e perguntou:
— Você trabalha quanto tempo aqui?
A moça sorriu.
— Primeiro... Meu nome é Diana. - Ela disse: — Eu trabalho para ele desde que ele iniciou aqui. Ele passou por muita coisa para estar onde estamos hoje. Eu sei que ele pode ser complicado às vezes, mas ele tem um bom coração.
Roxanna olhou para Diana, percebendo que ela sabia muito mais sobre Chris do que ela.
— Eu acho que você tem razão. - Ela disse: — Ele me defendeu hoje, e eu sou grata por isso. Mas às vezes, ele pode ser..
— Idiota? - Diana completou com um sorriso malicioso.
Roxanna riu, sentindo-se mais à vontade com Diana.
— Sim, exatamente.
As duas mulheres conversaram um pouco mais antes de voltarem aos seus trabalhos.
Roxanna sentia que havia feito uma nova amiga, e que talvez Chris não fosse tão ruim assim, apesar de suas atitudes às vezes confusas e irritantes.
............
Durante o evento no restaurante, a atmosfera estava eletricamente carregada. Chris se dedicava a ajudar os funcionários a lidar com os repórteres na coletiva de imprensa, seu olhar atento e sua postura protetora revelavam o quanto ele queria que tudo saísse perfeito.
Enquanto isso, Roxanna se movia entre as mesas, servindo sucos e pequenas porções de comida para os jornalistas. A adrenalina do momento misturava-se com a tensão que ela sentia ao estar perto de Chris.
Em um momento de necessidade, ela precisou buscar mais suco na sala de suprimentos. Ao abrir a porta, porém, algo a fez hesitar. Chris estava na varanda, pressionando as têmporas com os olhos fechados, claramente lutando contra uma dor de cabeça.
Um impulso de preocupação tomou conta dela e, sem pensar duas vezes, Roxanna fechou a porta da sala de suprimentos e se aproximou dele.
— Deveria descansar. É nítido que está com dor de cabeça. O comprimido não resolveu? - Disse ela, sua voz suave quebrando o silêncio do ambiente.
Chris virou-se rapidamente, tentando forçar um sorriso.
— Estou bem. Ele demora a fazer efeito. - Respondeu ele, mas a expressão em seu rosto dizia o contrário.
Roxanna não se deixou enganar.
— O orgulho também é uma ponte que se quebra fácil. - Ela falou, usando a frase que ele havia dito a ela antes.
A surpresa iluminou os olhos dele por um momento.
Ele sorriu lentamente, como se estivesse admirando uma nova faceta dela.
— Quem realmente é você, Roxanna Rasmussen? - Questionou ele, intrigado.
Num gesto quase involuntário e sem perceber a intimidade crescente entre eles, Roxanna colocou as mãos sobre os lábios dele e olhou ao redor como se quisesse garantir que ninguém os estava observando.
— Shiii! Por favor, não diga meu nome verdadeiro. Me chame de Adie aqui. - Sussurrou ela.
Chris sentiu o perfume doce dela invadir seus sentidos; seu coração deu um salto.
Instintivamente, suas mãos deslizaram para envolver a cintura fina dela, provocando um arrepio que percorreu todo o corpo de Roxanna.
Ela percebeu que ainda mantinha as mãos nos lábios dele e rapidamente recuou, corando ao perceber a proximidade.
— Eu não sou tão irresistível ao ponto de você querer me beijar. - Ele brincou, tentando aliviar a tensão no ar.
Ela revirou os olhos em resposta e disse:
— Não. Não é. E vá descansar.
Então, sem olhar para trás, saiu da varanda apressada em busca de mais mantimentos.
Chris ficou ali por um momento, sorrindo mesmo com a dor de cabeça pulsante.
"Talvez fosse melhor eu realmente descansar," pensou enquanto fechava os olhos por um instante.
Mas mesmo na escuridão atrás das pálpebras, ele não conseguia afastar a imagem do rosto próximo de Roxanna e da suavidade da pele dela contra seus dedos.
"Você ama Aurora, Chris. Aurora!" Uma voz interna ecoava em sua mente. "Roxanna logo vai te deixar também como tantas outras funcionárias. Não alimente nada."
Era uma luta interna feroz; ele sabia que sua lealdade deveria estar com Aurora — mas algo em Roxanna o atraía de uma maneira que ele nunca havia experimentado antes.
A confusão tomou conta dele enquanto tentava reprimir qualquer sentimento por Roxanna.
"É Aurora que você ama," repetiu para si mesmo como um mantra na tentativa frustrada de afastar essa nova conexão que parecia florescer entre eles naquela varanda iluminada pela luz suave do entardecer.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Claudia Oliveira
Ela não merece ser a segunda opção novamente, não quero que ela se envolva com ele e depois essa Aurora voltar ele fazer o mesmo que o otario do Alessandro, ela merecia um homem que não tivesse um passado se amor com outra mulher
2025-02-17
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Eliene Lopes
ela não pode ser a segunda opção novamente e tem mais não deixe o cris gostar dela e depois lá na frente ele sofra porq ela resolve roltar com o traste lá
2025-03-14
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Cleudia Teixeira
já li muitos livros que a mulher é humilhada pelo marido e mandada embora depois aceita de volta.espero que esse seja diferente
2025-01-25
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