Enquanto isso, Roxanna enfrentava uma realidade brutal e solitária.
A nova cidade parecia um labirinto de desespero. Grávida e sem dinheiro, ela se viu forçada a dormir em becos escuros, onde o frio da noite penetrava em seus ossos.
Como o seu dinheiro havia acabado e Alessandro cancelou as suas contas, ela estava sem nada.
As refeições eram escassas.
A lembrança do banquete na mansão de Alessandro era algo distante e doloroso; aquele lar, que deveria ser um refúgio, agora era apenas um símbolo da humilhação que decidira não suportar.
Trabalhar ao lado da amante dele seria uma afronta ainda maior à sua dignidade.
Mas ela precisava continuar agindo assim para não perceberem nada sobre ela ou seu passado e futuro.
Roxanna, perdida em seus pensamentos, recuou em seu passado, relembrando as palavras do seu pai:
"Para você aceitar o que lhe pertence, você precisará passar por sofrimento, humilhações e dor. Situações extremas que lhe darão a força necessária para enfrentar o que está por vir. Deve morar na rua para aprender na dor a ser forte. Porque o que te espera, deve ser aceito por alguém que aprende na dor a ser forte."
Seu rosto se contorceu em uma expressão de tristeza e frustração, enquanto as memórias surgiam na superfície de sua mente, trazendo consigo uma onda de emoções conflitantes.
Ela lembrava com clareza quando Alessandro havia ordenado uma investigação sobre ela, uma ameaça à sua própria segurança e à reputação do seu falecido pai.
Se ele descobrisse quem ela era, Roxanna estaria perdida.
Roxanna soube que para proteger seu legado e sua própria vida, teria que tomar medidas drásticas.
Então, ela optou por morar nas ruas por um período, deixando para trás a vida confortável e segura a que estava acostumada.
Cada dia, ela encarava a pobreza e a miséria à sua volta, um constante lembrete dos sacrifícios que estava disposta a fazer para proteger seu bebê.
Quando os dias se transformaram em noites, ela aprendeu a ser forte e resiliente, enfrentando as dificuldades e lutando por sobrevivência. O medo e a solidão tornaram-se seus companheiros constantes, e Roxanna viu seu espírito se fortalecendo, tal como seu pai havia predito.
Lembrando do passado, seus olhos se iluminaram com a determinação de honrar a memória de seu pai e lutar pelo futuro que ambos sonharam.
Embora seus músculos doíam e seu coração ainda sangrasse pela do seu pai, Roxanna ergueu-se, deixando para trás a fraqueza e a tristeza.
Sua pele adquiriu uma tez mais rígida, tal como uma armadura protetora, enquanto ela se preparava para enfrentar o mundo com força e determinação.
Ela sabia que o destino lhe reservava um desafio ainda maior, e, agora mais do que nunca, estava decidida a enfrentá-lo com toda a coragem que tinha acumulado em sua jornada até ali.
A chuva começou a cair forte em uma noite cinzenta, as gotas pesadas batendo no chão como se o céu estivesse chorando por ela.
Era hora de voltar a realidade que a aguardava.
O tempo de teste como moradora de rua já havia passado.
Ela sentiu o frio da água encharcando as suas roupas e decidiu correr em busca de abrigo, sem perceber que atravessava a rua sem olhar.
Um carro a aguardava do outro lado da pista.
Vários homens prontos para recebê-la.
O som das gotas caindo era ensurdecedor, abafando qualquer ruído ao seu redor.
Do outro lado da rua, um homem acabara de desligar uma chamada irritante. Ele estava frustrado com a sua funcionária, que havia pedido demissão porque se apaixonara por ele.
Ele não misturava trabalho com relações pessoais e se sentia preso entre as expectativas dela e suas próprias convicções profissionais. Em meio à sua frustração, ele fechou os olhos por um momento para respirar fundo e acalmar-se.
Foi nesse instante que ele viu Roxanna atravessando a rua. O tempo pareceu desacelerar quando ele percebeu que não havia como evitar o impacto.
Ele pisou no freio com todas as suas forças, mas não foi rápido o suficiente. O choque foi inevitável; Roxanna caiu ao chão inconsciente sob a chuva torrencial.
Desesperado, ele saiu do carro em meio ao dilúvio, seu coração acelerado pela adrenalina e pelo medo.
— Que diabos!? - Ele exclamou ao ver a mulher caída na calçada deserta.
Era uma noite estranha; ninguém mais estava por perto para testemunhar o acidente. Ele se aproximou rapidamente dela, notando que a sua aparência era de alguém que havia enfrentado dificuldades extremas.
Ele observou que ela é muito bonita, embora aparentemente magra e pálida. Acreditou que ela fosse uma moradora de rua, mas não se importou com sua aparência ou situação.
Embora estivesse em estado de choque, ele não hesitou ao erguer Roxanna nos braços e colocá-la no banco do passageiro do seu Fiat Mob preto.
Cobrindo-a com seu moletom para protegê-la do frio da chuva, ele entrou no carro apressadamente e ligou o motor, acelerando em direção ao hospital mais próximo.
O carro que a aguardava partiu quando viu que o homem havia sido gentil com ela.
Enquanto isso, Roxanna estava mergulhada em um estado de inconsciência, lutando contra a fraqueza causada pela fome e pelo cansaço extremo.
O acidente foi apenas mais um obstáculo em sua vida já marcada por desafios imensos. Ela não sabia quem era aquele homem que agora corria para salvá-la; tudo o que sentia era a escuridão envolvendo-a lentamente enquanto sua vida pendia entre duas realidades.
Minutos depois, quando o motorista chegou ao hospital, o seu coração estava acelerado.
Ele estacionou rapidamente e saiu do carro, chamando desesperadamente por ajuda. Vários socorristas correram em sua direção, prontos para agir. Um dos médicos se aproximou e perguntou:
— O que aconteceu com ela?
O motorista, com a voz trêmula, contou a verdade sobre o acidente e ofereceu-se para pagar todas as despesas, desde que a jovem mulher ficasse bem.
O médico assentiu, demonstrando compreensão, e levou Roxanna em uma maca, enquanto orientava o motorista a ir até a recepção para cuidar do pagamento.
Enquanto isso, Roxanna era levada para a sala de emergência, onde as luzes vermelhas começaram a piscar. O motorista ficou na sala de espera, ansioso e atormentado por sua culpa. Ele se sentia responsável pelo acidente; se tivesse prestado mais atenção, poderia ter evitado tudo isso.
Horas se passaram até que o médico saiu da sala, removendo a touca e se aproximando do motorista.
— Ela não tem familiares? - Perguntou o médico.
O motorista respondeu:
— Não faço ideia. Ela não tem documentos. Mas como eu fui responsável pelo acidente... - O médico então começou a conversar com ele, tentando acalmá-lo.
..........
Finalmente, na manhã seguinte, Roxanna despertou com um forte cheiro de desinfetante e seus olhos se adaptando à luz intensa. Foi quando ouviu uma voz doce e suave:
— Você despertou.
Ela virou o rosto e viu o belo homem ao seu lado. Seu cabelo estava desgrenhado e os sinais de cansaço mostravam que ele não havia dormido bem. Mas isso não tirava sua beleza.
Roxanna franziu o cenho e abriu a boca para perguntar algo, mas ele foi mais rápido:
— Me desculpe, senhorita. Eu atropelei você e lhe trouxe aqui. Se desejar prestar uma queixa contra mim, não vou fugir.
Ela arregalou os olhos e murmurou:
— Água.
O homem assentiu e gentilmente levantou um copo d'água, ajudando-a a beber. Aquela foi a primeira vez em anos que alguém demonstrou gentileza por ela.
A lembrança dos dias em que Alessandro nunca foi gentil fez suas emoções transbordarem, e ela chorou.
O motorista interpretou as suas lágrimas como medo e disse:
— Quer que eu saia? Ou se desejar, posso ligar para a polícia.
Mas Roxanna negou rapidamente:
— Não. Desculpa, é que eu... Não, eu não vou culpar você. Eu também atravessei a rua sem olhar. A culpa foi minha. Eu danifiquei seu carro?
Ele respondeu:
— Está tudo bem. Não se preocupe; é só lataria.
Roxanna tocou instintivamente no abdômen antes de perguntar algo que lhe inquietava. O homem percebeu sua preocupação e disse:
— Seu bebê está bem. O acidente não afetou você e nem o bebê. Foi apenas alguns arranhões no seu braço.
Ela ficou envergonhada com o comentário e as suas bochechas coraram. Percebendo isso, ele perguntou:
— Quer que eu ligue para o seu namorado ou marido?
Ela negou com ressentimento:
— Ele não quis a gente. Somos só eu e esse bebê agora.
Chris ficou surpreso com sua resposta. Após um silêncio constrangedor, ele perguntou:
— Você mora onde?
Roxanna desviou os olhos enquanto tocava no abdômen e respondeu negativamente.
Ele pensou um pouco e depois continuou:
— Você gostaria de trabalhar no meu bar restaurante e ter um quarto com comida? Assim você pode sair das ruas com um bebê a caminho.
Roxanna olhou para ele desconfiada:
— O que quer em troca?
Chris não hesitou em responder:
— Seus serviços como garçonete e atendente. Pelo menos até sua barriga crescer.
— Eu me chamo Chris. - Disse ele com um sorriso sincero deixando evidente suas covinhas.
Ela o encarou por alguns minutos antes de perguntar:
— Por que está sendo gentil comigo? Você nem me conhece.
Chris respondeu suavemente:
— Porque eu vejo que você precisa de ajuda. Por que recusar quando você precisa? E lembre-se do bebê; ele precisa estar saudável até o nascimento e precisa de cuidados médicos. Já cuidei disso.
Roxanna ouviu atentamente enquanto ele continuava:
— A partir de agora, você terá acompanhamento com uma obstetra e uma doula. Em troca, você pode me pagar com seus serviços no trabalho ou em dinheiro parcelado; porque eu vi que é orgulhosa demais para aceitar as coisas de graça.
Ela retrucou:
— Ninguém no mundo ajuda desconhecidos sem benefícios.
Chris sorriu mostrando suas covinhas e disse:
— Que bom que eu não sou todo mundo.
Ela o encarou pensativa.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Verônica Maria
não entendi nada, não foi dito que do outro lado da rua um carro e uma quantidade de homens vestidos de preto a esperava
2025-02-18
20
Andréa Debossan
O que eu perdi gente? Quem era o outro carro e a quantidades de homens e o que ela quis dizer com que se Alessandro descobrisse quem ela realmente era?E esse gato aí? Aceitava rapidinho o emprego
2025-03-23
1
Vanusa Crispim Da Silva
eu acho que o pai dela era um mafioso , porque ela falou que não queria que Alexandre descobrisse o seu passado e agora aparece o carro com homens vestidos de preto
2025-02-25
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