Quando Chris finalmente levantou-se do sofá, o seu rosto estava pálido e a sua voz ainda um pouco embargada pela ressaca.
— Que horas são? - Ele perguntou, tentando se orientar no tempo e no espaço.
Roxanna olhou para o relógio e respondeu:
— Quase meio-dia. - Ela podia perceber o forte cheiro de álcool emanando dele, que começou a deixá-la nauseada.
Sem poder evitar, ela correu para o banheiro e vomitou, sentindo-se abalada pelo odor penetrante.
Inesperadamente, ela sentiu uma presença atrás de si e, ao olhar para cima, viu Chris segurando o seu cabelo, preocupado.
— Você comeu algo que não deveria? Lembre que o médico disse para evitar gordura e fritura. - Ele falou com a voz rouca.
Ela se aproximou da pia, onde um espelho refletia seu semblante cansado. Com um movimento rápido, limpou a boca com um lenço, sentindo-se um pouco mais fresca. Em seguida, ligou a torneira e deixou que a água morna escorresse por suas mãos antes de levá-las ao rosto, lavando-a.
— Você bebeu a noite toda e está preocupado com meus enjoos da gravidez? — perguntou ela, um sorriso irônico surgindo em seu rosto.
Chris franziu o cenho, claramente tomado de surpresa pela afirmação dela. Sua expressão era uma mistura de confusão e curiosidade.
— Como sabe que bebi a noite toda? - Ele questionou, como se tentasse juntar as peças do quebra-cabeça que ela havia apresentado.
Roxanna arqueou uma sobrancelha, perplexa com a pergunta. Ela mudou suas palavras.
— Bem, eu deduzi. Você está com odor de álcool. - Respondeu ela, apontando para ele com um gesto que misturava acusação e humor.
Ele ficou pensativo por um momento, coçando a cabeça em um gesto que revelava o seu desconforto com a situação.
A imagem dele lá parado, tentando processar as informações enquanto coçava o cabelo bagunçado, era quase cômica.
Roxanna não pôde evitar sentir uma leve satisfação ao perceber que ele também tinha suas vulnerabilidades.
O silêncio entre eles se instalou por alguns segundos, enquanto Chris processava as palavras dela. Roxanna observou seu olhar se perder em pensamentos; talvez estivesse refletindo sobre suas próprias escolhas da noite anterior ou sobre como sua preocupação por ela contradizia sua própria condição.
A tensão no ar era palpável. Roxanna percebeu que mesmo em meio à confusão que sentia por ter invadido sua privacidade, havia uma linha tênue de conexão entre eles — uma espécie de entendimento silencioso que surgia em meio ao caos emocional.
— Olha.. - Disse Chris finalmente, quebrando o silêncio: — Bem... eu só... só queria saber se você estava bem.
O tom dele era mais suave agora, quase vulnerável. Roxanna sentiu uma onda estranha invadir seu coração; talvez ele não fosse tão insensível quanto parecia à primeira vista.
Mas ainda assim, ela não estava pronta para abrir mão do seu orgulho tão facilmente.
— Eu estou bem. - Respondeu ela com firmeza, mas sem perder completamente o tom provocador: — E você deveria se preocupar mais com si mesmo do que comigo.
Ele sorriu levemente, como se reconhecesse o jogo dela.
Aquela dinâmica entre eles era estranha e complexa; havia atrito e atração ao mesmo tempo.
Enquanto Roxanna tentava manter sua defesa erguida, uma parte dela começava a questionar até onde essa conexão poderia levá-los.
Ele coçava a cabeça sem jeito, provavelmente envergonhado pela situação.
— O cheiro de álcool está impregnado em você. Então vá tomar um banho e desça. - Ela disse em um tom sério.
Ele encarou-a por um momento, questionando sua presença em seu escritório naquela manhã.
— Quem limpou o lugar? - Ele perguntou, observando a sala arrumada e sem vestígios da noite anterior.
Roxanna não queria parecer intrometida, então ela desviou a pergunta, afirmando:
— Não sei. Eu só entrei aqui agora.
Ele baixou o olhar, considerando a resposta.
— Ok. - Disse ele, finalmente, antes de seguir em direção ao banheiro.
Roxanna saiu do escritório, sentindo-se aliviada por ter conseguido manter a verdade para si mesma.
Quando desceu as escadas e entrou no salão de recepção onde os seus colegas de trabalho estavam reunidos, Lucy apontou para ela, com os olhos furiosos e acusou:
— Com certeza foi ela! Você foi a única pessoa que eu falei ontem à noite!
Os olhares dos colegas ficaram indiferentes a Roxanna.
Uma funcionária interveio, defendendo Roxanna:
— Acusar a novata é mais fácil do que aceitar que você nunca vai ter a atenção que você quer, Lucy.
Roxanna, sentindo-se ofendida e humilhada, retrucou:
— Você sabe que uma acusação sem provas é um crime? - Ela disse tentando defender-se das acusações sem fundamento.
Lucy, em uma explosão de raiva, bateu o pé e gritou:
— Então vamos ver se você não escondeu minha pulseira no seu quarto! Você é uma pobre coitada que veio para cá sem nada. Roubar deve ser normal para pessoas como você!
Todos os presentes no salão olharam Roxanna, esperando sua reação.
Roxanna respirou fundo e olhou Lucy nos olhos.
— Então que seja. Reviste o meu quarto o quanto quiser. - Disse ela, decidida a enfrentar a acusação de frente.
Lucy sorriu, satisfeita com o desenrolar dos eventos.
— Melhor, Téo? - Ela disse: — Vá ao quarto dela e procure minha pulseira.
O garçom hesitou por um momento, mas acabou seguindo as ordens.
Roxanna sentiu um aperto no peito enquanto assistia a cena, lembrando-se de ter visto Lucy usando uma pulseira na noite anterior.
Ela percebeu que a morena havia armado uma cilada para ela, e que agora ela precisaria encontrar uma maneira de provar sua inocência.
Após alguns minutos de tensão, o garçom voltou, a pulseira em sua mão.
A sala ficou em silêncio enquanto todos os presentes percebiam a reviravolta.
— Você armou isso para mim. - Disse Roxanna, sua voz cheia de incredulidade: — Esse é um jogo tão baixo!
Lucy encarou-a com ar triunfante.
— Eu avisei que ela havia roubado. Ela é uma qualquer que veio ganhar a vida na cama do chefe. - Ela disse, sua voz ecoando pela sala: — Você provavelmente era uma prostituta em algum lugar.
Os outros funcionários, acreditando na palavra de Lucy, começaram a humilhar Roxanna, chamando-a de ladra e outros nomes ofensivos.
"Sempre soube que ela não era confiável", disse um deles.
"Como você poderia roubar de uma de nós?", gritou outro.
Roxanna tentou manter sua calma, enquanto a outra funcionaria que havia defendido ela, continuava defendendo, mas ninguém a ouvia. Lágrimas escorriam pela face de Roxanna, enquanto enfrentava a injustiça da situação. Ela não tinha como se defender, e a situação parecia cada vez mais desesperadora.
Até que, em meio aos xingamentos, uma voz masculina cortou o ar:
— Não vai se defender, senhorita Adie?
Todos olharam em direção à entrada, onde Chris estava parado, sua presença imponente silenciando a sala.
Ele havia ouvido tudo.
Roxanna encarou Chris, surpresa e constrangida.
— Se todos acham que eu roubei, pouco me importa. - Ela respondeu, sua voz ainda trêmula tentando manter sua postura confiante.
Chris cruzou os braços e disse:
— Eu não sou eles. Eu acredito em você!
Lucy, visivelmente furiosa com as palavras de Chris, encarou-o desafiadoramente.
— E por que você acredita nela? Não viu que ela me roubou? - Perguntou ela, com a voz ligeiramente insegura.
Chris olhou fixamente para Lucy, ciente da armadilha que ela havia preparado para Roxanna.
— Bem... - Ele começou: — Se você realmente perdeu sua pulseira, por que você não a procurou no salão antes? E, além disso, por que você escolheu acusar a senhorita Adie, em particular? Será que você não está tentando desviar a atenção de suas próprias falhas?
Lucy engoliu em seco, percebendo que sua fachada estava se esfarelando.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Hanah Oliveira
Eu estou com o pressentimento que a Aurora era uma boa pessoa e a Lucy deu um fim nela e na criança.
Talvez alguma trama com outras pessoas.
Talvez Aurora seja prisioneira e a criança tenha sido vendida!
pode ser isso...
Palpite!
2025-03-02
4
Solange Maria Martins
que deixa mais triste sao as palavras que as pessoas acusar de pois pede desculpa
2025-03-11
0
Aldenora Tavares
um agora estou vendo Lucy armou pra aurora e fez ela desaparecer..
2025-03-18
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