Atração perigosa

Na noite anterior, as palavras de Alex reverberavam em sua mente.

Ele havia sugerido que ela considerasse um novo caminho, uma oportunidade que poderia dar a ela a chance de mudar sua vida — ou, ao menos, seu futuro profissional.

- Se você quiser se afastar desse mundo\, você vai precisar de uma base sólida. Um novo começo. Eu conheço alguém que pode te ajudar. Um dos melhores escritórios de advocacia da cidade. Eu posso te colocar lá\, se você quiser.

As palavras dele, ditas com uma sinceridade que a surpreendeu, mexeram com ela de maneira inesperada.

Alex estava abrindo portas para ela, mas havia algo mais ali.

Ele acreditava nela, de alguma forma. Ele queria vê-la livre, longe das garras de um legado que ela não escolheu, mas que ainda a aprisionava.

O gesto de indicar um emprego tão renomado em um escritório de advocacia era algo que ela nunca esperaria dele. Ele sabia que ela era capaz, mas ela mesma nunca tivera coragem de acreditar nisso.

Amélia estava sentada à mesa, sua mão sobre o café quente, mas os pensamentos a consumiam.

Ela sabia que este seria um passo decisivo. Se aceitasse a proposta, a vida dela tomaria um novo rumo, algo que estava fora de seu controle, mas também uma chance de recomeçar.

Mas ainda havia medo, o medo de não ser capaz de enfrentar um novo ambiente, de ser consumida por uma profissão que exigiria dela mais do que ela poderia dar.

Ela levantou-se, decidida, e pegou o telefone. Era hora de fazer a ligação que mudaria tudo.

No outro lado da cidade, Alex já estava se preparando para o dia, sua rotina implacável.

O traje impecável, o relógio no pulso e o semblante firme. Nada parecia ser capaz de abalar a postura calculista de Alex. Ele havia chegado àquela fase da vida em que o trabalho e os negócios se tornavam sua única prioridade.

No entanto, algo em sua mente, algo em relação à Amélia, parecia estar crescendo.

Ele sabia que ela estava indo em direção a um futuro melhor, mas não podia deixar de se sentir um pouco ansioso. Seria este o fim da relação que havia começado de forma tão instável, mas que agora parecia se fortalecer, mesmo que à distância?

Amélia não demorou muito para fazer a ligação e, ao final da conversa, algo se acendeu dentro dela.

Ela havia sido aceita para uma entrevista no escritório de advocacia renomado. Não seria fácil, mas era o primeiro passo em uma nova direção. A ligação a deixou com um misto de excitação e nervosismo.

Agora era oficial: ela começaria uma nova jornada, longe das sombras do seu passado.

Enquanto ela refletia sobre as mudanças que estavam por vir, Alex se preparava para mais um dia de trabalho no seu escritório.

Ele sabia que precisava estar em sua melhor forma, mas algo o incomodava profundamente. O peso da responsabilidade, da constante vigilância de seu pai, o empurrava para um canto onde ele mal conseguia respirar.

Seu celular vibrou e, ao olhar, viu que era uma mensagem de Lucia.

Ele revirou os olhos, já sabendo o que seguiria.

Lucia era a última pessoa com quem ele queria lidar naquele momento, mas ela sempre fazia questão de cruzar seu caminho, como uma mosca insistente.

Ela não havia desaparecido desde o evento da última vez, quando ele a havia dispensado de forma fria. Mas Lucia não parecia ser do tipo que aceitava ser ignorada. Ao contrário, ela parecia se alimentar da atenção dele.

- Bom dia\, Alex. Preciso falar com você hoje. Podemos nos encontrar no escritório? Tenho algo importante a discutir.

Alex sabia que essa “importante discussão” provavelmente envolvia um de seus avanços inapropriados.

Lucia era bonita, sem dúvida, mas seu comportamento errático e a constante insistência eram mais do que suficientes para fazê-lo querer mantê-la à distância.

Mas, como sempre, ele não podia simplesmente ignorá-la.

Ele respirou fundo, sabendo que seria mais um dia de trabalho pesado e interações complicadas. Ao sair de sua casa, pegou as chaves do carro e se dirigiu ao seu escritório, onde a rotina o aguardava implacável, mas com a sensação de que algo mudava, como se os ventos do destino estivessem soprando em uma direção que ele ainda não conseguia entender.

O escritório estava como sempre — silencioso e organizado, com um fluxo constante de chamadas, documentos e reuniões.

Alex se dirigiu diretamente à sua sala, onde sua assistente, uma mulher séria e eficiente, o aguardava com os relatórios do dia. Mas, assim que ele entrou, sua atenção foi imediatamente desviada para uma figura que estava parada perto da porta.

Lucia estava ali, com um sorriso sedutor nos lábios e uma atitude descontraída, mas de algum modo desafiadora.

Ela estava usando um vestido vermelho intenso, que realçava ainda mais sua postura confiante, e quando seus olhos se encontraram, Alex não pôde deixar de perceber a maneira como ela o olhava — com uma expectativa clara de que ele fizesse algo, qualquer coisa que rompesse o silêncio entre eles.

- Alex\, querido... Que bom que você chegou! Eu estava esperando por você\, disse Lucia\, sua voz doce\, mas com uma provocação que ele imediatamente reconheceu. Ela se aproximou com passos longos e lentos\, a confiança exalando de cada movimento.

- Lucia\, o que você está fazendo aqui?  Alex perguntou\, tentando manter a compostura\, mas já sabendo a resposta.

Ela riu suavemente, balançando a cabeça.

- Ah\, Alex... Não é assim que você me recebe? Sempre tão formal... Eu pensei que\, depois da última vez\, poderia ser mais... calorosa.

Alex sentiu seu estômago revirar, mas manteve o rosto impassível.

Ele sabia que deveria lidar com a situação com calma, sem perder a paciência.

Lucia, no entanto, estava acostumada a fazer com que ele perdesse a calma, e isso era algo que ele tinha aprendido a evitar ao máximo.

- Lucia\, você sabe que isso não é apropriado. Eu não tenho tempo para esse tipo de conversa.

Sua voz foi firme, mas havia algo ali, uma faísca de algo que ele não queria reconhecer.

Ela deu um passo mais perto, agora a poucos centímetros de distância dele.

- Ah\, Alex\, você sabe que não pode negar o que está entre nós. Eu percebo o que você sente. E sei que você quer mais do que apenas essa frieza...

Ela estendeu a mão em direção ao seu rosto, tocando-o com suavidade.

- Eu posso ser o que você precisa\, se você me der uma chance.

Ele recuou instintivamente, sua expressão dura, mas dentro dele algo começou a se mexer. A atração, a tentação, a frustração com a pressão que ele sentia — tudo isso se misturava de maneira confusa.

- Eu não quero nada disso\, Lucia. - respondeu Alex com um tom mais baixo\, mas agora havia algo em seus olhos que ela imediatamente percebeu. Ela não ia desistir tão facilmente.

- Ah\, Alex... Eu sei o que você quer. Você só está tentando se convencer de que não quer. Mas o que você realmente precisa é de algo mais... profundo. E eu estou aqui para isso.

Enquanto a conversa entre eles continuava tensa, um pensamento percorreu a mente de Alex, um pensamento que o incomodava mais do que qualquer coisa.

Lucia estava começando a invadir seu espaço de uma maneira que ele não conseguia mais controlar.

Ao mesmo tempo, ele sabia que Amélia estava tentando construir sua vida, longe dos complicados jogos de poder e desejo. A tensão entre as duas figuras parecia aumentar. E ele? Estava começando a se perder entre os sentimentos conflitantes, entre a atração de um passado que ele queria deixar para trás e a mulher que ele começava a ver de uma maneira mais complexa do que antes.

Mas enquanto Lucia se aproximava ainda mais, algo dentro de Alex se contorceu.

Ele sabia que, no fundo, nada seria como antes.

Ele não poderia mais negar o que estava acontecendo entre ele e Amélia, e talvez, só talvez, isso fosse mais importante do que qualquer outro desejo ou tentação.

A batalha interna de Alex estava apenas começando...

- Alex... você sabe que não pode me ignorar para sempre\, certo?- Lucia disse\, sua voz suave e insinuante.

- Eu vejo o que você sente. Não adianta tentar esconder. Eu te quero\, e você sabe disso.

Ele suspirou e se afastou ainda mais, indo em direção à janela de seu escritório.

O som da cidade lá fora parecia distante, como se fosse outra realidade. Sua mente estava um turbilhão, mas ele não podia ceder a esse impulso.

Ele já havia se prometido que não cairia novamente nesse tipo de jogo, especialmente com Lucia. Mas ela o desafiava de uma maneira que o fazia questionar sua própria resistência.

- Lucia\, você está confundindo as coisas. Isso não é o que você pensa. E eu não estou interessado em nenhum jogo com você. - disse Alex\, tentando manter sua voz firme\, apesar do turbilhão dentro dele.

Ela deu um passo à frente, mais ousada, e olhou-o nos olhos, agora mais próxima do que antes.

- Eu sei o que você quer\, Alex. E eu posso te dar isso\, se você se deixar levar. Só precisa parar de lutar contra você mesmo. Eu sei que você sente... algo. Não há necessidade de esconder.

Alex se virou bruscamente, agora encarando-a de frente.

O olhar nos olhos de Lucia estava carregado de desejo, e ele sabia que ela não ia se afastar tão facilmente. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dele queria lutar contra aquela atração, uma parte dele ainda se lembrava de Amélia, da conversa profunda que tinham tido, das promessas não ditas.

Amélia era diferente.

Ela não o desafiava com artifícios, ela o desafiava com sua honestidade, sua vulnerabilidade.

Era algo mais real.

- Não\, Lucia. - ele disse\, mais frio agora.

- Eu não sou seu brinquedo. E você tem que entender isso. Eu tenho uma vida\, e essa vida não envolve você de uma maneira que você quer.

Ela não pareceu intimidada.

Na verdade, ela pareceu até mais determinada, como se as palavras dele só a incentivassem a lutar mais.

-Você é tão teimoso, Alex. - ela murmurou, com um sorriso ligeiramente arrogante.

- Eu só estou tentando te ajudar a relaxar um pouco. Você trabalha demais\, se preocupa demais com tudo. Eu posso te dar a liberdade que você está tentando evitar.

- Eu não preciso disso\, Lucia. Eu já tenho o que preciso na minha vida\, e alias\, ela é muito mais do que uma simples vadia como voce. - respondeu ele\, com a voz cheia de firmeza.

Ela ficou em silêncio por um momento.

Então, ela deu um passo atrás e olhou para ele com uma expressão que parecia mais calculista do que antes.

- Tudo bem\, Alex. Não se preocupe. Não vou te pressionar mais. Mas lembre-se\, você não vai poder se esconder para sempre. E se algum dia mudar de ideia... estarei aqui.

Alex assistiu enquanto ela saía da sala, deixando um rastro de sua presença, o perfume doce ainda no ar.

Ele se sentou em sua cadeira, passando as mãos pelo rosto, tentando dissipar a sensação de desconforto que ainda o envolvia. L

ucia estava sempre ali, sempre tentando ultrapassar os limites que ele estabelecia. Ela era um reflexo do tipo de vida que ele tentava evitar — superficial, cheia de distrações e jogos de poder.

Mas, ao mesmo tempo, ele não pôde deixar de pensar em Amélia.

Ela estava começando sua jornada em um novo caminho, longe dos jogos sujos e das manipulações.

Ela estava tomando o controle de sua vida, algo que Alex admirava profundamente. Ele se perguntava, com um nó apertando seu estômago, se ele realmente tinha o direito de se envolver em um relacionamento com ela.

Ele havia sido o responsável por muita dor na vida de Amélia, e ele sabia que seu passado poderia ser uma sombra constante entre eles.

No entanto, algo dentro dele se recusava a desistir.

Ele precisava tentar, pelo menos tentar, fazer as coisas certas com ela. Mas enquanto ele pensava nisso, sentiu uma presença. Quando olhou para a porta, viu sua assistente entrar rapidamente, com um olhar apreensivo.

- Senhor\, você tem uma reunião marcada em alguns minutos. E também\,  a senhorita Amélia ligou... Ela... Ela foi aceita no escritório de advocacia. Ela está muito animada com isso. - disse a assistente\, com uma expressão gentil\, mas percebendo a distração de Alex.

A menção de Amélia fez o coração dele bater mais rápido.

Ela tinha conseguido.

Ela havia dado o primeiro passo para se libertar daquele mundo que a consumia. Isso trouxe uma sensação de alívio misturada com orgulho. Ele queria, acima de tudo, vê-la bem, feliz. E isso significava que ele precisava deixar que ela seguisse seu caminho, sem mais intervenções.

- Obrigado por me avisar. Diga a ela que estou muito feliz por ela. E... arrume a reunião para mim. Eu preciso focar no trabalho agora. - respondeu Alex\, se recompondo.

A assistente saiu rapidamente, deixando Alex sozinho novamente.

Ele se recostou em sua cadeira, tentando juntar os fragmentos de seus pensamentos.

Lucia, Amélia, o trabalho, o passado, o presente... tudo parecia estar se entrelaçando de uma forma que ele não conseguia controlar. Mas, no fundo, ele sabia que, de algum jeito, estava começando a mudar, para melhor ou para pior. O que ele faria a seguir seria crucial para o futuro deles.

E ele não poderia mais se esconder da realidade de seus sentimentos por Amélia.

Ao mesmo tempo, ele sabia que Lucia não iria desistir tão facilmente.

Ela era uma força que ele não podia subestimar, e ele tinha certeza de que, de algum modo, seus caminhos ainda se cruzariam novamente.

Mas naquele momento, ele decidiu focar no que realmente importava. Amélia estava dando um passo importante para a liberdade, e ele precisava ser a pessoa que a apoiasse, sem se perder nas tentações que surgiam ao seu redor.

O futuro estava mais incerto do que nunca.

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