Amélia acordou no dia seguinte com a mente bagunçada, repleta de pensamentos e sentimentos conflitantes. O café da manhã foi uma tentativa vazia de se concentrar, mas sua mente não conseguia se afastar do que havia acontecido na noite anterior. Ela havia desmaiado nos braços de Alex Wakefield. Aquilo parecia uma cena tirada de um pesadelo ou, talvez, de um conto de fadas moderno. Mas, de qualquer maneira, era real. E o fato de ele tê-la ajudado ainda era um mistério para ela.
As ruas de Nova York estavam movimentadas como sempre, mas algo estava diferente. O sol brilhava com mais intensidade, como se a cidade estivesse oferecendo um consolo silencioso a ela, que se sentia desconfortável na sua própria pele.
Como poderia continuar a vida cotidiana após ter sido resgatada por aquele homem? Aquele homem que ela não deveria gostar, que ela não deveria sequer pensar, mas que, de alguma forma, havia deixado uma marca em seu coração.
Amélia não sabia o que fazer com os sentimentos que estavam crescendo dentro de si. Ela não sabia se estava se iludindo ou se, talvez, havia algo real ali, algo que ela não queria admitir. Mas, por mais que tentasse ignorar, a memória da gentileza inesperada de Alex não desaparecia.
Ela se arrumou com pressa, tentando colocar a mente em outro lugar. Tinha compromissos importantes naquele dia. Um deles era uma reunião com um possível cliente, o que, embora fosse uma oportunidade pequena, poderia ser o começo de algo maior. E ela não podia se dar ao luxo de se distrair com pensamentos sobre um homem que parecia viver em um mundo completamente diferente do seu.
Ao chegar ao escritório, ela sentou-se diante da mesa e abriu os papéis que precisava revisar. A luz suave que entrava pela janela do seu pequeno escritório ajudava a criar um ambiente mais confortável, mas o peso de sua incerteza não parecia desaparecer.
O cliente apareceu pontualmente, e a reunião correu de forma mais fluída do que ela esperava. A conversa sobre o caso foi detalhada, mas durante todo o tempo, Amélia não conseguiu deixar de sentir um certo vazio. Ela estava fazendo o trabalho, sim, mas seu coração estava longe dali.
Do outro lado da cidade, Alex Wakefield acordou cedo, como de costume. O som do despertador foi um lembrete implacável de que mais um dia de pressão e responsabilidades o aguardava. Ele não gostava de perder tempo, e naquele dia, mais do que nunca, sua agenda estava lotada.
No entanto, havia algo diferente, algo que ele não podia ignorar. Durante a noite, após ter deixado Amélia em segurança em seu táxi, a sensação de inquietação não o abandonara. Ele não entendia por que estava tão perturbado. Não era o tipo de pessoa que se preocupava com os outros, ainda mais com estranhos. Mas, por alguma razão, a imagem de Amélia, com seus olhos vulneráveis e expressão desorientada, não saía de sua mente. Ele tentava se convencer de que era apenas uma questão de civilidade.
Depois de tudo, ela havia desmaiado na rua. Ele não poderia simplesmente virar as costas para alguém em perigo. Mas isso não explicava completamente a sensação estranha de ter ficado pensando nela, mesmo após a ter enviado para casa.
“Ela é só mais uma pessoa na cidade”, pensava ele, tentando se convencer a voltar à sua rotina de sempre. Mas, apesar de todo o seu esforço, ele não conseguia afastar os pensamentos sobre Amélia.
Alex decidiu se concentrar no trabalho, como sempre fazia. Mas mesmo no meio das reuniões e dos compromissos de negócios, seus pensamentos se desviavam para ela. O olhar dela, os cabelos molhados, a maneira como ela o desafiava, e até o jeito que a raiva e a frustração se misturavam em sua expressão. Ele tinha certeza de que a viu passar por uma turbulência emocional, e embora nunca admitisse, aquilo o tocara de algum jeito.
Mas ele não queria pensar nisso.
Ele não precisava disso.
Durante a tarde, Amélia finalmente terminou seu expediente. Os compromissos com os clientes haviam sido relativamente tranquilos, mas ela estava exausta. A pressão para fazer a diferença no mundo jurídico de Nova York estava começando a se mostrar maior do que ela imaginava.
Ela queria fazer mais, ser mais, mas ainda sentia que estava perdendo tempo. Não bastava apenas sonhar com o sucesso — ela precisava agir. E agora, mais do que nunca, o peso de sua luta pessoal parecia ter ficado mais pesado.
Enquanto caminhava para casa, com os pés cansados e a mente ainda borbulhando de pensamentos, o celular vibrou em seu bolso.
Um número desconhecido apareceu na tela.
Ela hesitou por um momento antes de atender.
— Alô? — sua voz estava cautelosa.
— Amélia? É o Alex Wakefield. — A voz dele veio clara e fria, mas havia uma leveza nela que ela não conseguia identificar. — Preciso conversar com você sobre algo importante.
Amélia se sentiu tensa imediatamente. O
que ele queria agora? Depois daquilo tudo, depois da gentileza inesperada de ontem, ele estava entrando em contato com ela novamente?
Seu coração acelerou um pouco, mas ela tentou manter a calma.
— O que é, Alex? — perguntou, sua voz mais firme do que ela sentia.
— Eu… Quero pedir desculpas por não perguntar como você estava antes. — Sua voz parecia sincera, embora um pouco hesitante. — Eu estava pensando no que aconteceu, e senti que deveria ter feito mais.
Amélia ficou surpresa com a sinceridade em suas palavras.
Ela não sabia como reagir. Alex Wakefield, o homem que parecia ser uma parede de concreto emocional, estava pedindo desculpas?
— Está tudo bem, Alex. Não precisa se preocupar com isso — ela respondeu, tentando manter um tom neutro. A última coisa que ela queria era que ele se sentisse desconfortável.
Houve um silêncio do outro lado da linha, e Amélia ficou sem saber o que fazer. Então, Alex falou novamente.
— Sei que você está ocupada, mas… Gostaria de conversar pessoalmente. Pode ser uma boa oportunidade para… resolvermos algumas coisas.
Ela franziu a testa.
O que ele queria dizer com isso?
Resolver o quê?
O que estava acontecendo entre eles, afinal?
Ela sentiu uma sensação de confusão crescente, mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela a impulsionava a aceitar. Uma parte de sua mente estava dizendo para deixar tudo de lado, para seguir em frente. Mas a outra parte, a que a atraía para ele de maneira inexplicável, queria saber mais.
— Ok. Vamos nos encontrar. Onde e quando?
Quando Amélia chegou ao local combinado, um restaurante moderno, porém acolhedor, ela sentiu uma mistura de ansiedade e curiosidade. Ela não sabia bem o que esperar da conversa com Alex, mas sabia que algo importante estava prestes a acontecer.
Alex estava já sentado à mesa, com um drink em sua frente, olhando para o cardápio de maneira desinteressada. Quando a viu se aproximando, ele levantou os olhos e sorriu brevemente, embora fosse um sorriso contido, como se ele ainda estivesse tentando encontrar as palavras certas.
Amélia sentou-se à sua frente e tentou disfarçar o nervosismo. Era estranho estar ali com ele. Tão estranho quanto a sensação que ele provocava em seu peito, que ela ainda não conseguia entender.
— Obrigado por vir. — Ele quebrou o silêncio. Sua voz estava mais suave do que ela se lembrava. — Eu… Eu não sei como isso aconteceu, mas depois de ontem, eu fiquei pensando muito sobre tudo o que você disse. Quero pedir desculpas pelo que aconteceu antes. Não era minha intenção ser rude com você.
Amélia se sentiu um pouco desconcertada. Ela não estava esperando uma desculpa de Alex, e suas palavras a deixaram um tanto confusa. Ela não sabia como reagir. Em sua mente, ele ainda era aquele homem implacável e arrogante que havia esbarrado nela na rua.
— Tudo bem. Eu… não esperava nada disso, Alex. — Ela respondeu, sua voz mais suave agora, refletindo a surpresa.
Eles trocaram olhares, e por um momento, o que parecia ser um simples encontro de dois estranhos se tornou algo mais. Algo mais profundo, mais complexo. Os dois estavam agora, inexplicavelmente, em um território desconhecido, e as palavras entre eles pareciam carregar um peso que não podiam ignorar.
E assim, como se o destino tivesse decidido que seus caminhos se cruzariam de maneira ainda mais intensa, a conversa continuou. Cada palavra trocada, cada gesto, começava a construir uma conexão entre eles, uma conexão que, embora ainda incerta, parecia ter a força de algo inevitável.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
nilda baima
eu tbm queria saber onde Amélia tá trabalhando, ela tá procurando emprego me??
2024-12-07
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S Ramos
acho que perdi uma parte, onde ela está trabalhando?
2024-12-05
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