O Jogo da Ambição

O dia seguinte começou com um clima diferente para ambos. Enquanto Amélia se preparava para a segunda entrevista, seu reflexo no espelho parecia mais cansado do que ela imaginava. As olheiras estavam visíveis, o cabelo, um pouco mais bagunçado do que o habitual, e a roupa formal que escolhera não escondia completamente a sensação de insegurança que a tomava.

A entrevista na Harrington & Goldstein era sua última chance. A firmeza da primeira parte do dia estava dando lugar a um medo silencioso de que talvez o sucesso em Nova York fosse uma ideia distante demais para alguém como ela.

Ela vestiu o blazer com mais força, como se estivesse tentando se proteger de um mundo que parecia cada vez mais indiferente. Um suspiro profundo, um último ajuste nos cabelos e ela saiu, mais uma vez cheia de esperanças e, ao mesmo tempo, com o coração apertado.

Enquanto isso, Alex estava mais uma vez imerso na rotina frenética de sua vida. Ele odiava atrasos e, como sempre, havia uma longa lista de reuniões e tarefas a cumprir. Mas algo parecia pairar no ar, como uma nuvem de frustração que ele não conseguia afastar. O encontro com Amélia estava em sua mente, mesmo que ele não soubesse exatamente o porquê. Ele estava acostumado a ser o centro da atenção, a comandar, a ser obedecido, mas aquela mulher, com seus olhos firmes e a maneira como o enfrentara, o fazia questionar, nem que fosse por um instante, suas próprias escolhas.

Ao chegar à sua mesa, ele passou a mão pelos cabelos, tentando afastar o pensamento indesejado. “Foque, Alex”, disse a si, antes de mergulhar em mais uma reunião.

Na Harrington & Goldstein…

Amélia atravessava o hall elegante do escritório, sentindo a diferença da atmosfera. As paredes brancas e as cadeiras de design contemporâneo faziam o lugar parecer impessoal, quase como um lugar frio. Sua respiração estava mais rápida do que o normal. Estava nervosa, mas não iria deixar que isso a dominasse. Ela se dirigiu à recepção, onde uma mulher com óculos de aro fino a cumprimentou.

— Amélia Martins? — A recepcionista sorriu com cordialidade, entregando-lhe um crachá. — Pode subir, por favor. O senhor Harrington a espera.

Amélia subiu no elevador, apertando o botão do andar onde sua vida poderia finalmente tomar um rumo diferente. Ao chegar, foi recebida por um assistente que a conduziu até a sala do sócio principal, Jonathan Harrington. Ele estava em pé, olhando por uma janela panorâmica com vista para a cidade. Ao ouvir a porta abrir, ele se virou, com um sorriso formal.

— Senhora Martins, prazer em conhecê-la. — Ele estendeu a mão, e Amélia, nervosa, apertou com firmeza.

Sentou-se à mesa, e a entrevista começou com uma educação impecável. Jonathan perguntou sobre seu histórico acadêmico, seus estágios, e até sobre a razão pela qual escolhera Direito. Amélia falou sobre sua paixão por causas justas, sobre como se sentia realizada ajudando aqueles que não tinham voz. Mas, em algum momento, a conversa mudou.

— Sei que sua experiência é limitada — disse Jonathan, ajustando seus óculos com uma calma distante. — Mas, como você sabe, esse é um escritório de elite, e a competição é feroz. O que você acha que pode trazer de diferente para cá?

Amélia tentou manter a calma, apesar da sensação crescente de que a oportunidade estava escorregando entre seus dedos.

— Acredito que a paixão pela justiça e pela causa das pessoas é o que me diferencia. Sou uma pessoa comprometida, e sempre dou o meu melhor, não importa o tamanho da pressão.

Jonathan a olhou com um sorriso educado, mas o olhar parecia distante.

— Vou ser sincero com você, Amélia. Estamos à procura de alguém com mais experiência. Mas… manterei seu currículo em nosso banco de dados. Se surgir algo, entraremos em contato.

Amélia tentou disfarçar a decepção, mas a sensação de estar lutando em vão era esmagadora. Ela se levantou, agradeceu educadamente e deixou a sala, sua esperança sendo lentamente substituída por frustração. Mais uma porta fechada.

No outro lado da cidade…

Alex estava revisando relatórios financeiros quando sua assistente, Sarah, entrou rapidamente em sua sala.

— Senhor Wakefield, a senhora Lúcia está aqui. Ela disse ser urgente.

Alex levantou as sobrancelhas. Lúcia era uma das poucas pessoas com quem ele se permitia um relacionamento mais pessoal, mas isso não significava que ela tivesse permissão para interromper seu dia assim. Com um suspiro, ele gesticulou para ela entrar.

Lúcia entrou com seu sorriso contagiante e se aproximou da mesa, sem dar muita importância ao ambiente frio e controlado de seu escritório.

— Alex, querido, você está ocupado demais! Precisamos conversar, urgentemente. Tenho novidades.

Alex levantou os olhos, surpreso com a seriedade do tom dela. Ele acenou para que ela se sentasse, mas estava claro que algo estava fora do normal.

— O que aconteceu? — ele perguntou, tentando manter a compostura.

— É sobre aquela mulher, a que você encontrou ontem — disse ela com uma expressão travada, como se fosse uma informação que ele preferiria não saber.

Ele olhou surpreso.

— Amélia? O que tem ela?

Lúcia cruzou os braços e observou-o com um olhar calculista.

— Fiz uma pesquisa rápida. Ela não é só uma advogada em busca de oportunidades. Tem um segredo que pode impactar a sua vida e a sua empresa.

A palavra “segredo” ressoou na mente de Alex perturbadoramente. Ele não gostava de ser pego de surpresa, e saber que Amélia poderia esconder algo o intrigava de forma desconfortável.

— Qual é o segredo? — ele perguntou, seu tom mais sério.

Lúcia hesitou, mas sabia que Alex não gostava de meias verdades.

— Ela tem um vínculo com uma figura importante que poderia ser uma ameaça para você. Pode parecer um detalhe pequeno, mas em Nova York, tudo se conecta. Talvez você queira manter os olhos bem abertos.

Alex ficou em silêncio por um momento. Algo no aviso de Lúcia o fez sentir um calafrio, mas também despertou um interesse que ele não queria admitir. A mulher que ele havia descartado no dia anterior, agora estava novamente em seu radar.

Ele se recostou na cadeira e, sem desviar os olhos de Lúcia, disse:

— Quero mais informações. Não gosto de surpresas, Lúcia.

Lúcia sorriu, sabendo que Alex estava em sua própria mente já começando a planejar como usaria a informação para seu próprio benefício.

De volta a Amélia…

Amélia caminhava pelas ruas de Nova York, o som de seus passos ecoando nas calçadas molhadas. O vento batia em seu rosto, mas ela não sentia nada além do peso da frustração. Era difícil lidar com a realidade quando ela parecia não se mover a seu favor.

Porém, havia algo, no fundo, de seu coração que lhe dizia que o caminho seria longo, mas não impossível. Ela sabia que, em algum momento, a sorte teria que mudar. Ela só não sabia que, ao continuar sua jornada, acabaria cruzando o caminho de Alex novamente — e desta vez, ele estaria mais atento a ela do que ela imaginava.

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Comments

Yoi Lindra

Yoi Lindra

Estou tão encantada com esses personagens, eles me fizeram sentir como se fossem reais!

2024-12-03

1

S Ramos

S Ramos

como ele sabe o nome dela?? Colocou um detetive atrás dela? E a tal da Lúcia já sabe até os seus segredos??

2024-12-05

0

Eliana Fernandes

Eliana Fernandes

eita, será que perdi alguma coisa? ele viu a mulher 2x e já sabe o nome dela, mandou investigar como?

2024-12-04

1

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