O amanhecer começou a se infiltrar pelo loft, cobrindo tudo com uma luz dourada suave.
As sombras da noite anterior foram lentamente afastadas pelo sol nascente, mas o calor dos momentos compartilhados ainda preenchia o espaço.
Lá fora, a cidade começava a despertar, mas dentro daquele quarto, o tempo parecia suspenso, como se o mundo real ainda estivesse distante demais para alcançar o que acontecia ali.
O ambiente estava envolto em um silêncio reconfortante, quebrado apenas pelo som distante do trânsito lá fora, um lembrete sutil de que a vida continuava além das paredes daquele refúgio. Mas, ali dentro, tudo parecia diferente.
As paredes do quarto, antes tão frias e impessoais, agora pareciam testemunhas de algo íntimo e transformador. Cada detalhe, desde os lençóis amassados até o perfume que ainda pairava no ar, era um lembrete silencioso do que havia acontecido entre eles.
Alex despertou primeiro, os olhos lentamente se ajustando à claridade suave que invadia o ambiente.
Ele ficou por um momento imóvel, absorvendo a sensação rara de paz que o envolvia. Ao seu lado, Amélia dormia profundamente, o corpo parcialmente coberto pelo lençol branco.
Seu rosto estava relaxado, os traços delicados suavizados pelo sono, e uma mecha de cabelo caía sobre sua testa. Ela parecia vulnerável, mas havia uma força silenciosa naquela vulnerabilidade que ele não podia ignorar.
Por um instante, Alex apenas a observou, sentindo um nó se formar em seu peito.
Não era apenas desejo que o ligava a ela; era algo mais profundo, algo que ele não queria nomear, mas que sabia ser real. Naquela manhã, ele percebeu que a presença dela havia rompido uma barreira dentro dele, algo que ele pensava ser intransponível.
O coração dele, tão acostumado a ser uma fortaleza impenetrável, agora estava exposto, vulnerável.
Ele passou a mão pelo rosto, como se tentasse clarear os pensamentos, mas não conseguiu evitar um sorriso quando Amélia se mexeu, murmurando algo inaudível antes de abrir os olhos lentamente.
O olhar dela encontrou o dele, e por um momento, o tempo pareceu parar.
Não havia necessidade de palavras; tudo o que precisavam dizer estava ali, na conexão silenciosa que se formou entre eles.
— Bom dia — ele murmurou, a voz baixa, quase rouca.
Amélia sorriu suavemente, o olhar ainda sonolento, mas cheio de algo que ela não conseguia esconder. — Bom dia… — ela respondeu, a voz suave, carregada de um calor que fez o coração dele bater mais rápido.
Por alguns instantes, eles apenas ficaram ali, olhando um para o outro, como se tentassem absorver a realidade do que havia acontecido entre eles. A noite anterior ainda pairava no ar, as memórias dos toques, dos beijos, das confissões silenciosas que trocaram.
Não era apenas o físico; era tudo o que haviam compartilhado, as barreiras que haviam quebrado.
Amélia se esticou na cama, os movimentos lentos, quase preguiçosos.
Ela olhou para Alex, uma expressão pensativa tomando conta de seu rosto. — Não achei que acordaria e ainda te encontraria aqui…
Ele arqueou uma sobrancelha, o sorriso brincando nos lábios.
— E onde você achou que eu estaria?
Ela deu de ombros, desviando o olhar por um momento.
— Talvez fugindo… Ou talvez, apenas mantendo a distância. É o que você faz, não é?
Alex respirou fundo, o olhar ficando mais sério. — Eu costumava fazer isso, sim. Mas as coisas mudaram, Amélia. Você mudou tudo.
Ela o encarou, surpresa pela sinceridade nas palavras dele.
Não estava acostumada a vê-lo tão aberto, tão vulnerável. Era como se, pela primeira vez, ele estivesse abaixando as defesas, permitindo que ela visse o homem por trás da fachada de aço.
— Alex… — ela começou, mas ele a interrompeu, levando a mão ao rosto dela, o polegar traçando suavemente a linha de sua mandíbula.
— Não diga nada — ele sussurrou. — Só… fique aqui, comigo. Pelo menos por um momento.
Ela assentiu, fechando os olhos por um instante, como se estivesse gravando aquele momento em sua memória. Não sabia o que o futuro reservava para eles, mas naquele instante, tudo parecia possível.
O peso do passado ainda estava lá, como uma sombra que pairava sobre ambos, mas havia algo mais forte — algo que eles não podiam mais ignorar.
— Você me assusta, sabia? — ela murmurou, abrindo os olhos para encará-lo.
Ele franziu o cenho, confuso. — Por quê?
— Porque você me faz querer acreditar. Em coisas que eu achava que não existiam mais…
Alex não respondeu de imediato.
Ele a observou por um momento, os olhos fixos nos dela, como se estivesse tentando decifrar algo.
Então, inclinou-se e a beijou suavemente, um beijo cheio de promessas não ditas.
— Talvez seja hora de acreditarmos juntos.
E naquele amanhecer, enquanto a cidade despertava ao redor deles, algo dentro deles também despertava.
Uma esperança frágil, mas real. Um amor que, apesar das sombras do passado, começava a se tornar luz.
O amanhecer trazia não apenas a luz do sol, mas a promessa de um novo começo, um futuro que, pela primeira vez, parecia possível.
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Atualizado até capítulo 30
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