A noite havia caído sobre Nova York, pintando a cidade com tons de cinza e prata.
As luzes dos arranha-céus brilhavam como estrelas artificiais, mas naquela noite, a vista da cobertura de Alex parecia mais fria do que de costume. O vidro refletia a silhueta dele, imóvel, uma figura solitária contra o pano de fundo vibrante da cidade.
Ele estava parado perto da janela, um copo de uísque na mão, mas o líquido âmbar mal tinha gosto. Sua mente estava longe dali, presa em um labirinto de pensamentos que giravam em torno de Amélia.
Ela era diferente.
Não era apenas mais uma peça no tabuleiro do jogo que ele havia passado a vida inteira controlando. Ela era um enigma, um desafio que ele não sabia como resolver, mas que o atraía como nenhuma outra coisa havia feito antes. Havia algo nela — uma força silenciosa, uma vulnerabilidade escondida — que o desarmava, o fazia questionar suas próprias regras.
O som da campainha o arrancou de seu devaneio.
Por um momento, ele considerou ignorar, mas algo dentro dele, um impulso que ele não queria nomear, o fez caminhar até a porta.
Quando a abriu, encontrou Amélia do outro lado.
Ela estava diferente.
Os olhos dela, sempre tão firmes e desafiadores, agora pareciam suaves, quase hesitantes. A postura, que ele conhecia por ser sempre rígida e controlada, estava menos defensiva, como se ela estivesse, pela primeira vez, permitindo-se ser vulnerável.
— Precisamos conversar — disse ela, a voz baixa, quase um sussurro.
Ele assentiu, movendo-se para o lado para ela entrar. O silêncio entre eles era carregado, mas não mais de hostilidade. Havia algo mais ali agora, algo que ambos sentiam, mas que nenhum estava disposto a nomear ainda.
Enquanto ela se movia pela sala, Alex a observava.
Cada movimento dela parecia carregado de uma tensão invisível, como se estivesse travando uma batalha interna. Ela parou perto do sofá, olhando para ele com uma intensidade que o fez sentir como se o ar tivesse ficado mais denso.
— Eu não deveria estar aqui — ela começou, evitando seu olhar. — Depois de tudo o que aconteceu... Eu deveria me afastar. Proteger você, me proteger.
Ele colocou o copo na mesa de vidro e cruzou os braços, os olhos fixos nela.
— Mas não conseguiu, não é? — Sua voz era mais suave do que o normal, e os olhos azuis estavam cheios de uma intensidade que a fez tremer.
Ela respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo que há muito tempo queria confessar.
— Não. Porque, apesar de tudo, você é a única pessoa com quem me sinto... eu mesma. Não a filha de Marcos, não uma sombra do passado. Apenas... Amélia.
As palavras pairaram no ar entre eles, quebrando as barreiras invisíveis que haviam mantido a distância. Alex sentiu o impacto do que ela disse. Ele sempre a vira como uma mulher forte, quase inquebrável, mas agora percebia o peso que ela carregava. Um peso que ele começava a entender.
Ele deu um passo à frente, os olhos fixos nos dela.
— Eu não sei o que fazer com você, Amélia. Não sei o que fazer com o que estou sentindo. — Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto raro de vulnerabilidade. — Sempre achei que sentimentos eram uma fraqueza. Algo que podia ser explorado.
Ela sorriu, um sorriso triste, que não alcançou os olhos.
— Eu também pensava assim. Aprendi do jeito mais difícil que confiar em alguém pode ser perigoso. Mas você... — Ela deu um passo à frente, a voz tremendo. — Você me faz querer arriscar.
Por um momento, o tempo pareceu parar.
Tudo o que existia era o espaço entre eles, cada vez menor. Alex estendeu a mão, tocando suavemente o rosto dela. Foi um gesto quase hesitante, como se ele tivesse medo de que ela desaparecesse.
— Não sei se posso protegê-la — sussurrou ele. — Mas sei que não quero perder você.
As lágrimas brilharam nos olhos de Amélia, mas ela não as deixou cair. Em vez disso, aproximou-se mais, até que seus lábios estavam a milímetros dos dele.
— Talvez não precise me proteger, Alex. Talvez só precise estar ao meu lado.
Quando ele a beijou, foi como se todas as paredes que eles haviam construído ao redor de si desmoronassem. O beijo era ao mesmo tempo, desesperado e suave, carregado de uma emoção que ambos haviam tentado negar.
Era mais do que desejo; era uma conexão que ia além das palavras, das cicatrizes do passado.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, os olhos fixos um no outro.
— Isso muda tudo — murmurou Alex, a voz rouca.
— Sim — concordou ela, a mão ainda pousada no peito dele. — Mas talvez seja exatamente o que precisamos.
Eles sabiam que o caminho à frente seria difícil.
O passado ainda pairava sobre eles como uma sombra, e o futuro era incerto.
Mas, pela primeira vez, ambos estavam dispostos a enfrentar o desconhecido — juntos.
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Atualizado até capítulo 30
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