O Encontro

Amélia acordou com um sobressalto, os olhos se abrindo bruscamente como se tivesse sido arrancada de um pesadelo. A confusão tomou conta de sua mente enquanto ela tentava entender onde estava.

O que havia acontecido? Ela se lembrava das ruas movimentadas de Nova York, da sensação de fraqueza, e então… nada mais. Agora, estava em um ambiente diferente, suave e confortável, com uma iluminação suave que filtrava pela janela. O lugar não era o apartamento simples que ela chamava de lar.

Ela olhou ao redor, tentando entender, e logo percebeu estar deitada em um sofá confortável. Suas pernas estavam ligeiramente elevadas, e um cobertor macio estava cuidadosamente colocado sobre ela.

A sensação de desorientação aumentou. Ela sentia um peso nas pálpebras e uma dor leve na cabeça. Amélia tentou se mexer, mas sua cabeça girou levemente, e ela logo se deu conta de que ainda não estava totalmente recuperada.

Ela olhou ao redor com mais atenção. O local era moderno, mas com uma elegância minimalista. Paredes de tom sóbrio, móveis de linhas retas e uma decoração de bom gosto que demonstrava poder e estilo, mas sem excessos. Nada ali parecia muito pessoal. Era impessoal, mas de um tipo de luxo que só as pessoas poderosas poderiam pagar.

E foi nesse momento que ao ver uma foto no porta retrato, Amélia percebeu onde estava…

Este era o apartamento de Alex Wakefield.

O homem que ela conhecia apenas por sua arrogância, que a tratara com frieza e desprezo na rua, agora parecia ser seu salvador. Seu coração bateu mais rápido, mas não foi de excitação.

Algo dentro dela despertou, uma mistura de confusão e gratidão, mas também desconforto. Ele? Aqui? Aquele homem tão distante de qualquer preocupação com o próximo, aparentemente mais interessado em sua própria ascensão do que em qualquer outra coisa.

Tentou se levantar, mas a tontura era grande demais. Sentiu-se frágil, como se o mundo ao redor estivesse prestes a cair. Suas mãos procuraram apoio nas almofadas do sofá, mas Alex, que havia entrado na sala sem que ela percebesse, foi mais rápido. Ele se aproximou com passos firmes, sua presença inconfundível, e colocou uma mão suavemente sobre seu ombro, ajudando-a a se sentar.

— Você não deve tentar se levantar ainda — disse ele, a voz mais suave do que ela esperava. Havia uma leve preocupação em seu tom, mas também um distanciamento, como se ele quisesse manter um espaço entre eles, ainda que de uma maneira quase protetora.

Amélia olhou para ele, ainda um pouco atordoada. Suas mãos estavam trêmulas, e ela sentiu um calor repentino em seu rosto, não pela febre, mas pela vergonha. Ele a havia visto desmaiar, uma falha que nunca queria que ninguém testemunhasse.

Muito menos alguém como Alex Wakefield.

— Eu… eu não sei o que aconteceu. Eu só… — ela tentou organizar as palavras, mas sua mente ainda estava embaralhada. — Eu não sei como cheguei aqui.

Alex a observou por um momento, seus olhos avaliando-a com uma intensidade silenciosa. Então, com uma leveza em sua voz, ele respondeu:

— Você desmaiou no meio da rua. Eu estava por perto e te vi cair. Não poderia simplesmente te deixar ali. O trânsito estava caótico, e você estava em perigo. Então, eu trouxe você para cá, para que pudesse descansar.

Amélia sentiu um calafrio ao ouvir suas palavras. Desmaiar no meio da rua? Ela nunca imaginaria que algo assim aconteceria, e muito menos que ele fosse a pessoa a ajudá-la. Aquilo era confuso. Como alguém como Alex Wakefield, que parecia viver em um mundo completamente diferente, podia se preocupar com ela, alguém tão insignificante em sua vida?

Ela tentou se mover novamente, mas o desconforto na cabeça ainda a fazia hesitar. Era como se seu corpo estivesse pedindo para descansar, mas a mente estava em uma constante batalha, tentando fazer sentido daquela situação.

— Eu… — ela começou a falar novamente, mas foi interrompida pela voz calma e firme dele.

— Você precisa descansar. Está tudo bem agora. — Ele olhou para ela com uma expressão que Amélia não sabia identificar, uma mistura de seriedade e algo mais, talvez empatia, talvez um tipo de obrigação.

Amélia não sabia o que fazer com aquela situação. Ela sentia um desconforto crescente em tê-lo tão perto, mas também não conseguia ignorar o alívio que sentia por ele estar ali, cuidando dela quando, provavelmente, poderia ter apenas a ignorado.

Ela queria perguntar por que ele tinha feito isso, porque não a deixara seguir seu próprio caminho. Ela queria entender o que o motivara a agir de maneira tão diferente de tudo o que ela esperava dele.

Alex, por sua vez, observava-a com um olhar que ela não conseguia ler. Ele tinha a aparência de sempre, impassível e seguro de si, mas havia algo mais em seus olhos, algo mais suave do que ela imaginaria. Ele a ajudou a se sentar com mais firmeza no sofá, sempre atento, mas sem fazer questão de prolongar o contato físico.

— Eu… eu realmente não sei o que dizer. — Amélia olhou para ele com confusão, sem saber se deveria agradecer ou apenas sair dali.

Ele deu um passo para trás, respeitando seu espaço, mas mantendo os olhos fixos nela. A maneira como ele se comportava a desconcertava ainda mais. Ele não parecia tão distante e indiferente como no primeiro encontro. A máscara que ele usava estava um pouco mais relaxada, e ela viu por um instante algo além do executivo arrogante e imbatível que ela pensava conhecer.

— Não precisa dizer nada — respondeu ele, a voz baixa. — Não foi nada.

Amélia olhou para ele, ainda sem saber como processar tudo o que estava acontecendo. Ela não sabia se ele a estava ajudando por cortesia ou se havia algo mais por trás de sua atitude. O que quer que fosse, ela não conseguia evitar se sentir intrigada, e um pouco desconfortável, ao mesmo tempo.

O silêncio entre os dois parecia denso, mas não havia um desconforto pesado. Era apenas a sensação de que algo estava se formando, algo invisível, que nenhum dos dois sabia como definir.

Alex quebrou finalmente o silêncio.

— Eu vou chamar um táxi para você. Você precisa voltar para casa e descansar. — Ele falou com autoridade, mas sem o tom frio que costumava usar. Era uma sugestão, mais do que uma ordem, mas, ao mesmo tempo, era claro que ele se importava com o bem-estar dela, mesmo que não soubesse expressar isso completamente.

Amélia assentiu, grata, mas também com uma sensação de desconforto crescente. Ela não queria ser uma carga para ele, mas a verdade era que, naquele momento, ela se sentia vulnerável e perdida. O que exatamente ele esperava dela? Por que estava se comportando de maneira tão protetora?

O táxi chegou pouco tempo depois, e Alex a acompanhou até a porta.

Ele permaneceu em silêncio, observando-a entrar no carro. Antes de ela fechar a porta, ele falou:

— Cuide-se, Amélia. Não é seguro andar sozinha, especialmente em dias como hoje.

Ela o olhou uma última vez antes de fechar a porta do táxi. O olhar dele estava preocupado, mas ainda havia uma distância emocional entre eles. Algo não estava resolvido. Algo mais estava se formando, e Amélia não sabia o que exatamente, mas sentia como se tivesse acabado de entrar em um novo capítulo de sua vida.

O táxi se afastou e, enquanto as ruas de Nova York passavam pela janela, Amélia se deixou perder em seus pensamentos. Ela ainda não sabia o que pensar de Alex Wakefield. Ele parecia ser uma pessoa tão distante e arrogante, mas por um momento, ele a havia visto. Ele havia a ajudado, sem esperar nada em troca. E aquela ajuda, embora simples, a deixava com uma sensação estranha de que as coisas entre eles não haviam terminado ali. Na verdade, mal haviam começado.

Ela não sabia o que o futuro lhe reservava, mas uma coisa era certa: sua relação com Alex Wakefield estava longe de ser simples. Ele a havia tirado de uma situação difícil, mas ela não sabia se ele realmente queria algo mais. O que ele esperava dela? E por que ela não conseguia simplesmente deixar de pensar nele?

Ela fechou os olhos, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, seus caminhos iriam se cruzar novamente.

E quando isso acontecesse, ela não teria ideia de até onde isso a levaria.

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Comments

Eliandra Leal

Eliandra Leal

tá muito confuso, esbarrou nele como se não soubesse quem ele era, depois ele fala o nome dela como se já soube quem ela era, salva ela ,aí ela já sabe o nome e como ele é, isso tá difícil de entender.

2025-01-06

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