O Passado Sombriamente Conectado

O vento cortante de Nova York parecia fazer eco na mente de Alex Wakefield enquanto ele se aproximava do prédio onde Amélia morava.

Ele havia planejado esse momento com cuidado, mas agora, à medida que subia as escadas até o apartamento dela, uma sensação desconfortável o tomava. Sabia que algo grande estava prestes a acontecer, algo que poderia mudar o curso das coisas entre eles, talvez até definir o futuro de sua relação.

O que ele sabia até agora era perturbador.

O nome de Marcos Silva, o pai de Amélia, ainda ecoava em sua mente.

Um homem imerso nas sombras do submundo de Nova York, com conexões profundas no tráfico de influências, negócios escusos e corrupção. E Amélia, sem saber ou não, era filha desse homem. Para Alex, isso não era só uma questão de negócios; era pessoal. Ele nunca imaginou que algo tão simples quanto um encontro inesperado poderia desencadear uma cadeia de eventos tão complexa.

Quando ele chegou ao apartamento de Amélia, hesitou por um momento.

O silêncio da noite era denso, e tudo ao redor parecia predestinado a esse encontro.

Mas ele não podia mais voltar atrás. Ele já estava ali. Precisava de respostas.

Ele pressionou a campainha, e, após um instante de espera, a porta se abriu.

Amélia estava diante dele, com os olhos curiosos, mas havia algo mais ali — uma vulnerabilidade que ele não tinha notado antes. Talvez fosse o jeito que ela o olhou, ou a leve tensão em seus ombros. Ela tentou disfarçar a surpresa, mas não conseguiu esconder totalmente a apreensão.

— Alex? — ela disse, tentando disfarçar sua surpresa, mas sua voz denunciava uma leve tensão. — O que faz aqui?

Ele a observou atentamente, como se procurasse um sinal, algo que a pudesse trair. No fundo, ele sabia que ela escondia algo, e esse momento parecia a chave para finalmente descobrir o que realmente estava acontecendo.

— Precisamos conversar, Amélia — disse ele, a seriedade em sua voz claramente perceptível. Ela o fitou, parecendo absorver as palavras, mas, antes que pudesse responder, ele continuou. — E eu preciso saber a verdade.

O silêncio que se seguiu foi denso.

Alex podia sentir que o jogo estava prestes a mudar. Ele entrou no apartamento sem ser convidado, algo incomum para ele, mas naquele momento, não se importava.

A necessidade de respostas era maior que qualquer etiqueta.

Amélia o conduziu para a sala, um espaço simples, mas acolhedor. Ela parecia hesitar, os olhos se desviando para o canto, como se procurasse uma explicação que não sabia como dar. Alex, por outro lado, estava focado. Ele precisava descobrir tudo.

Nada mais importava.

— O que você sabe sobre seu pai, Amélia? — Ele perguntou abruptamente, sua voz grave, quase intimidadora. Ele observava cada reação dela, cada mínima mudança em sua expressão.

Amélia pareceu desconcertada por um momento.

Ela deu um passo para trás, mas logo se recompôs, tentando esconder o pânico que havia se instalado em seu peito. Ela sabia que não poderia mentir para ele, mas também não sabia como lidar com o peso da verdade.

— Eu… Eu sei o que qualquer pessoa sabe sobre meu pai. Ele sempre foi uma pessoa reservada. Meu relacionamento com ele foi sempre… complicado — ela disse, sua voz trêmula, tentando disfarçar a angústia. Seus olhos estavam longe, como se buscasse algo em sua memória, mas Alex não deixou que ela fugisse da pergunta.

— Ele tem uma conexão com o submundo, não é? — Alex disse com firmeza, interrompendo-a. — O nome dele, Sérgio Martins, está relacionado a vários negócios sujos em Nova York. Tráfico de influências, corrupção, e todo tipo de transação ilícita. Eu não estou aqui para ouvir desculpas ou histórias bonitas, Amélia. Quero saber se você sabe realmente quem ele é.

O impacto das palavras de Alex foi imediato.

Amélia empalideceu, seus olhos se arregalaram de surpresa, e ela não conseguiu esconder a apreensão que imediatamente tomou conta de seu corpo.

Ela se afastou um passo, e Alex notou que a vulnerabilidade em seus olhos estava agora acompanhada de um medo visível.

— Como você sabe disso? — Ela tentou controlar a voz, mas a tensão era evidente.

Alex, imperturbável, deu um passo à frente.

Ele não estava disposto a deixar a conversa seguir por outro caminho.

Ele precisava de respostas.

— Lúcia fez uma pesquisa há alguns dia e hoje descobrimos tudo sobre o seu pai, Amélia. E eu sei que você também tem algo a ver com isso. Não me venha com essas mentiras. Eu quero saber qual o seu envolvimento com esse homem. Qual o seu verdadeiro papel nesse jogo? — Ele fez uma pausa, analisando sua expressão. — Você sabia sobre tudo isso, não sabia? Ou está fingindo agora?

Amélia respirou fundo, o medo agora tomando conta de seu rosto.

Ela sabia que não poderia mais esconder a verdade, mas o que dizer? Como explicar algo tão pesado, algo que ela mesma ainda tentava processar em sua vida?

— Não é simples assim, Alex — ela disse finalmente, sua voz mais suave, quase implorante. — Meu pai sempre esteve distante. Ele não era o tipo de pessoa com quem eu pudesse contar, nem mesmo para entender o que ele fazia. Eu… eu vivi sempre à margem do que ele realmente era. Mas não sei se ele continua envolvido com essas coisas agora. Eu realmente não sei. Ele sumiu da minha vida há anos.

Alex a observava atentamente, tentando perceber a sinceridade em suas palavras. Ele queria acreditar nela, mas a dúvida estava instalada, e isso o incomodava profundamente.

— Então, você quer me dizer que seu pai tem uma vida inteira escondida e você simplesmente "não sabe" o que ele faz? — disse ele, a desconfiança transparecendo em sua voz. Ele avançou um passo, sem tirar os olhos dela. — Amélia, você é inteligente demais para se esconder atrás de desculpas. Não me faça pensar que você tem uma ligação com isso e está tentando me enganar.

Ela o encarou por um momento, os olhos se suavizando.

Ela sabia que não poderia continuar mentindo, mas também não sabia como explicar a complexidade da situação. O submundo de Nova York estava longe de ser simples, e ela sabia que cada palavra que dissesse poderia ser uma faca de dois gumes.

— Eu não estou tentando te enganar, Alex. Eu cresci com meu pai distante, mas sua influência estava em todo lugar. E, sim, talvez ele tenha feito coisas que eu não entenda completamente. Mas nunca fui envolvida diretamente com o que ele fez. Eu… eu apenas queria ser uma advogada. Eu queria uma vida diferente da que ele me impôs.

O tom dela estava carregado de dor.

Era óbvio que ela estava lutando contra um mar de emoções, e Alex percebeu que havia algo mais por trás de suas palavras. Talvez fosse o medo de que a verdade a consumisse, ou a raiva de viver com a sombra de um pai que nunca foi quem ela realmente precisava que fosse.

Alex a observava em silêncio, avaliando cada palavra, cada gesto.

Ele queria acreditar nela. Queria acreditar que ela estava sendo sincera. Mas algo dentro dele dizia que havia mais, que ela estava escondendo algo. Ele sabia que não podia simplesmente confiar nas palavras dela sem mais provas. O que ela dissera sobre seu pai poderia ser verdade, mas também poderia ser uma desculpa bem ensaiada.

— Então você não tem ideia de onde ele está agora? Ou o que ele faz? — Alex perguntou, sua voz baixa, ainda desconfiada.

Amélia balançou a cabeça, a frustração em seus olhos agora visível.

— Não, Alex. Eu não tenho ideia. Se você acha que eu estou mentindo, então talvez isso tudo seja mais complicado do que parece, mas não é o que você pensa.

O silêncio que seguiu foi pesado.

Alex estava perdido em seus próprios pensamentos, tentando decidir se poderia confiar ou não nela. Havia uma parte de sua mente que dizia que Amélia estava sendo genuína, mas outra parte, mais cautelosa, ainda desconfiava. Afinal, ele lidava com negócios onde a confiança era um luxo que ele não podia se permitir.

Amélia, por sua vez, sabia que aquele momento definiria tudo entre eles.

Se ele a rejeitasse agora, perderia a chance de provar que ela não tinha nada a esconder. Mas o medo de ser rejeitada por Alex, alguém que ela começava a admirar, também estava lá, apertando seu peito.

Alex finalmente se afastou, suas mãos se entrelaçando atrás das costas enquanto ele olhava para o horizonte da cidade, perdido em seus próprios pensamentos.

— Eu não sei o que pensar agora — disse ele finalmente, sua voz calma, mas cheia de complexidade. — Mas não vou desistir de saber a verdade. Eu espero que você me diga tudo o que sabe, Amélia. Eu espero que você não me faça te investigar mais a fundo. Não vai ser bom para nenhum de nós.

Amélia ficou em silêncio, sua expressão apreensiva, mas também resoluta.

Ela sabia que a luta estava apenas começando.

Ela só não sabia qual seria o preço da verdade.

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