O Peso da Atração

A manhã seguinte chegou fria e cinza, como se o clima refletisse o estado emocional de Amélia. Ela acordou com o som do despertador, mas ainda estava exausta, como se a tensão do dia anterior tivesse se estendido durante a noite, tornando seu descanso fragmentado.

Embora o sono tivesse sido inquieto, ela tentava afastar as lembranças daquele encontro – o homem arrogante, com seu terno caro e olhar desafiador. Mas, de algum modo, ele ainda estava lá, rondando seus pensamentos.

“Eu deveria ter sido mais firme”, pensava ela, lembrando-se da maneira como Alex a tratou. Sua grosseria a deixou perturbada, mas, ao mesmo tempo, havia algo nela que o incomodava de forma inexplicável. Algo sobre sua reação a ele, como se ela tivesse quebrado a barreira de frieza que ele tentava manter.

Mas Amélia sabia que não podia se dar ao luxo de se deixar levar por isso. Ela tinha mais a fazer. Havia mais uma entrevista marcada para o dia, e ela precisava se concentrar nisso.

Ela levantou-se da cama e olhou pela janela do pequeno apartamento que havia alugado. A vista era limitada, mas ainda assim fascinante. Amélia podia ver as ruas de Nova York agitadas e cheias de vida. As pessoas passavam apressadas, como se estivessem em uma corrida, cada uma com suas próprias batalhas silenciosas. Ela sabia que precisava encontrar seu lugar naquela cidade. O que quer que fosse, ela precisava se provar.

Após o café rápido, ela se arrumou com a maior eficiência que pôde, vestindo seu traje profissional e ajeitando os cabelos em um coque simples. Estava nervosa, como sempre ficava antes de entrevistas. Mas ela não poderia deixar que a insegurança a dominasse. A cidade era uma selva, e ela precisava lutar por sua sobrevivência.

O trânsito estava caótico, como de costume, mas Amélia não se importava mais. Cada momento a lembrava que ela estava mais perto do seu objetivo. A entrevista era em um escritório de médio porte, com foco em direitos civis – uma área pela qual ela tinha uma paixão profunda. No entanto, o nervosismo ainda a consumia. Embora ela tivesse o coração voltado para a justiça social, o que realmente queria era um emprego. Qualquer coisa que a tirasse da frustração constante de ser recém-formada e sem experiência.

Chegando ao prédio, ela se sentiu um pouco mais tranquila. A recepcionista sorriu calorosamente e a conduziu até uma sala de reuniões simples, mas confortável. O ambiente não era tão imponente quanto os grandes escritórios de advocacia de Nova York, mas havia uma sensação de humanidade no ar. As paredes de tijolos expostos e móveis de madeira desgastada davam a sensação de um lugar onde as pessoas realmente se importavam.

Dentro da sala, um homem de meia-idade com cabelos grisalhos a esperava. Ele usava óculos redondos e parecia estar revisando alguns documentos. Quando ela entrou, ele levantou o olhar e fez um gesto para que se sentasse.

— Amélia, certo? — Ele sorriu de forma amigável, e ela se acomodou na cadeira.

A conversa fluiu de forma natural. Ele perguntou sobre sua trajetória, suas experiências e o motivo de ela ter escolhido a área de direitos civis. Amélia, com a confiança que ainda restava, falou sobre sua paixão pela área e sobre como queria lutar por causas que fizessem diferença na vida das pessoas. Tudo parecia bem, até que o tom da conversa mudou.

— Vejo que você tem uma grande paixão por direitos civis, mas, como já deve ter percebido, Nova York é uma cidade difícil. O mercado está saturado e muitos escritórios procuram alguém com mais experiência. Não estou dizendo que você não tenha potencial, mas... — Ele fez uma pausa e ajustou os óculos, olhando-a com um sorriso condescendente. — A realidade é que você vai encontrar muitas portas fechadas.

Amélia sentiu como se o chão tivesse sumido sob seus pés. Era o discurso que já ouvira várias vezes, e isso a desanimava. Ela lutou para manter a compostura.

— Entendo, senhor Souza. Mas acredito que minha paixão pela área e minha dedicação podem compensar a falta de experiência. — A voz dela estava mais firme do que se sentia, mas a sensação de impotência ainda a envolvia.

Ele deu um pequeno sorriso, mas não era um sorriso de encorajamento.

— Vou manter seu currículo em nosso banco de dados. Se surgir alguma oportunidade, entraremos em contato.

Ela sorriu de volta, mas a sensação de derrota era quase palpável. A frustração tomou conta de sua mente. Ela não sabia como se manter otimista quando, a cada passo, parecia que o mundo estava lhe dizendo que não era o suficiente. Ela agradeceu, se levantou e saiu da sala, com a sensação de que estava mais uma vez sendo deixada para trás.

No entanto, ao sair do prédio, um calafrio percorreu seu corpo. O ar estava mais gelado do que ela imaginava, e o mundo parecia ter perdido um pouco mais de sua cor. Ela caminhou pelas ruas sem realmente olhar para onde estava indo, deixando-se levar pela onda de pensamentos. A sensação de estar em constante luta sem saber se algum dia venceria fazia com que ela quisesse simplesmente desaparecer no meio da multidão.

Então, algo aconteceu.

Uma sensação de tontura tomou conta de seu corpo, e ela não pôde fazer nada para evitar. O mundo ao seu redor girava e escurecia, e antes que pudesse se apoiar em algo, sentiu suas pernas falharem.

E então, como se estivesse sendo resgatada de uma queda, ela sentiu algo firme segurando seu braço. Uma voz profunda e familiar soou em seus ouvidos.

— Ei, você está bem?

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Comments

S Ramos

S Ramos

esse foi o mesmo discurso do começo do livro, da primeira entrevista.

2024-12-05

0

minan zuhri

minan zuhri

Já li tudo, preciso da próxima parte!😫

2024-12-03

0

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