o Herdeiro das tumbas perdidas

Capítulo 3: As Sombras da Primeira Tumba

A luz da tocha oscilava nas paredes da tumba, revelando gravuras esculpidas com precisão inquietante. Kian caminhava lentamente, atento a cada detalhe. Era sua primeira incursão em uma tumba da era dos Primeiros Reis, e sabia que qualquer passo em falso poderia ser seu último.

— Isso não está certo... — murmurou ele, enquanto passava os dedos sobre uma inscrição.

A seu lado, Lian, uma jovem cartógrafa que ele contratara na última cidade, observava nervosa.

— O que não está certo? — perguntou ela, com a voz trêmula.

Kian parou, olhando para ela com um sorriso enviesado.

— Tudo. Estas tumbas sempre têm armadilhas. Mas até agora, tudo parece... calmo demais.

Lian engoliu em seco, segurando firme o mapa que desenhara durante as últimas semanas.

— Talvez ninguém tenha conseguido chegar aqui antes.

— Ninguém, exceto eles. — Kian apontou para o chão, onde marcas de arranhões indicavam que algo pesado fora arrastado por ali. O padrão era inconfundível. Garras.

— Ah, ótimo... monstros. — Lian deu um passo para trás. — Eu sabia que isso era loucura.

Kian riu.

— Você aceitou o contrato. Então, bem-vinda à loucura.

Eles avançaram mais profundamente na tumba, o ar ficando cada vez mais pesado. A cada curva, novas inscrições surgiam nas paredes, mas nenhuma parecia familiar para Lian.

— Essas runas... — ela começou, inclinando-se para observar mais de perto. — Não consigo traduzir.

Kian parou ao lado dela, seus olhos se estreitando enquanto examinava os símbolos.

— Nem precisa. — Ele apontou para um padrão específico. — Isso é um aviso. E sabe o que significa um aviso, Lian?

Ela sacudiu a cabeça, confusa.

— Significa que estamos exatamente onde deveríamos estar.

Ele avançou com determinação, mas algo nos olhos de Lian demonstrava que ela não compartilhava sua confiança.

O Portão do Guardião

Quando chegaram à câmara principal, a visão os deixou sem palavras. No centro do salão, uma estátua colossal dominava o ambiente. Era um homem com o rosto coberto por um elmo de guerra, empunhando uma espada tão grande quanto o próprio Kian. À sua frente, uma porta de metal negro bloqueava a passagem, ornamentada com runas que pareciam brilhar fracamente.

— É aqui que está o Coração? — perguntou Lian, sua voz baixa.

Kian assentiu, mas sua atenção estava fixa na estátua. Ele sabia que aquilo não era apenas uma peça decorativa.

— O Guardião... — sussurrou ele, mais para si mesmo do que para Lian.

— O quê? —

— Cada tumba desta magnitude tem um Guardião. E se eu estivesse apostando, diria que é ele. — Ele apontou para a estátua, que parecia prestes a ganhar vida a qualquer momento.

Lian deu um passo atrás, seu rosto ficando pálido.

— Você está dizendo que essa coisa vai nos atacar?

— Não “se”. — Kian sorriu, ajustando as lâminas nas costas. — É “quando”.

Ele deu alguns passos cuidadosos em direção à porta, mantendo os olhos fixos na estátua. Nada aconteceu.

— Talvez esteja desativado. — Lian sugeriu, com uma ponta de esperança.

Mas assim que Kian tocou a porta, o som de pedra rangendo preencheu a sala. A estátua começou a se mover.

— Por que você sempre tem que estar certo?! — gritou Lian, recuando enquanto Kian sacava suas lâminas.

O Guardião desceu do pedestal com um impacto que fez o chão tremer. Seus olhos, antes apagados, agora brilhavam com um vermelho intenso, como brasas.

— Fique atrás de mim! — ordenou Kian, colocando-se entre Lian e a criatura.

O Guardião atacou com sua espada, um golpe que teria partido Kian ao meio se ele não tivesse saltado para o lado. Ele rolou no chão e se levantou em um movimento fluido, seus olhos avaliando a criatura em busca de pontos fracos.

— Alguma ideia brilhante? — gritou Lian, tentando não entrar em pânico.

— Ainda pensando! — respondeu Kian, desviando de outro golpe.

Ele sabia que força bruta não era uma opção. Precisava encontrar um modo de desativar a criatura antes que ela os esmagasse. Foi então que ele notou algo. As runas na porta estavam conectadas à estátua por pequenos sulcos que brilhavam com a mesma luz fraca.

— Lian! As runas na porta! Veja se consegue fazer algo com elas!

— O quê?! Eu não sei como lidar com magia antiga!

— Então aprenda rápido!

Enquanto Kian mantinha o Guardião ocupado, Lian correu até a porta, examinando as runas com mãos trêmulas. Ela puxou um pedaço de carvão e começou a traçar os padrões em seu mapa, tentando decifrar o significado.

Kian, por sua vez, estava ficando sem fôlego. Cada golpe da criatura era mais feroz que o anterior, e ele sabia que não poderia continuar assim por muito tempo.

— Lian, eu preciso que você seja rápida!

— Estou tentando! — Ela rabiscou furiosamente. — Essas runas falam sobre equilíbrio...

— E o que isso significa?!

— Significa que talvez você não deva lutar contra ele diretamente!

Kian estreitou os olhos, desviando de mais um ataque. Se não deveria lutar contra o Guardião, o que deveria fazer? Foi então que ele percebeu. O equilíbrio. As runas. A sala.

Ele olhou ao redor, notando que o salão não era apenas um campo de batalha; era um quebra-cabeça.

— Lian, há algo mais sobre as runas? Algo sobre a sala?

Ela parou por um momento, estudando o mapa.

— Os sulcos... Eles formam um padrão circular! Acho que você precisa ativar algo no chão!

Kian olhou para o piso e viu símbolos semelhantes aos da porta espalhados pelo chão. Com um salto rápido, ele se posicionou sobre um dos símbolos. Nada aconteceu.

— Preciso ativar mais de um! Me diga onde estão os outros!

Lian apontou freneticamente, e Kian começou a se mover, esquivando-se do Guardião enquanto pisava em cada símbolo que Lian indicava.

Quando o último símbolo foi ativado, um som profundo reverberou pela sala. O Guardião parou abruptamente, sua espada caindo com um estrondo.

— Funcionou? — perguntou Lian, ainda segurando o mapa como se sua vida dependesse disso.

Antes que Kian pudesse responder, a porta negra começou a se abrir lentamente, revelando um corredor iluminado por uma luz dourada.

Ele sorriu para Lian.

— Parece que você acabou de salvar nossas vidas.

Ela suspirou, exausta, mas aliviada.

— Espero que você pague bem por isso.

Kian riu, mas seu sorriso desapareceu ao olhar para o corredor. Sabia que o verdadeiro desafio ainda estava por vir.

Este capítulo mistura ação intensa, diálogos rápidos e o desenvolvimento do enredo ao introduzir um dos primeiros grandes desafios de Kian e sua aliada.

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