Décima quarta sessão
Patrícia estava sentada, observando Josiane com um pequeno sorriso enquanto a jovem falava, gesticulando animadamente. Ela estava mais falante neste dia, e isso alegrava o coração de Patrícia.
— Então, você acredita que eu e o Mateus subíamos naquele pé de manga enorme que ficava do lado do meu primeiro abrigo? Era tão alto que dava para ver o asilo ao lado. — Josiane riu, apontando para uma pequena cicatriz no braço. — Mas, claro, eu tinha que ser a desastrada e cair de lá. Foi assim que ganhei essa marca.
Patrícia inclinou-se para frente, observando a cicatriz com atenção.
— E o Mateus? — perguntou, quase sem perceber que sua voz estava mais leve do que o habitual.
— Ele? Ficou tão desesperado que quase caiu também. Foi correndo pedir ajuda enquanto eu ria, e chorava no chão. Acho que nunca ouvi tanto sermão na vida,.como neste dia . — Josiane riu novamente, e Patrícia acompanhou o riso, sentindo-se descontraída de uma maneira que raramente acontecia durante as sessões.
Por um momento, a conversa parecia natural demais, como duas amigas compartilhando histórias. Patrícia sabia que deveria redirecionar o foco, mas não queria interromper. Ela estava gostando.
Josiane, por outro lado, notou o brilho nos olhos de Patrícia e decidiu arriscar.
— Você fica tão bonita quando sorri assim, sabia? — disse Josiane, em um tom descontraído, mas com um olhar que carregava nuances.
Patrícia corou instantaneamente e balançou a cabeça.
— Josiane, não pode falar essas coisas... Isso não é apropriado. — Tentou soar firme, mas a voz vacilou ligeiramente.
Josiane inclinou-se levemente para frente, o sorriso brincando em seus lábios.
— Não pode ou você não quer ouvir?
Patrícia desviou o olhar, sentindo-se incrivelmente vulnerável. Ela sabia que deveria repreender Josiane de forma mais contundente, mas, no fundo, havia algo nela que gostava desse jogo.
— Pare com isso, Josiane. Estou falando sério. — Mas a força nas palavras não combinava com o rubor em seu rosto.
Josiane deu um pequeno sorriso e se recostou na cadeira, cruzando os braços.
— Ok, eu paro... por enquanto. — O tom provocador ainda estava lá, mas logo desapareceu, substituído por algo mais sério. — Mas, Patrícia, posso te perguntar uma coisa?
Patrícia olhou para ela, hesitante.
— Depende da pergunta.
Josiane respirou fundo, os olhos buscando os de Patrícia com uma intensidade que a deixou sem fôlego.
— Você sente algo por mim?
A pergunta pairou no ar como uma bomba prestes a explodir. Patrícia sentiu o coração acelerar, mas tentou recuperar o controle.
— Josiane, isso é... é completamente inadequado. Eu sou sua terapeuta.
Josiane abaixou os olhos, parecendo envergonhada.
— Eu sei. E é por isso que me sinto mal. Porque eu penso em você o tempo todo, Patrícia. — A voz dela saiu trêmula, mas sincera. — Eu sei que é errado, mas é um sentimento puro. Não é algo que eu possa controlar.
Patrícia fechou os olhos por um momento, sentindo o peso das palavras de Josiane.
— Isso não pode acontecer. — Sua voz era firme, mas cheia de conflito. — Eu acho melhor encerrarmos a sessão por hoje.
Josiane levantou-se devagar, se sentido uma idiota.
— Tudo bem. Eu vou embora. — Mas, ao dar o primeiro passo, Patrícia a segurou pelo braço.
Por um instante, elas ficaram ali, paradas, tão próximas que podiam sentir a respiração uma da outra. Patrícia não sabia o que estava fazendo, mas o desejo e a emoção eram mais fortes do que qualquer regra naquele momento.
— Patrícia, o que você está... — Josiane começou a dizer, mas foi silenciada quando Patrícia a puxou, e antes que pudesse se conter, Patrícia a beijou. Não foi um beijo tímido ou hesitante, mas cheio de desejo e emoção reprimida. Josiane correspondeu imediatamente, seus braços envolvendo Patrícia, como se aquele momento fosse algo que ambas precisassem desesperadamente.
Mas, tão rápido quanto começou, Patrícia se afastou, ofegante, com os olhos arregalados e cheios de culpa.
— Isso foi um erro. — Sua voz era quase um sussurro, mas carregava uma firmeza desesperada. — Isso jamais deveria ter acontecido.
Josiane ficou em silêncio, ainda processando o que acabara de acontecer. Ela deu um passo para trás, tentando buscar alguma resposta no rosto de Patrícia, mas tudo que encontrou foi confusão e medo.
— Patrícia...
— Vá embora, Josiane. Agora. — Patrícia desviou o olhar, incapaz de encará-la.
Josiane hesitou, mas obedeceu. Saiu da sala, deixando Patrícia sozinha com seus pensamentos, emoções e um caos que parecia impossível de controlar.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Vandreia Oliveira
agora ela vai deixar ela sozinha
2024-12-31
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