Décima Terceira Sessão
Patrícia abriu a porta com seu habitual profissionalismo. Josiane entrou, mas, ao contrário das outras vezes, não se sentou imediatamente. Ela ficou parada, perto da porta, parecendo indecisa. Patrícia, intrigada, fechou a porta e virou-se para perguntar se estava tudo bem. Foi quando Josiane, de forma inesperada, deu um passo à frente, encostando-se à porta e forçando Patrícia a recuar levemente.
Patrícia ficou sem jeito, seu coração batendo mais rápido do que gostaria de admitir.
— Josiane, o que você está fazendo? — perguntou, tentando manter a compostura, embora sua voz traísse sua confusão.
Josiane inclinou levemente, seus olhos fixos nos de Patrícia.
— Eu posso estar enganada, mas acho que, na sessão passada, houve algo... um clima entre nós.
Patrícia congelou. Sua mente tentou encontrar as palavras certas para negar, para afastar qualquer insinuação, mas antes que pudesse responder, Josiane se aproximou ainda mais.
De forma rápida e inesperada, ela deu um beijo na Buchecha de Patrícia, um toque suave e breve, mas que parecia carregar uma intensidade avassaladora. Patrícia arregalou os olhos, corando violentamente.
— Josiane! — exclamou, entre um riso nervoso e uma tentativa de braveza. — Isso não pode acontecer! É completamente... — Sua voz falhou, e ela percebeu que não conseguia terminar a frase.
Josiane, ao invés de recuar, manteve-se ali, a poucos centímetros de Patrícia.
— Desculpa — disse ela, sua voz carregada de sinceridade. — Eu sei que não devia... mas eu precisava ter certeza do que percebi.
Patrícia respirou fundo, tentando reorganizar seus pensamentos. Ela sabia que deveria se afastar, que deveria repreender Josiane de forma mais firme, mas seus pés não obedeciam. Elas ficaram ali, paradas, uma olhando para a outra, o silêncio preenchido apenas pela respiração de ambas.
Finalmente, Patrícia encontrou sua voz.
— Josiane, por favor, sente-se. — Sua voz estava baixa, quase um sussurro.
Josiane hesitou por um momento, mas então obedeceu, sentando-se no sofá com um sorriso leve nos lábios. Patrícia caminhou até sua cadeira, tentando ignorar o calor que ainda sentia no rosto.
— Bem... — começou Patrícia, tentando retomar a formalidade. — Como você está?
Josiane sorriu, os olhos brilhando de entusiasmo.
— Estou bem, na verdade. Tenho boas notícias. O meu trabalho está me oferecendo uma oportunidade de sair do part-time e ir para o full-time. — Ela disse as palavras com uma energia contagiante.
Patrícia inclinou-se levemente, surpresa e, de certa forma, admirada.
— Full-time? Que ótimo, Josiane! Mas me conte mais sobre isso.
Josiane começou a explicar, com uma clareza e uma segurança que Patrícia não tinha visto antes. Ela falou sobre as responsabilidades adicionais, os benefícios que viriam com o cargo e como isso significava mais estabilidade para ela. Enquanto falava, seus olhos brilhavam, e Patrícia percebeu, mais uma vez, o quão inteligente e determinada Josiane era.
— É claro que não vai ser fácil — concluiu Josiane. — Mas eu estou animada. Quero provar que sou capaz, sabe?
Patrícia sorriu, sentindo-se genuinamente orgulhosa.
— Eu tenho certeza de que você vai se sair muito bem. Você merece essa oportunidade, Josiane.
Josiane sorriu, mas havia algo brincalhão em seu olhar. De repente, ela se levantou do sofá e caminhou até Patrícia, que a observava com uma expressão curiosa.
— O que você está fazendo agora? — perguntou Patrícia, arqueando uma sobrancelha.
Josiane parou atrás da cadeira de Patrícia e começou a massagear seus ombros, os dedos deslizando suavemente.
— Você parece tensa, só estou tentando ajudar — respondeu Josiane, com um tom inocente, mas seu sorriso entregava uma leve travessura.
Patrícia soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Josiane, volte para o seu lugar. — Sua voz era firme, mas havia um tom divertido. — E se alguém entrar e nos ver assim?
Josiane riu, afastando as mãos e recuando com um olhar levemente culpado.
— Desculpa. Foi só um impulso.
Patrícia virou-se para encará-la, os olhos mais suaves do que antes.
— Eu sei, mas é importante que respeitemos os limites aqui. — Ela disse isso com um sorriso que parecia suavizar qualquer repreensão.
Josiane assentiu, mas seu olhar permanecia fixo em Patrícia.
— Eu só... gosto de te ver relaxada. — disse ela, antes de voltar para o sofá.
Patrícia sentiu o calor subir novamente em seu rosto, mas manteve a postura profissional. No entanto, enquanto continuavam a conversa, uma parte dela sabia que as linhas entre terapeuta e paciente estavam ficando perigosamente borradas.
Ainda assim, ela não conseguia afastar a sensação de que, de alguma forma, esse momento entre elas tinha sido importante. Para Josiane. E para ela mesma.
Mas então a culpa surgiu.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 89
Comments