Chegando na construtora, Júlia passou horas na luxuosa sala de recepção, impaciente e desconfortável.
A recepcionista deixara claro: sem horário marcado, Diogo Ferraro não receberia ninguém, muito menos uma jovem sem qualquer tipo de credencial importante. Mas Júlia não desistiria. Ela estava ali com um propósito, e nada a faria voltar atrás.
Já estava anoitecendo quando finalmente o viu.
Diogo surgiu no corredor, acompanhado de sua secretária e de um assistente, falando em voz baixa e dando ordens com o ar de autoridade que parecia inerente a ele.
Seus olhos azuis percorreram a recepção por um instante até se fixarem nela, e Júlia sentiu um arrepio. Ele a olhava de cima a baixo, com um olhar intenso e penetrante, avaliando-a como se pudesse ver algo além da aparência.
Ela não hesitou. Levantou-se e foi até ele, sentindo o calor do olhar dele como um desafio que a deixava inquieta.
— Preciso muito falar com o senhor — disse ela, firme, tentando manter o controle.
— É um assunto urgente.
Diogo arqueou a sobrancelha, um sorriso de canto surgindo em seu rosto enquanto a analisava. Seus olhos demonstravam curiosidade e um toque de provocação.
— Urgente? — perguntou ele, com um ar de leve ironia.
— E a senhorita acha que, por esse assunto ser urgente, eu ia largar tudo para recebê-la? Saiba que minha agenda é muito apertada, senhorita Alves, para atender todas as pessoas que têm "urgência" em falar comigo.
Aquela resposta prepotente e arrogante a irritou, mas Júlia respirou fundo, tentando não demonstrar o impacto que ele causava nela.
— Se soubesse da importância, talvez mudasse de ideia, especialmente porque o que tenho para lhe dizer o beneficiará — retrucou ela, os olhos faiscando.
— Estou aqui praticamente a tarde toda te Completou Julia com um pouco de indignação em sua voz.
Diogo a observou em silêncio por um instante, parecendo saborear o confronto entre eles, como se estivesse desafiando-a a insistir. Depois, suspirou levemente, como quem decide algo depois de ponderar.
— Agora despertou minha curiosidade, senhorita Alves... Tenho um compromisso importante agora - disse ele finalmente, o tom suave, mas carregado de um tom misterioso.
— Mas, se quer mesmo falar comigo, vá até minha cobertura. Lá, poderemos conversar sem interrupções e em particular — disse Diogo, olhando para todas as pessoas ao redor, principalmente sua secretária e seu advogado, que estava devorando Júlia com os olhos.
Ele não sabia por quê, mas ficou muito incomodado com aquilo. Só que ele se negava a admitir que era ciúme o que estava sentindo por uma garota que nem conhecia direito e muito menos lhe pertencia; ele só sabia que estava com vontade de dar um murro na cara de Luís, seu advogado e amigo.
Ele entregou a ela um cartão com o endereço, o mesmo sorriso enigmático no rosto.
— Mostre isso ao porteiro e diga que está autorizada a subir. Vou avisar minha governanta para que a receba. Me aguarde lá. Se for tão urgente assim, eu não posso deixar de ouvir o que tem de tão importante a me dizer, ainda mais quando disse que isso irá me beneficiar.
— Se for o que estou pensando, tem razão; eu vou me beneficiar, e muito, e a senhorita talvez até mais que eu.
Júlia se sentiu dividida entre a indignação e a necessidade de resolver aquele assunto. Ela não queria ir até a casa dele, mas sabia que não tinha escolha. Pegou o cartão sem dizer mais nada, e ele deu uma última olhada antes de seguir seu caminho, deixando-a ali com suas próprias dúvidas e uma série de sentimentos conflitantes.
Em poucos minutos, ela estava no táxi, a caminho da cobertura de Diogo. O prédio ficava na área mais exclusiva da cidade, uma região onde apenas pessoas com muito dinheiro poderiam morar.
Ao chegar, viu o nome “Condomínio Ferraro” em uma placa elegante na entrada, o que só aumentou sua sensação de que estava entrando no território dele, em um lugar onde ele controlava tudo. Aquele homem parecia ser dono de metade da cidade.
Ao mostrar o cartão e a sua identidade, foi autorizada a entrar.
A governanta a conduziu até a sala de estar, decorada com móveis caros e detalhes cuidadosamente escolhidos.
Júlia sentiu um leve desconforto ao se ver ali, cercada de um luxo que contrastava com a simplicidade da sua vida na fazenda. Ela não era pobre; tinha uma vida muito confortável e nunca lhe faltara nada. Ao contrário, era acostumada com tudo do bom e do melhor, mas estava longe de ser aquele luxo todo.
Sentou-se, recusando educadamente a oferta de uma bebida, e ignorou o olhar de desprezo e condenação da senhora de meia-idade, como se fosse totalmente errado ela estar ali.
Cada minuto parecia uma eternidade, e, sozinha naquela opulência, ela sentiu o peso do que estava prestes a fazer.
Não queria admitir nem para si mesma, mas havia uma tensão em seu peito que só aumentava à medida que o tempo passava.
Finalmente, ouviu o som da porta se abrindo.
Diogo entrou, deixando sua pasta sobre uma mesa e lançando a ela um olhar que misturava surpresa e algo mais intenso.
Ele não disse nada por alguns instantes, apenas ficou ali, afrouxando a gravata e logo depois tirando o paletó, olhando-a, como se tentasse decifrar as emoções que ela tentava esconder.
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Atualizado até capítulo 107
Comments
Celia Fernandes
EU JA ACHO QUE ELA TA INDO MUITO CEDO AO POTE ELA DEVERIA SENTA COM O PAI E O AVO PRA DESCOBRI SOBRE MAIS A FASENDA E NAO IR JA DE CARA SE ENTREGA PRA ELE ASSIM ELA DEVERIA SE VALORISA MAIS AF ISSO E MUITO HUMILHANTE PQ ELE VAI SO ABUSA DELA VAI CONTA A VERDADE A ELA E ELA VAI SAI MACHUCADA E SE BOBIA GRAVIDA DELE AF QUE RIDICULA MUITA HUMILHAÇAO AF
2024-11-17
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Adriana Martins da Silva
tô amando parabéns querida.
2024-11-30
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Pati 🎀
difícil a situação dela, ir contra seus propósitos pra salvar a fazenda que é a sua vida .....
2025-01-07
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