Julia revirou os olhos, mas não pôde deixar de sorrir.
Ela sabia que era verdade, e seu temperamento não ajudava a fazer com que as pessoas a levassem mais a sério. No entanto, a indignação ainda estava lá, queimando dentro dela.
— Ele só disse isso porque eu sei que tem a mesma idade do meu pai. Mas ele que não se engane, eu posso ser pequena, mas não sou nenhuma criança.
Por um breve momento, Julia ficou pensativa.
A lembrança de Diogo, com seu sorriso arrogante e aquele jeito de quem estava no controle, fez algo em seu peito disparar. “Ainda bem que ele não é meu pai,” pensou ela, envergonhada pela atração inesperada que sentira. Afinal, seria um pecado grave pensar assim, e mesmo que Diogo tivesse 36 anos, ele não parecia ter a idade do seu pai. O trabalho duro sob o sol castigara Jonas, que aparentava bem mais do que seus anos. Diogo, por outro lado, mantinha uma aparência jovem e imponente.
Dona Amélia, observando o olhar distante de Julia, levantou uma sobrancelha com uma expressão brincalhona.
— Está muito pensativa, menina. Acho que esse homem mexeu com a sua cabeça, hein? Dizem que ele é um belo pedaço de homem. Todas as moças da cidade só falam do tal senhor Ferraro.
Julia cruzou os braços, tentando conter o rubor que subia em suas bochechas.
— Eu nem notei, dona Amélia. Para mim, ele é só um arrogante que acha que pode mandar e desmandar em tudo.
A governanta sorriu, com um ar de quem sabia mais do que dizia, mas deixou o assunto morrer ali. Mais tarde, na hora do jantar, Julia sentou-se com o avô Ramiro e com seu pai, Jonas.
O jantar era simples, como de costume, e eles conversavam sobre o dia na fazenda quando Julia decidiu mencionar seu encontro com Diogo Ferraro.
— Ele apareceu aqui de novo, querendo comprar a fazenda. Disse que ia dar um jeito de fazer com que isso acontecesse — contou ela, observando a reação deles.
Ramiro soltou um suspiro pesado, enquanto Jonas mantinha o olhar sério.
— Infelizmente, Julia, eu sei o motivo dele ter dito isso com certeza deve ter se interditado que se o banco não aprovar o empréstimo que pedi, não teremos outra escolha. A hipoteca já venceu, e eles não vão esperar por muito tempo.
Julia sentiu um aperto no peito ao ouvir aquelas palavras. Aquela fazenda era o lar deles, era o lugar onde ela crescera e onde suas raízes estavam fincadas.
— O que quer dizer, pai?
Jonas olhou para ela com uma expressão triste.
— Quer dizer que, se não conseguirmos o dinheiro, vamos perder tudo. Nesse caso, a única opção será vender a fazenda para o Ferraro e, com o que sobrar, comprar uma menor. Pelo menos assim não sairemos daqui completamente de mãos vazias.
Julia mordeu o lábio, sentindo a frustração e o desespero crescerem dentro dela.
A ideia de Diogo Ferraro possuindo a fazenda a enchia de raiva, mas, mais do que isso, era o medo de ver seu lar ser destruído. Seu coração se apertou, mas uma faísca de determinação brilhou em seus olhos.
— Não vou deixar isso acontecer — murmurou ela, mais para si mesma do que para os outros.
Mas, no fundo, sabia que, para enfrentar Diogo Ferraro, precisaria de muito mais do que força de vontade.
Na manhã seguinte, Julia se aprontou com um objetivo bem claro em mente.
Ela se olhou no espelho, quase não se reconhecendo.
Usava o vestido vermelho de sua amiga Clarice, que ficava justo, quase como uma segunda pele em seu corpo curvilíneo, destacando suas pernas grossas e bem torneadas, o decote em “V” profundo chamando atenção para o colo e o vale dos seus seios firmes , as costas nuas.
Passou um batom vermelho nos lábios e deixou os cabelos lisos, cortados em camadas, soltos sobre os ombros até a cintura.
A imagem que via no espelho parecia outra mulher, mas ela estava disposta a usar a única arma que tinha: sua beleza , para salvar a fazenda da família.
— Boa sorte, Julia. Vai dar tudo certo.
disse Clarice, sorrindo de forma encorajadora. Julia respirou fundo, agradecendo à amiga, e saiu determinada.
Ao chegar ao banco, seu coração batia acelerado.
Ela pediu para falar com o gerente e, após alguns minutos de espera, foi direcionada a uma sala particular. Julia entrou com passos firmes, pronta para se posicionar, mas, assim que a porta fechou atrás dela, uma cadeira atrás da mesa girou lentamente, revelando um par de olhos cinzentos e provocantes que a encaravam com um sorriso debochado.
Diogo Ferraro. Ela sentiu o estômago afundar e uma onda de calor e constrangimento subiu pelo seu corpo.
— Senhorita Alves — ele saudou, a voz baixa e carregada de algo que Julia só podia descrever como diversão maliciosa.
— Que agradável surpresa.
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Atualizado até capítulo 107
Comments
Rita Dos Santos Araújo
Por favor autora atualize logo.Tá bom demais.
2024-11-11
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