Antes que pudessem responder, ela subiu rapidamente as escadas, ouvindo ainda os murmúrios preocupados dos dois homens. Fechou a porta do quarto e, sem pensar duas vezes, se jogou na cama, os braços cruzados sobre o rosto, tentando bloquear os pensamentos. Mas era inútil. Assim que fechou os olhos, tudo o que conseguia ver era o rosto de Diogo, o jeito que ele a olhara como se soubesse exatamente o efeito que causava nela.
Ela passou a mão pelos lábios, ainda sentindo o calor e o peso do beijo dele. Seu primeiro beijo. Não era assim que ela imaginava que seria. Sonhara com algo doce, romântico, com alguém que a amasse e respeitasse. E, em vez disso, fora arrebatada por um homem que, no fundo, desprezava. Um homem que a desafiava, a provocava e, mesmo assim, conseguia mexer com ela de uma forma que ninguém jamais tinha feito.
“Como ele ousa?”, pensou, mordendo o lábio enquanto tentava afastar o gosto amargo e sedutor daquele beijo de sua mente.
O jeito como ele a segurara com firmeza, o olhar intenso que a despia, como se pudesse ver além da raiva que ela sentia, enxergando algo que nem ela mesma admitia.
Julia sentia uma raiva crescente por se deixar afetar. Diogo Ferraro era exatamente o tipo de homem que ela detestava: arrogante, prepotente, acostumado a obter tudo o que queria, inclusive as pessoas. Mas, naquele breve momento, ele a fizera sentir-se vulnerável, e isso a assustava.
Enquanto encarava o teto do quarto, seu peito subia e descia de forma agitada. Tentou respirar fundo, mas as lembranças voltavam, intensas e perigosas, e ela sentiu que, talvez, ele não tivesse apenas mexido com seu orgulho, mas com algo mais profundo e inesperado.
Julia fechou os olhos, passando os dedos pelos lábios mais uma vez, sentindo o calor, queimada como se ainda pudesse sentir o toque dele. Sentia-se dividida, mas sabia de uma coisa: não permitiria que aquele homem, com todo seu poder e arrogância, continuasse a tirar dela sua paz e a confiança que sempre tivera.
Julia passou o resto do dia tentando pensar em uma saída, mas a situação parecia cada vez mais sombria.
Por mais que tentasse, não encontrava uma maneira de salvar a fazenda sem sacrificar algo importante.
A dívida era grande demais, e mesmo se vendesse todas as joias que ganhara do avô e do pai, não conseguiria sequer cobrir metade do valor da hipoteca. A realidade a esmagava, e ela sentia o peso da responsabilidade sobre os ombros.
Lembrava-se das histórias que seu avô contava sobre a fazenda, como ela fora construída com muito esforço e como cada geração acrescentava algo de valor à terra. Para ele, Santa Helena era mais do que uma simples propriedade; era um legado, o resultado de anos de trabalho e dedicação. O avô havia envelhecido ali, construindo aquele lugar com suas próprias mãos. E seu pai, mesmo que tivesse cometido erros, também amava aquele pedaço de terra e colocara sua vida ali.
Julia sabia que, se perdessem a fazenda, ele jamais se perdoaria. Talvez até entrasse em depressão, vendo o sonho de gerações ser desfeito.
Ao pensar no sacrifício que o pai e o avô fizeram por ela, criando-a com amor e dando-lhe tudo o que podiam, uma decisão começou a se formar em sua mente.
Eles sempre a protegeram, cuidaram de cada detalhe da sua vida, sacrificaram sonhos e investimentos para lhe dar o melhor. Agora, talvez fosse a vez de ela fazer algo por eles.
Julia passou os dedos pelos lábios mais uma vez, sentindo um calafrio percorrer seu corpo ao lembrar do beijo de Diogo.
Havia algo nele que a intrigava e a deixava vulnerável de uma forma que ela não entendia completamente.
Ele era perigoso, intenso e... tentador. A ideia de se entregar a ele por uma noite, de sacrificar seu orgulho e sua dignidade para salvar a fazenda, parecia um preço alto demais, mas, ao mesmo tempo, ela sabia que não teria outra escolha.
Ela se levantou, tomou um banho quente e passou o resto da tarde refletindo.
Por mais que dissesse a si mesma que jamais faria algo assim, a verdade era que, se precisasse engolir o orgulho, faria isso por seu pai e seu avô. Eles mereciam. Afinal, seria apenas uma noite.
Ela perderia sua virgindade, mas não havia fantasia romântica em seu coração; ela nunca sonhara com príncipes ou amores ideais.
Era prática, realista, e sabia que, se essa era a única solução, então faria o sacrifício.
Ao final do dia, Julia respirou fundo e se olhou no espelho, tentando encontrar a coragem que precisava. Decidida, vestiu-se dessa vez como costumava se vestir de jeans e camiseta.
Com certeza ele ainda estaria em seu banco ou em sua construtora, e ela estaria pronta para dizer que. aceita que aceita a proposta dele. Mesmo que isso significasse enfrentar a humilhação e o prazer sombrio nos olhos de Diogo ao vê-la ceder, faria o que fosse necessário para salvar seu lar e sua família.
Com essa resolução, Julia partiu, sem olhar para trás, pronta para encarar o destino que a esperava.
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Atualizado até capítulo 107
Comments
Celia Fernandes
AUTORA QUE RIFICULO ISSO FASE ELA IR ATRAS DELE PRA SE ENTREGA PRA ELE AF QUE HUMILHANTE ISSO PODERIA FASE OUTRA COISA NAO SE ENTREGA ASSIM AF QUE RIDICULO E PORISSO QUE EU COMO LEITORA DEIXO DE LER MUITA HISTORIA POR ISSO NAO DA AF ISSO E HUMILHANTE PRA NOS MULHERES NOS FAS PERDE NOSSO VALO O NOSSO RESPEITO AF
2024-11-16
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Sirlene Campos
concordo com vc Célia, degradante 😪
2025-03-02
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Eliana Soares
adorando cada capítulo
2025-03-02
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