Toda a sala estava levemente calma e os alunos conversavam baixinho entre si. Eles desenhavam cada traço, mesmo sendo bons ou ruins. No final, o que importava era a nota que ganhariam, porém, Joker não se importava muito com isso; ele sorriu.
— O que você está desenhando? Não confio em você… — Banz cerrou os olhos enquanto olhava para o colega que parecia estar aprontando. Afinal, tudo que via desse transferido é suspeito.
— Apenas estou desenhando a sua aparência. Aliás, você é bonito. Você tem namorado? — Perguntou, e Banz franziu o cenho ao ouvir a pergunta que ele nunca esperou ouvir de Joker.
— Namorado?
— Namorada… tanto faz… — Deu de ombros.
Banz parou de desenhar a aparência de Joker e se concentrou na conversa, querendo saber até onde esse estudante iria com esse assunto.
— Por que você quer saber?
— Somos colegas. É normal querer saber um sobre o outro. — Joker sorriu, mostrando seu aparelho nos seus dentes que agora eram perfeitamente alinhados.
— Hm… eu não tenho namorada… Sou um bolsista nessa escola, nenhum bacana aqui namora pobres.
Joker o olhou.
— Nossa… isso foi dramático.
Banz deu de ombros, Joker continuou a dizer:
— Você é bonito. E quem pensa assim é preconceituoso. Pareço legal agora, né? — Deslizou a mão no cabelo lambido para trás, e Banz revirou os olhos.
— Hm!
Não disse mais nada, voltando a pintar o maldito Joker. Todos na sala levaram exatamente uma hora para terminar as pinturas e o professor passou reconhecendo os trabalhos dos alunos. Banz observou o desenho do transferido e arqueou a sobrancelha.
— É assim que me vê? — Sua voz saiu indignada. First se aproximou com Prem e os três se olharam.
— Joker, até que desenha bem, olha meu desenho! Este é o Prem. — First mostrou os rabiscos que chamava de Prem.
— Que maldito… — Prem se viu no desenho e fez uma careta de indignação. Banz entregou seu desenho para o professor, enquanto Joker observava sua própria arte. Ele não alterou muito na aparência de Banz, apenas acrescentou o que ele via no colega. Como os olhos tímidos e a expressão envergonhada.
Banz sempre se mostrou tímido perto de Joker? Ou talvez fosse um exagero? Ambos têm a mesma altura e o mesmo corpo, mas Banz é mais reservado, na dele, o que o faz parecer tímido diante da presença bonita de Joker. Como se fosse uma donzela retraída. Pensar isso parecia um grande insulto para Banz, que ficaria chocado com os pensamentos insanos do transferido lunático.
Talvez ele tenha exagerado um pouco, Joker pensou. No entanto, ele simplesmente se levantou da cadeira e se dirigiu ao professor, deixando sua arte ali e voltando para seu lugar. Lá, ele procurou por algum doce para comer, mas descobriu que não havia mais nenhum em seu estoque dentro da bolsa.
— Vou dar as notas, então todos aguardem em silêncio, por favor — disse o professor. No entanto, ele percebeu que Kraisee ainda estava desenhando. Para ajudar o aluno, Arthit conferiu um por um, dando notas e gargalhando com alguns desenhos que mal poderiam ser chamados de desenhos.
Ao terminar de conferir, Kraisee finalmente também havia terminado seu desenho e seguiu até a mesa do professor.
— Me desculpe pelo atraso, professor.
— Tudo bem, deixe-me ver… — Ele pegou o papel e segurou o riso. No final, ele demorou tanto para entregar esse rabisco? Esses foram seus pensamentos, mas não disse nada, apenas colocou uma nota 4 no papel. — Toma…
Devolveu o desenho para Kraisee, que ficou envergonhado com a nota.
— Já que você está aqui na minha mesa, que tal me ajudar? — Pediu gentilmente e arrumou todas as folhas, entregando-os ao aluno. — Devolva para seus donos, e quem for recebendo já pode sair da sala.
— Ok. — Kraisee pegou os trabalhos e começou a visitar estiradores por estiradores. Todos que pegaram seus trabalhos saíram da sala, entre eles, August com as duas folhas desejadas - um seu e o do próprio Kraisee - e Fluke, que pediu seu trabalho para acompanhar o melhor amigo lá fora. Seguindo-o para todos os lugares.
Outros alunos saíram da sala após receberem o trabalho, e Kraisee revirou os olhos ao ler o próximo nome, que era Prem.
Ele olhou para o fundo da sala, onde os quatro amigos encrenqueiros estavam amontoados, e Kraisee suspirou. Ele caminhou calmamente, passando por Banz e parou na frente de Prem, que estava atrás de Joker.
Kraisee colocou a folha no estirador, e Prem observou, indignado.
— 3?
Ele levantou-se da cadeira abruptamente e saiu batendo os pés, atrapalhando Kraisee, que tropeçou para trás e caiu sentado no colo de Joker. Ele virou o rosto e encarou o estudante. Seu coração parou de bater por um momento e tudo gelou.
— Por que você me deu nota 3? O que isso significa? — Prem perguntou, gritando para o professor e chamando a atenção dos presentes. Kraisee arregalou os olhos ao perceber em quem estava sentado, e esse era justamente o colo de Joker, e seu corpo continuou gelado no mesmo lugar.
Ele olhava para Joker, que também lhe encarava, e arqueou a sobrancelha grossa para a situação. Os dois ficaram se olhando, como se não existisse mais ninguém ali. Enquanto isso, Banz e Firts correram até Prem para acalmá-lo de avançar no professor que não demonstrava medo. Essa era sua nota e o número 3 não iria mudar.
A sobrancelha bonita de Joker continuou arqueada para cima e seus olhos mudaram para um ar de provocação.
— Resolveu entregar o trabalho sentado no meu colo? — Joker finalmente disse com sorrisos convencidos. Kraisee bufou. — Ou… você gosta tanto de estar sentado aí?
— Aah, não pense besteira, isso… — Tentou se levantar, bufando, mas Joker o abraçou pela cintura, prendendo-o ainda mais em seu colo, a ponto de sentir uma ondulação em sua bunda. Kraisee ficou vermelho como pimentão. Que situação desengonçada. Ele queria se enfiar num buraco.
— Entregue primeiro meu trabalho, senão não vou te soltar. — disse ele, apertando a coxa lisinha e nua do menor e sentindo seu perfume doce.
— Você… você é um idiota! — Começou a tremer, procurando pelo nome de Joker, sem olhar para aquela mão grande que apertava sua coxa por debaixo do short azul. Ao achar a folha desejada, deixou-a no estirador. — Agora me solta… senão… se não vou gritar.
Joker soltou-o sem dizer nada enquanto sorria de modo cafajeste. Isso incomodou Kraisee, pois ele foi o único que quase surtou com a situação. Com vergonha, Krai não ousou olhar mais para o estudante atrás de si e se afastou, fugindo para seu lugar com a intenção de arrumar suas próprias coisas e ir embora.
Joker olhou para as costas de Kraisee e desviou sua atenção para a folha que segurava em suas mãos. Observando a nota 10 do seu desenho de Banz, ele sorriu. Nada parecia abalar o seu ânimo, nem mesmo a situação caótica da sala de aula. Ignorando tudo e todos ao seu redor, inclusive Prem, que recebia uma bronca do professor Arthit e a bagunça do ambiente, Joker organizou suas coisas e levantou-se da sua cadeira.
Caminhando com uma postura confiante, Joker aproximou-se de Kraisee, trombou em seu corpo para irritá-lo e seguiu em frente, saindo da sala sem dar atenção a ninguém. Decidido a encontrar um lugar tranquilo para cochilar durante algumas aulas pela manhã, ele ignorou seus colegas e partiu em busca de um local isolado.
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Atualizado até capítulo 39
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