O intervalo ainda seguia calmamente. Os alunos observavam a mesa dos encrenqueiros e murmuravam fofocas entre si. No entanto, havia uma aluna em particular que parecia agitada com toda a situação.
Ela percorreu rapidamente entre as mesas até chegar onde estavam seus amigos.
— Eii… Eiii… — Grace Manatsanan, a garota que corria, parou em frente a mesa desejada e apoiou suas mãos na madeira fria, olhando para seus quatro amigos que estavam ali comendo marmitas e conversando sem muita agitação. — Quem é aquele garoto ali? Ouvi dizer que ele está na mesma sala que vocês dois… Ah, que lindo. Nunca vi alguém tão bonito como ele. Ele é um modelo?
Ela falava animadamente, deixando claro a sua agitação. Não era como se ela estivesse se apaixonado. Não era isso. Mas, apenas que Grace sempre foi uma pessoa muito agitada com tudo.
Seus amigos na mesa seguiram o olhar para o garoto que ela apontava tão entusiasmada. Era o Joker, que permanecia sentado com os três encrenqueiros como se fossem amigos de longa data.
Win e Kraisee reviraram os olhos.
— Joker...? — Win disse com desdém.
— Ele é só um idiota que não tem nenhum futuro — acusou Kraisee. — Já bastam os três patetas, agora chegou mais um para perturbar a nossa paz.
Suspirando, pegou seu copo com suco verde e bebeu o conteúdo gelado direto no canudo. Ele olhava para Joker, vendo-o comer chocolate e, como um ímã, seus olhos se encontraram. Kraisee desviou rapidamente o olhar, se amaldiçoando por olhar para esse tipo de gente.
— Ele está olhando para cá. — Grace sorriu e sentou-se na cadeira, sentindo-se envergonhada com aqueles olhos tão sedutores.
— Ele não vale a pena. Não tem nenhuma qualidade em sua mente — acusou Win. Grace refletiu sobre isso e se acalmou um pouco.
Na mesma mesa, Madee Wanna também olhou para Joker junto com Fluke Thayawat, e os dois não ligaram muito para a beleza do estudante, mesmo sabendo que Joker é realmente muito bonito. Eles não são cegos, mas, na verdade, já havia um amor em seus corações.
— Ele é bonito, mas não igual ao meu amorzinho. Saudades deles. — Madee choramingou e todos da mesa olharam para ela, sem se surpreenderem com seu jeito de agir em relação ao namorado.
— Joker é um gato... — Grace debateu e sorriu. Ela dizia tudo o que pensava, não era falsa e tinha muitos amigos. Era por isso que raramente ninguém a via por tanto tempo, já que estava correndo aqui e ali tentando dar atenção a todos os seus amigos da escola. Às vezes, ela parecia descabelada de tanto que corria pela escola toda.
— Meu irmão é tão feio... — Fluke provocou a cunhada, recebendo um tapa de Madee.
— Não fale assim do Phi’Mark. Ele é o homem mais lindo que já conheci... você que é feio... — ela mostrou a língua para o cunhado e pegou o celular com capinha rosa para ver se Mark mandou mensagem, mas não e ela choramingou.
— Hoje é o primeiro dia na faculdade e ele já está ocupado assim? Saudades de quando estudamos juntos aqui na escola — lamentou ela, cabisbaixa, choramingando de saudades do seu namorado.
Grace achou isso preocupante e tentou consolar a amiga.
— Agora ele é universitário. Vocês terão que encontrar um meio de se verem, sabe?
Acariciou as costas da amiga, que estava vestida com a blusa social branca e a saia azul, uniforme que todas as garotas usavam na escola.
— Eu sei… — falou baixinho, com um toque melancólico.
Kraisee comia sua comida, ouvindo a conversa e pensando sobre esse negócio de se apaixonar. Que absurdo! As pessoas agem de forma tão tosca? Que vergonha. Win, por outro lado, apenas comia em silêncio, sem se envolver no assunto da amiga. Ele gostava de comer em silêncio e quase não conversava.
— Mas... com o que ele deve estar ocupado? — Madee se perguntava, olhando para o celular. Grace acariciava suas costas, observando perplexa a amiga, enquanto Fluke revirava os olhos.
— Ele deve estar conhecendo colegas da sua turma. Meninas e meninos. Tudo do seu curso. Já, já ele te esquece pra valer. — Fluke disse de forma maldosa e Madee o encarou perplexa.
— Como você pode dizer essas coisas para mim? Justamente do seu irmão? Você é mau, mau, mau, mau! — Ela batia no braço do cunhado, que segurou suas mãos.
— Calma, eu estava brincando... — Fluke fez um bico. Ele é bolsista e também é inteligente, porém, por ser pobre, não é muito notado ali, além dos seus amigos que o mimam muito. Isso o deixa feliz.
Com quinze anos, Fluke é um bebê fofinho, com um sorriso encantador e estilo atraente. Ele gosta de usar blusas curtas, não muito justas, apenas um pouco para que, ao erguer os braços, sua barriga com curvas fique discretamente à mostra. Ele só usa calças ou shorts largos, o que o deixa ainda mais fofo e pequeno do que já é e que completa todo o seu visual doce.
No entanto, na escola, como todos os outros, ele também estava vestido com uma blusa social branca e short azul. Enquanto segurava as mãos de sua cunhada, ele sorriu.
— Você sempre cai nas minhas provocações. Ele te ama. Você é tola por acreditar no que digo.
Os lábios de Madee se formaram num bico choroso.
— Você é mau. Te odeio! — Ela se levantou da cadeira e saiu dali batendo os pés.
Todos a observaram e depois olharam para o pequeno Fluke.
— Você pegou pesado dessa vez. — Kraisee comentou.
— Depois vou conversar com ela… Desde que Madee começou a namorar meu irmão, ela se tornou uma pessoa muito sentimental.
— Ela está apaixonada e pessoas apaixonadas ficam sentimentais com algumas coisas.
Todos pensaram sobre o que Grace disse e Fluke pensou na pessoa que gostava. Ele não era sentimental como Madee. Olha que ele amava essa pessoa há muito tempo e ele nunca o notou.
Fluke suspirou.
— Na sala, eu converso com ela. Somos amigos e ela não vai ficar brava comigo por tanto tempo.
— Eu ficaria. — Win sorriu.
— Tenho certeza de que sim! — Fluke mostrou a língua.
— Vamos comer… o intervalo já está acabando… — Lembrou Kraisee e todos concordaram, dedicando atenção às suas comidas que estavam esfriando. Fluke dividiu um pouco de carne com os amigos e sorriu ao receber um ovo cozido.
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Depois que o sinal final do recreio soou, todos começaram a retornar para suas salas. Fluke, Win e Kraisee decidiram procurar Madee, que havia se escondido em algum lugar para chorar.
Após quase dez minutos de busca, eles a encontraram e Fluke finalmente se desculpou, percebendo que suas brincadeiras sobre Mark, namorado de Madee, eram exageradas.
Ele a abraçou e pediu desculpas novamente, e finalmente ela o perdoou.
Depois disso, os quatro caminharam calmamente pelo corredor em direção às suas salas de aula.
— Não vi o August no recreio hoje… — Kraisee lembrou-se do amigo e comentou sobre ele. Fluke suspirou e sorriu.
— Agora ele é o Presidente Estudantil. Sabia disso? — Perguntou com orgulho, vendo a surpresa nos rostos de Win e Kraisee.
— Sério? — Kraisee perguntou.
— Sim! — Fluke concordou sorridente.
— Que legal. — Win também entrou no assunto.
— Ele merece. Além de ser presidente, também é representante da sala E. August estava feliz na hora em que seu nome foi sorteado. — Madee lembrou-se do momento. August, Fluke e ela são da mesma classe E, e os três são unidos, formando um grupinho de três, onde fazem tudo juntos na sala de aula como bons amigos.
August Suwanno tem dezesseis anos e é uma pessoa muito reservada. Todos gostam de ser seu amigo, mas além de ser inteligente, ele também gosta de fazer tudo certo, mostrando para todos que é um bom estudante e dá orgulho, o que o levou a ser presidente da escola este ano.
Ser presidente é diferente de ser representante, pois enquanto um representante cuida da sala, somente isso, o presidente estudantil cuida de toda a escola, disciplinando os alunos que fazem coisas erradas e se tornando o braço direito do diretor.
No final, August conseguiu ser os dois: tanto presidente de classe quanto da escola.
— Que legal… — Kraisee queria parabenizar seu amigo pelo ano como presidente estudantil, mas ao se aproximar da sala E, percebeu que ele não estava lá. Então, decidiu fazê-lo no final das aulas ou talvez no dia seguinte.
— A professora já chegou… — Fluke comentou e, junto com Madee, se despediram de Win e Kraisee, entrando apressados na sala.
Win observou por um momento e depois se afastou com Kraisee, seguindo para a classe B, onde os dois estudavam juntos.
— Deveríamos comemorar à noite a votação de August como presidente, o que acha? — Kraisee deu a ideia e Win concordou com a cabeça.
— Temos que ver se todos estarão livres... Mas não seria melhor no sábado? Assim, não teremos aulas no dia seguinte.
— Verdade, pode ser. Vou mandar no grupo no final da aula então. — Kraisee sorriu e se aproximou da porta para entrar na sala, mas de repente alguém apareceu do nada, colidindo com seus corpos.
O nariz de Kraisee bateu fortemente na clavícula da pessoa, e ele colocou a mão, gemendo de dor, para verificar se não estava saindo sangue. Ao constatar que seus dedos estavam limpos, ele suspirou aliviado.
— Ei… — Finalmente olhou para cima e se surpreendeu ao notar que a pessoa com quem havia batido era nada menos que Joker. — Você…
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Atualizado até capítulo 39
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