Marta passara a semana intrigada, refletindo sobre os acontecimentos perturbadores que Sofia havia lhe contado. A angústia da amiga despertara nela um senso de urgência, uma necessidade incontrolável de protegê-la e, se possível, descobrir alguma prova de que Victor não era a pessoa que fingia ser. Sofia já havia sofrido demais, e Marta não suportava a ideia de vê-la voltar àquele estado de pânico e submissão em que o passado a havia deixado.
Determinada, Marta começou uma investigação por conta própria, uma busca minuciosa que exigia paciência e precisão. Começou analisando tudo o que sabia sobre Victor: onde ele costumava trabalhar, os locais que frequentava antes do acidente, quem eram seus amigos e contatos próximos. Ela sabia que as memórias de Sofia eram fragmentadas e dolorosas demais para serem acessadas com clareza, mas as peças do passado estavam lá, esperando para serem conectadas.
Após alguns dias, Marta encontrou algo. Era uma informação vaga, mas que sugeria que Victor poderia ter estado envolvido em um caso criminal antes de conhecer Sofia. Era apenas uma menção em uma notícia antiga de um jornal local, uma referência quase esquecida, mas suficiente para acender uma faísca de esperança. Marta não conseguia conter a excitação ao imaginar que, talvez, finalmente tivesse algo que Sofia pudesse usar contra ele.
Ela mandou uma mensagem para Sofia, pedindo que se encontrassem o mais rápido possível. Quando Sofia chegou ao café, Marta a aguardava ansiosamente, segurando o celular com o link da matéria.
— Eu encontrei uma pista, Sofia — disse Marta, com os olhos brilhando, segurando a mão dela. — Pode ser que finalmente tenhamos algo contra ele.
O coração de Sofia acelerou, um misto de medo e esperança dominando seus pensamentos.
— O que é? O que você descobriu? — perguntou, com a voz baixa e nervosa.
— Achei uma notícia antiga, de alguns anos atrás. O nome de Victor aparece relacionado a uma investigação policial. Nada concreto, mas o suficiente para despertar suspeitas. Talvez seja algo que possamos usar para abrir uma investigação sobre ele, se conseguirmos provas de que ele não é quem diz ser.
Sofia não sabia se devia se alegrar ou se assustar. Sentiu uma pontada de esperança ao pensar que, finalmente, Victor poderia ser desmascarado, mas também um nó de ansiedade, temendo que tudo não passasse de uma falsa pista. Mesmo assim, decidiu se agarrar àquela possibilidade com todas as forças.
— Isso pode mudar tudo, Marta... Eu não sei como te agradecer — disse, com os olhos brilhando de alívio e gratidão.
Marta sorriu, apertando a mão dela com carinho.
— Estou aqui para isso, Sofia. Vamos até o fim, juntas.
Mas, enquanto Marta seguia com a investigação, a realidade começou a se mostrar mais complexa. Decidida a confirmar a veracidade da notícia, ela fez uma pesquisa mais aprofundada na internet, buscando por qualquer registro oficial que ligasse Victor a algum caso criminal. No entanto, quanto mais ela procurava, mais percebia que não havia nada de concreto. As referências eram vagas, e qualquer menção do nome de Victor acabava levando a uma coincidência, um homônimo ou a uma investigação completamente desconexa.
A frustração de Marta foi aumentando a cada pesquisa infrutífera. Passou horas cruzando dados, procurando qualquer pista que se sustentasse, mas tudo parecia escapar entre seus dedos. No fim, percebeu que a notícia que havia encontrado inicialmente não tinha nenhuma relação com Victor de fato, era apenas uma coincidência de nomes que havia lhe dado uma esperança falsa.
Ela se sentiu esmagada pelo peso do desapontamento. Sabia que Sofia esperava ansiosamente por boas notícias, mas agora teria que contar que sua esperança fora, mais uma vez, destruída por uma simples pesquisa. Marta respirou fundo e decidiu ligar para Sofia, sua voz carregada de frustração e tristeza.
— Sofia, eu... eu preciso falar com você sobre a notícia que eu encontrei — disse Marta, tentando controlar a voz trêmula.
— Não é algo bom, não é? — Sofia respondeu, com um tom cauteloso, mas já compreendendo o que estava por vir.
— Eu sinto muito, Sofia. Fiz uma pesquisa mais detalhada, e... não há nada que possamos usar. Foi um erro da minha parte. Achei que tivesse encontrado algo importante, mas acabou sendo uma coincidência infeliz. O nome de Victor aparece, mas não é ele. É apenas um outro homem com o mesmo nome.
Sofia sentiu uma onda de desespero crescer em seu peito, como se o pouco de esperança que havia encontrado escorresse de suas mãos. A sensação de impotência era avassaladora. Por um breve momento, ela realmente acreditou que poderia, enfim, lutar contra Victor de maneira concreta, mas agora percebia que estava, novamente, presa ao vazio de provas e refutações. Tudo o que ela tinha era o próprio medo e as lembranças nebulosas de um passado torturante.
— Então… não podemos fazer nada? — perguntou, quase num sussurro.
— Não, pelo menos, por enquanto — respondeu Marta, com um nó na garganta. — Eu sei que é difícil, Sofia, mas isso não significa que não podemos tentar outra coisa. Talvez haja algo que ainda não vimos, algum detalhe que não percebemos...
Mas Sofia apenas balançou a cabeça, o olhar perdido.
— Eu me sinto como se estivesse vivendo em um pesadelo, Marta. Toda vez que penso que posso me livrar desse peso, algo me puxa de volta.
— Ei, eu prometo que vamos encontrar uma maneira. Não vou desistir de você — disse Marta, segurando os ombros de Sofia e olhando-a nos olhos. — Eu sei que parece impossível agora, mas nós vamos descobrir alguma coisa. Vamos ficar um passo à frente dele.
Embora as palavras de Marta tivessem sido sinceras, Sofia não conseguia afastar o vazio crescente dentro de si. Estava exausta, sem energia para lutar contra um inimigo que parecia sempre um passo à frente. Ela sabia que Victor ainda estava lá fora, que continuava a cercá-la, a observá-la, e que, mesmo diante da verdade, ainda se encontrava sozinha.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
pascoal victor
essa Marta ainda vai acabar se dando mal nessa história
2025-01-01
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