Clara
O dia estava nublado, e eu podia sentir a umidade no ar, como se o céu estivesse prestes a desabar. Estava sentada no pequeno café perto de casa, olhando distraída pela janela. O relacionamento com Lucas andava estranho. Eu podia sentir a tensão entre nós crescer, embora ele nunca tivesse dito nada diretamente. Havia algo errado, algo que eu não conseguia controlar.
Então, Roberto, o pai de Lucas, entrou no café. Quando o vi, meu estômago deu um nó. Ele nunca me visitava, muito menos sozinho. Havia algo em sua presença, sempre tão firme e severa, que me fazia sentir pequena. Ele se aproximou da mesa, e por um momento, pensei em sair correndo, mas algo no seu olhar me prendeu ali.
"Clara," ele começou, sem rodeios, "precisamos conversar."
Assenti, tentando manter a calma, mas já sabia que nada de bom viria daquela conversa. Ele se sentou de frente para mim, e o silêncio entre nós era quase palpável. Seus olhos me analisavam como se ele já tivesse tomado uma decisão sobre mim, e isso me incomodava profundamente.
"Eu vou direto ao ponto," ele disse, com a voz firme. "Quero que você se afaste de Lucas."
Aquelas palavras caíram sobre mim como um golpe. Já esperava que Roberto não gostasse de mim, mas ouvir aquilo tão diretamente do pai do homem que eu amava doía mais do que eu poderia imaginar.
"Tudo o que faço é porque quero o melhor para o meu filho. Lucas está cego por você, e você não é boa para ele. Não vou perder tempo te explicando o porquê, você já deve saber."
Tentei argumentar, sentindo meu coração acelerar. "Eu amo Lucas, senhor Roberto. Eu nunca faria nada para machucá-lo."
Ele me interrompeu com um gesto de mão, como se minhas palavras fossem inúteis. "Isso não é sobre amor, Clara. É sobre o que é melhor para o meu filho. E o que é melhor para ele é que você desapareça da vida dele."
Eu senti meu peito apertar. As lágrimas ameaçavam, mas eu sabia que não podia chorar na frente de Roberto. Ele nunca respeitaria uma fraqueza como essa. "O que você quer de mim, então?"
Ele ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse preparando o golpe final. Então, puxou do bolso um envelope grosso e o colocou sobre a mesa. "Aqui tem dinheiro suficiente para você começar uma nova vida longe daqui. Pegue o dinheiro, saia da vida do meu filho, e nunca mais o procure."
Olhei para o envelope com o coração partido. Aquilo era um suborno, claro e direto, como nos piores clichês de histórias. Mas, naquele momento, eu me sentia encurralada. Sabia que minha relação com Lucas estava por um fio, e com Roberto fazendo essa oferta, parecia que tudo estava desmoronando.
Pensei em Lucas, em como eu o amava, e em como queria ficar ao seu lado. Mas, ao mesmo tempo, sabia que Roberto não desistiria. E, por trás de tudo isso, havia algo que eu escondia de Lucas, algo que me fazia sentir que, talvez, Roberto estivesse certo. Talvez Lucas merecesse alguém melhor do que eu, alguém sem segredos.
"Eu... eu não posso aceitar isso," murmurei, embora a dúvida estivesse clara em minha voz. Mas Roberto me olhou com a certeza de quem já sabia a resposta antes de ouvir.
"Você pode e vai aceitar," disse ele, firme. "Isso é o melhor para Lucas, e você sabe disso."
As palavras dele me atingiram como um peso. Eu queria lutar, queria gritar que ele estava errado, que o amor que eu sentia por Lucas era verdadeiro, mas minha voz morreu na garganta. Eu estava cansada, presa em um mundo de mentiras e segredos. Não sabia quanto mais conseguiria suportar.
Então, com as mãos trêmulas, peguei o envelope. O peso dele nas minhas mãos era como uma sentença. Ao aceitar, estava assinando o fim da minha história com Lucas, mas ao mesmo tempo, sentia que era a única saída que eu tinha. Talvez fosse mesmo melhor assim. Talvez, ao sair da vida dele, eu estivesse protegendo Lucas de algo pior.
"Vou embora," disse, minha voz quase um sussurro. "Mas não pense que isso é fácil para mim."
Roberto assentiu, sem demonstrar qualquer emoção. "Isso nunca é fácil, Clara. Mas é o certo. E, no fim, você vai perceber que fez a escolha certa."
Ele se levantou, me lançou um último olhar frio e saiu do café, me deixando sozinha com o dinheiro nas mãos e um buraco no peito. As lágrimas finalmente caíram, enquanto eu encarava o envelope. Estava vendendo meu amor, aceitando que nunca mais poderia estar com Lucas.
Era o fim. E, embora eu soubesse que estava fazendo isso para protegê-lo, não conseguia parar de sentir que havia perdido tudo.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
caramba antes ela era tão confiante
2024-11-05
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