Pedro
Estava na oficina, ajustando o motor de um carro velho, quando ouvi o som de passos se aproximando. Ao me virar, vi Lucas entrando, com o rosto tenso e os ombros caídos. Ele não era de aparecer sem avisar, e a expressão em seu rosto dizia que algo estava realmente incomodando. Coloquei a chave de fenda sobre a bancada e o encarei com preocupação.
"Lucas, o que aconteceu?" perguntei, limpando as mãos com um pano sujo de graxa.
Ele suspirou profundamente antes de responder, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas. "Pedro... eu não sei o que está acontecendo, mas algo está errado entre mim e Clara. E eu não consigo entender o que é."
Meu coração apertou. Eu sabia que ele estava apaixonado por Clara e sempre falava dela com tanto entusiasmo. Ver ele assim, com os olhos abatidos, me preocupava. "Senta aí e me conta. O que te faz pensar isso?"
Lucas puxou uma cadeira e sentou-se, esfregando o rosto com as mãos antes de começar a falar. "Ultimamente, ela está distante. Sempre que tento falar sobre o que estamos passando, ela desconversa. E quando estamos juntos, parece que tem algo entre nós, como se ela estivesse escondendo alguma coisa."
Eu fiquei em silêncio, ouvindo atentamente. Conhecia Lucas bem o suficiente para saber que ele não era do tipo que criava problemas onde não existiam. Se ele estava sentindo isso, havia algo ali. "Você falou com ela sobre isso?"
"Tentei, mas ela sempre muda de assunto. E o pior é que... parece que cada vez que Alberto aparece, as coisas ficam mais estranhas. Ele finge ser meu amigo, mas eu sinto que há algo a mais. Como se ele estivesse plantando dúvidas na cabeça dela, ou pior, na minha."
"Alberto?" perguntei, franzindo a testa. Eu sempre tive uma desconfiança daquele cara. Ele parecia estar sempre no lugar errado na hora certa, e nunca me pareceu sincero. "Você acha que ele está interferindo?"
Lucas assentiu. "Sim, mas não tenho como provar. É só uma sensação... algo que não consigo ignorar. E agora, com Clara agindo desse jeito, não sei mais o que pensar."
Fiquei em silêncio por um momento, processando tudo o que ele havia dito. A situação era complicada, e Lucas estava claramente à beira de uma crise. "Olha, irmão," comecei, escolhendo as palavras com cuidado, "às vezes, as pessoas escondem coisas não porque querem machucar, mas porque estão com medo de algo. Clara pode estar lidando com algo que não tem a ver com você diretamente, mas que ela acha que você não entenderia."
Ele suspirou de novo, ainda mais profundamente. "Eu pensei nisso, mas... não sei. Sinto como se estivesse perdendo o controle de tudo. Como se cada passo que eu desse em direção a ela, ela se afastasse mais."
Eu enxuguei a testa com o antebraço, ainda suado do trabalho, e olhei para Lucas. "Talvez a melhor coisa a fazer seja confrontá-la de uma vez, pedir para ela ser honesta com você. Eu sei que você a ama, mas se ela está escondendo algo, você precisa descobrir o que é antes que isso te consuma."
Lucas ficou em silêncio, claramente processando o que eu havia dito. "Eu só... eu não quero que isso acabe. Mas, ao mesmo tempo, não sei como lidar com essa sensação de que há algo entre nós. E o pior é que, toda vez que olho para Clara, é como se ela estivesse com medo de me contar algo."
"Medo?" perguntei, intrigado. Isso acrescentava um novo nível à situação. Clara sempre me pareceu alguém segura de si, então, se havia algo que a fazia hesitar ou temer, era grave.
Lucas assentiu, os olhos fixos no chão. "Sim, é isso. Medo. Não sei do que, mas eu posso sentir isso nela."
Eu coloquei uma mão no ombro dele, tentando transmitir um pouco de força. "Escuta, Lucas, se você sente que ela está com medo, então você precisa descobrir o motivo. Seja algo sobre ela, sobre vocês, ou até sobre outra pessoa... você merece saber a verdade."
Ele olhou para mim, a dúvida clara em seus olhos. "E se a verdade for algo que eu não quero ouvir?"
Soltei um longo suspiro. "Às vezes, a verdade dói, irmão. Mas é sempre melhor saber do que viver na incerteza. Você precisa ser forte e preparado para qualquer resposta que ela possa te dar."
Lucas assentiu lentamente, absorvendo minhas palavras. "Eu vou falar com ela hoje. Preciso saber o que está acontecendo, antes que seja tarde demais."
Eu apertei o ombro dele uma última vez. "Estou aqui se precisar de qualquer coisa. Você não está sozinho nisso."
Ele se levantou e me deu um meio sorriso, ainda sombrio, mas um pouco mais resoluto. "Obrigado, Pedro. Eu realmente precisava conversar com alguém."
"Qualquer hora, você sabe disso."
Lucas saiu da oficina, e eu fiquei ali, pensativo. Algo não estava certo, e a presença de Alberto nessa história só tornava tudo mais suspeito. Se Clara realmente estivesse escondendo algo, e se Alberto estivesse de alguma forma envolvido, Lucas estava prestes a enfrentar algo grande. E eu faria tudo para ajudá-lo a descobrir a verdade.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
gente quanto mistério
2024-11-05
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