O silêncio que se seguiu à declaração de Lucas era ensurdecedor. O ar estava denso, como se todas as emoções contidas estivessem prestes a explodir. Eu sentia meu coração disparar enquanto observava seu rosto, buscando um sinal de que ele realmente estava decidido. A batalha interna que Lucas enfrentava era visível, e eu queria ser a luz que iluminasse seu caminho.
“Vou lutar por nós, Clara.” Essas palavras eram música para meus ouvidos, mas também carregavam um peso imenso. O que isso realmente significava? A incerteza do futuro era um fardo que eu não queria que ele carregasse sozinho. Ele já estava tão sobrecarregado pela pressão de seu pai e pelas expectativas que o cercavam.
“Lucas...” comecei, a voz trêmula. “Você não precisa fazer isso por mim. Você não deve se sentir obrigado a lutar.” Era a verdade que eu não queria admitir, mas o peso das expectativas era algo que ambos estávamos sentindo. O que era mais importante: o amor que compartilhávamos ou a necessidade de corresponder aos desejos dos outros?
Mas Lucas olhou para mim com uma determinação que eu nunca havia visto antes. “Não, Clara. Isso não é apenas por você. É por nós. Por tudo o que construímos juntos.” As palavras dele vibravam em meu peito, e eu sabia que ele falava com sinceridade. Porém, o medo de não sermos capazes de enfrentar o que estava por vir também se infiltrava em minha mente.
Enquanto o olhar de Lucas se fixava em mim, percebi que havia algo mais em jogo aqui. Não era apenas a nossa felicidade, mas também a relação dele com seu pai. A sombra de Roberto parecia pesar sobre nós, e o peso dessa expectativa se tornava cada vez mais difícil de suportar. Como poderíamos ser felizes se Lucas estivesse lutando contra sua própria família?
“Você está certo sobre uma coisa,” eu disse, respirando fundo. “Precisamos enfrentar isso juntos. Mas isso significa que não podemos nos deixar levar apenas pelo amor. Precisamos ter um plano.” Olhei para os dois homens que estavam na sala, cada um representando um lado dessa batalha. A força e a rigidez de Roberto, a confiança e a liberdade que Alberto parecia emanar. Ambos tinham suas visões sobre o que significava amar e ser amado.
Roberto se aproximou, seus olhos frios analisando a situação. “Amor é importante, sim, mas não pode ser a única coisa em que você baseia suas decisões. Há um mundo lá fora, e ele não é gentil com os fracos.” A maneira como ele disse isso me fez sentir um nó no estômago. Ele tinha razão, mas eu não queria que Lucas visse o amor como uma fraqueza.
“E o que você sugere, Roberto?” perguntei, tentando manter a calma. “Devemos apenas ignorar o que sentimos? Deixar que suas expectativas nos moldem?”
Lucas me lançou um olhar de surpresa, mas eu estava decidida. Não podíamos deixar que a pressão de seu pai nos separasse. A verdade era que eu estava tão cansada de me sentir como um fardo. Cansada de lutar contra a percepção de que eu era apenas uma noiva, um papel a ser desempenhado, e não uma parceira igual.
Roberto hesitou, como se a pergunta o tivesse pegado de surpresa. “Não, claro que não. Mas precisamos garantir que nossas escolhas sejam sensatas. Você, Clara, deve entender que a vida exige compromisso e sacrifício.” A insistência dele na lógica me irritou, mas havia um fundo de preocupação que eu não podia ignorar.
“Mas e se esse compromisso custar a nossa felicidade?” questionei. “Se o que você nos impõe apenas nos separa? Amor não é apenas um compromisso, é também um desejo de estar junto, de lutar um pelo outro.” A frustração se misturava à determinação. Precisávamos de um entendimento, não de uma luta.
Nesse momento, Alberto decidiu intervir. “Talvez devêssemos sentar e conversar sobre isso. O que vocês querem realmente? Quais são suas expectativas?” Ele falava com uma calma que parecia desarmar a tensão. Mas eu não sabia se podia confiar nele. Havia algo em seu jeito que me deixava desconfortável, como se ele estivesse sempre jogando um jogo que eu não conhecia.
“Eu quero ser feliz com Lucas,” eu disse, com uma clareza que vinha de dentro. “Quero que ele seja feliz. Não podemos permitir que isso nos destrua.” O olhar dele era firme, e pela primeira vez, ele pareceu realmente ouvir minhas palavras.
“E eu quero a mesma coisa, Clara,” Lucas respondeu, segurando minha mão. Seu toque era firme, e eu percebi que havia força em nossa conexão, mesmo que o mundo ao nosso redor estivesse desmoronando. Ele olhou para seu pai. “Mas isso significa que precisamos ser livres para tomar nossas próprias decisões. Precisamos do seu apoio, pai.”
A tensão no ar parecia palpável. Roberto olhou para mim, depois para Lucas. Ele estava lutando com seus próprios demônios. Eu podia ver isso em seu olhar. Ele queria ser um bom pai, mas também estava preso em sua visão rígida do que um homem deve ser.
“Vocês têm razão,” ele finalmente disse, a voz mais baixa, quase um sussurro. “Mas é difícil para mim ver meu filho seguir um caminho que eu não consigo entender. Quero proteger você, Lucas. Quero que você tenha uma vida melhor do que eu tive.”
As palavras de Roberto pareciam uma concessão, e por um momento, eu me perguntei se ele poderia se abrir para a ideia de que o amor era a chave para a felicidade. Talvez houvesse esperança.
Mas a preocupação ainda me consumia. O que aconteceria se nós não conseguíssemos superar esses desafios? O que aconteceria com nós dois se o amor não fosse suficiente? A pressão social, as expectativas, as normas familiares... tudo isso pesava em nossas costas como uma âncora.
Lucas e eu trocamos um olhar, e naquele instante, percebi que éramos mais fortes juntos do que sozinhos. Não importava o que o futuro reservasse, eu estava disposta a lutar ao lado dele, não importa quão difícil fosse.
E assim, com um misto de esperança e medo, decidi que não apenas lutaria pelo nosso amor, mas também por uma mudança. Uma mudança que, se permitida, poderia não apenas mudar nossas vidas, mas também a dinâmica que nos cercava.
“Então vamos nos sentar e conversar,” eu disse, tentando acalmar a tempestade que havia se formado. “Precisamos encontrar um caminho que funcione para nós três.” A determinação crescia em meu peito, e eu sabia que essa era a hora de transformar nosso amor em ação, de não apenas sonhar com um futuro, mas de criá-lo.
Olhei para Lucas e vi um brilho em seus olhos. Era o mesmo brilho que eu sentia quando imaginava um futuro juntos. O amor era a nossa arma, e juntos, estávamos prontos para enfrentar o que viesse a seguir.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
VAMOS ver no que vai dar
2024-11-02
1
Jaquerds
/Shy/
2024-10-28
1