Era um dia ensolarado e a primavera estava no ar. O vento suave trazia o doce perfume das flores que começavam a brotar em todo o parque. Eu estava sentada em um banco, com meu caderno no colo, tentando me concentrar na história que estava escrevendo. A inspiração não estava fluindo como eu esperava, e eu precisava de algo para estimular minha criatividade.
Enquanto rabiscava algumas ideias, meu olhar vagou pelo parque. As pessoas passavam, algumas caminhando com cachorros, outras correndo ou simplesmente desfrutando do dia. Eu sempre amei a energia de um lugar assim; a vida pulsando ao meu redor me fazia sentir conectada com o mundo.
Foi então que notei um jovem sentado em um banco próximo, com um livro aberto em suas mãos. Ele parecia tão imerso na leitura que não percebeu quando me aproximei. Curiosa, olhei por cima do ombro dele e vi que era um clássico da literatura — algo que eu adorava. A cena me fez sorrir. Não consegui resistir e decidi me apresentar.
“Oi! Você está lendo um ótimo livro,” eu disse, tentando quebrar o gelo.
Ele ergueu os olhos, um pouco surpreso, mas logo sorriu de volta. “Oi! Obrigado. É um dos meus favoritos. Você já leu?”
“Sim, é incrível! A forma como o autor captura as emoções é inspiradora. Qual parte você está mais gostando?” perguntei, entusiasmada.
Ele fechou o livro, como se estivesse decidido a me dar toda a atenção. “Na verdade, estou na parte em que o protagonista finalmente enfrenta seus medos. É interessante como isso se relaciona com a vida real, não é?”
“Com certeza! Todos nós temos nossos medos e desafios. Às vezes, enfrentá-los é a única maneira de crescer.” Meu coração começou a acelerar. Havia algo nessa conversa que me deixava animada. Ele tinha uma perspectiva madura para alguém tão jovem.
“Eu sou Lucas, aliás,” ele se apresentou, estendendo a mão.
“Clara,” eu respondi, apertando sua mão. Era uma pegada firme e confiante. “E você gosta de ler? Parece que você tem bom gosto!”
“Gosto muito. A leitura é uma forma de escapar e explorar novas ideias. Eu também escrevo, mas só para mim. Acha que um dia conseguiria publicar algo?” Lucas perguntou, o olhar curioso.
“Acredito que todos nós temos algo a dizer, se tivermos coragem de compartilhar. A escrita é uma maneira poderosa de se expressar,” eu respondi, sentindo que ele realmente compreendia a paixão pela escrita que tanto valorizava.
Ele sorriu novamente, e aquele sorriso era contagiante. “Adoraria saber o que você escreve. Sempre pensei que seria legal compartilhar minhas histórias, mas tenho medo do que as pessoas vão pensar.”
“Medo é uma parte natural do processo criativo. Eu mesma passei por isso. Mas, no final, a única coisa que realmente importa é a autenticidade da sua voz. Você deve se permitir ser vulnerável,” eu disse, lembrando-me de minha própria jornada como escritora.
Lucas parecia refletir sobre minhas palavras. “Talvez você esteja certa. A vulnerabilidade pode ser libertadora.” Ele então olhou ao redor, como se buscando um tema para a conversa. “Você costuma vir aqui frequentemente?”
“Sim, gosto desse lugar. É calmo e inspira minha escrita. E você? O que traz um leitor tão dedicado para o parque?” perguntei, brincando.
“Bem, eu venho aqui sempre que posso. É o único lugar onde consigo escapar da pressão das obrigações. Meu pai quer que eu siga uma carreira em administração, mas não tenho certeza se é isso que quero,” ele respondeu, e seu olhar se desviou para o chão, como se carregasse um fardo.
Eu entendia perfeitamente. O peso das expectativas dos pais era algo que eu conhecia bem. “Eu sei como é isso. A pressão para se encaixar em um molde pode ser esmagadora. Às vezes, precisamos nos afastar e explorar o que realmente nos faz felizes.”
Lucas assentiu, parecendo aliviado por encontrar alguém que compreendia suas lutas. “É bom encontrar alguém que pensa assim. Eu tenho um amigo que é bem compreensivo, mas ainda assim, é difícil compartilhar meus verdadeiros sentimentos sobre isso.”
“É normal sentir-se assim. Às vezes, as pessoas não percebem que, por trás das expectativas, estamos apenas tentando encontrar nosso caminho.” O sol começava a se pôr, lançando uma luz dourada ao nosso redor.
“O que você gosta de escrever?” ele perguntou, inclinando-se para frente com curiosidade.
“Escrevo histórias que exploram as emoções humanas. Às vezes, são ficções, às vezes reflexões sobre a vida. A escrita é como um espelho que reflete o que sentimos. E você, já pensou em compartilhar suas histórias?” Perguntei, desejando incentivá-lo.
“Na verdade, sim. Talvez você possa me ajudar com isso um dia,” Lucas disse, um brilho de esperança em seus olhos.
“Claro! Eu adoraria. Podemos nos encontrar aqui mais vezes. Adoro discutir histórias e trocar ideias,” eu respondi, animada com a possibilidade de um novo amigo criativo.
Enquanto conversávamos, o tempo parecia voar. Era como se estivéssemos em nosso próprio mundo, onde nada mais importava. O sol se pôs completamente, e as luzes do parque começaram a brilhar, refletindo a mágica daquela conexão recém-formada.
“Eu realmente gostei de te conhecer, Clara. Você trouxe uma nova perspectiva ao meu dia,” Lucas disse, levantando-se para se despedir.
“O mesmo aqui, Lucas. Estou ansiosa para ver aonde essa amizade nos levará.” Sorri, sentindo uma alegria que não havia sentido há tempos.
Enquanto nos afastávamos, o mundo ao nosso redor parecia mais vibrante e cheio de possibilidades. Clara havia encontrado não apenas um novo amigo, mas também um espírito afim. O parque se tornara o cenário de um encontro que desafiou nossas expectativas, e eu sabia que estava prestes a embarcar em uma nova e emocionante jornada, cheia de histórias para contar.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
não estou entendendo nada
2024-11-02
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