Capítulo 4: O Eco da Desilusão

As palavras de meu pai ecoavam em minha mente como um tambor distante, pesado e ameaçador. Ele sempre foi uma força a ser respeitada, mas naquele momento, a dureza de sua voz se sentia como uma prisão, e eu estava começando a perder a esperança de um futuro que imaginara. Clara estava ali, à minha frente, com o vestido sujo de lama, e cada mancha parecia um lembrete de que a realidade havia desmoronado ao nosso redor.

“Amor não é tudo, meu filho!” A frase de meu pai ressoou em meu cérebro, uma verdade amarga que eu relutava em aceitar. O que mais importava, então? O que seria de nós se não pudéssemos nos apoiar em nossos sentimentos? Olhei para Clara e vi a fragilidade dela refletida em seus olhos, e isso partiu meu coração.

“Como você pode dizer isso?” Eu não queria ser desrespeitoso, mas as palavras saíram de mim como um grito de protesto. “Como pode falar de amor dessa forma? É o que nos mantém juntos, é o que nos faz lutar!” O desespero enchia meu peito, e eu estava prestes a explodir em frustração.

Roberto estava ali, forte como sempre, mas havia um semblante de intransigência em seu olhar que me fazia questionar sua capacidade de compreender o que realmente importava. Ele não via que a fragilidade de Clara não era um sinal de fraqueza, mas uma oportunidade de amar e apoiar. Aquela situação era tudo o que eu sempre quis, e, mesmo assim, parecia que tudo estava escapando de minhas mãos.

“Lucas, por favor,” Clara murmurou, a voz trêmula. Eu podia ver a batalha que ela travava dentro de si mesma. “Não precisa lutar com seu pai assim.” Mas era exatamente isso que eu queria fazer. Eu queria que ela soubesse que estava ao seu lado, que não a abandonaria, mesmo quando tudo parecia desmoronar.

“Você não entende, Clara,” respondi, buscando coragem. “Não posso deixá-lo me levar com essa pressão. Não posso deixar que ele decida meu futuro.” Minha voz falhava, mas havia uma determinação crescente dentro de mim. Não era apenas meu pai que estava tentando moldar meu destino; era também a sociedade, a tradição e todas as expectativas que pesavam sobre meus ombros.

Alberto entrou na conversa, como sempre, com seu tom tranquilo e persuasivo. “Talvez seja melhor dar um passo para trás, Lucas. Às vezes, precisamos ouvir e refletir antes de agir.” Ele parecia genuinamente preocupado, mas havia algo em sua postura que me deixava inquieto. O que ele queria de verdade? Era amigo ou um manipulador sorrateiro?

“Refletir? Sobre o quê?” A frustração queimava dentro de mim. “Sobre como nosso amor pode ser transformado em mais uma obrigação? Você e meu pai não entendem nada. Esse não é apenas um compromisso; é a nossa vida, e estamos prestes a jogá-la fora!”

As palavras saíram com mais fervor do que eu pretendia. O olhar de Clara estava fixo em mim, quase como se ela estivesse tentando entender o que eu estava realmente sentindo. Era como se, no fundo, ela soubesse que eu estava lutando contra muito mais do que apenas meu pai ou a situação atual. Estava lutando contra as expectativas que me foram impostas, contra o medo de não ser o homem que todos esperavam que eu fosse.

“Lucas,” Clara disse, sua voz mais suave agora, “não precisamos deixar que isso nos destrua. Podemos encontrar uma solução.” Ela parecia tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão forte. Mas a verdade é que eu não tinha certeza de como encontrar essa solução. A tempestade dentro de mim estava crescendo e não parecia haver saída.

“E se não houver uma solução?” retruquei, a dor transparecendo em minha voz. “E se não pudermos escapar do que nos foi imposto? Meu pai nunca vai aceitar isso.”

As palavras de Roberto ainda reverberavam em minha mente: “Você precisa ser responsável, forte.” O que ele considerava responsabilidade? Deixar de lado meu amor por Clara em nome de uma honra que parecia tão vazia? Eu não queria ser um peso, um fardo para ela. O olhar dela estava repleto de expectativa e esperança, e eu não sabia se era capaz de atender a essas expectativas.

“Talvez eu devesse apenas ceder,” eu disse, mais para mim mesmo do que para os outros. A ideia de desistir do que amava, de abandonar Clara e tudo o que havíamos construído juntos, me deixou paralisado. Era como se uma parte de mim estivesse lutando para se libertar, enquanto outra estava presa ao que meu pai desejava.

“Não, Lucas,” Clara disse, levantando-se de onde estava sentada. “Você não pode desistir de nós. Eu não posso aceitar isso. Você precisa lutar.” A determinação em sua voz me fez hesitar. A paixão e a sinceridade em seu olhar eram como um farol em meio à escuridão que me cercava.

Eu sabia que ela tinha razão. Amar não é fácil, mas era a única coisa que realmente importava. Se meu pai não pudesse entender isso, talvez fosse a hora de eu tomar uma decisão. Uma decisão que mudaria o curso de nossas vidas.

Tirei um momento para respirar fundo e percebi que estava em um ponto de inflexão. Se eu realmente amava Clara, precisava enfrentar os desafios de cabeça erguida. O que meu pai pensava não deveria ser a única coisa que definisse quem eu era. Eu precisava ser forte, mas não da maneira que ele esperava. A força verdadeira viria do amor, e não do medo.

“Está bem,” eu disse, decidindo. “Vou lutar por nós, Clara. Não posso prometer que será fácil, mas estou pronto para enfrentar o que vier.” O que quer que isso significasse, eu estava decidido a seguir em frente.

Olhei para Alberto e Roberto, que trocavam olhares carregados de desapontamento e surpresa. A sala parecia mais pequena, o ar mais pesado. Mas, em meio a tudo isso, senti um novo senso de clareza se formando. Aquela luta não era apenas minha; era nossa. E se eu quisesse que essa batalha fosse vencida, precisava deixar de lado a expectativa de todos ao meu redor e focar no que realmente importava: o amor que compartilhávamos.

Com Clara ao meu lado, eu me sentia mais forte. Era hora de transformar nossa desilusão em determinação. Era hora de lutar.

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

EITA QUE BAFÃO XOQUEI

2024-11-02

1

Jaquerds

Jaquerds

/Proud/

2024-10-28

1

Ver todos
Capítulos
1 Prólogo
2 Capítulo 1: A Máscara Perfeita
3 Capítulo 2: Entre a Lealdade e o Silêncio
4 Capítulo 3: A Sombra da Autoridade
5 Capítulo 4: O Eco da Desilusão
6 Capítulo 5: O Peso das Escolhas
7 Capítulo 6: O Início de Tudo
8 Capítulo 7: A Amizade que Floresceu
9 Capítulo 8: O Encontro Inesperado
10 Capítulo 9: O Encontro no Café
11 Capítulo 10: O Encontro com Lucas
12 Capítulo 11: O Crescer do Amor
13 Capítulo 12: As Sombras da Manipulação
14 Capítulo 13: O Jogo da Manipulação
15 Capítulo 14: O Segredo de Clara
16 Capítulo 15: O Aviso
17 Capítulo 16: O Instinto de Proteção
18 Capítulo 17: O Confronto de Pedro
19 Capítulo 18: A Proposta de Roberto
20 Capítulo 19: O Fim Inesperado
21 Capítulo 20: A Dor de Lucas
22 Capítulo 21: A Verdade que Dói
23 Capítulo 22: O Jogo da Manipulação
24 Capítulo 23: A Verdade Sombria
25 Capítulo 24: Perdida na Escuridão
26 Capítulo 25: O Eco do Vazio
27 Capítulo 26: O Pedido de Pedro
28 Capítulo 27: O Plano de Alberto
29 Capítulo 28: A Decisão de Roberto
30 Capítulo 29: A Decisão de Partir
31 Capítulo 30: Como Nos Velhos Tempos
32 Capítulo 31: O Vazio da Distância
33 Capítulo 32: O Confronto de Clara
34 Capítulo 33: O Jogo de Alberto
35 Capítulo 34: Tentando salvar meu relacionamento
36 Capítulo 35: O impasse de Lucas
37 Capítulo 36: Perspectiva de Pedro
38 Capítulo 37 : Roberto Sendo Confrontado por Lucas
39 Capítulo 38 – O Plano de Alberto
40 Capítulo 39 — Clara sendo presa
41 Capítulo 40 — O melhor amigo que alguém poderia ter
42 Capítulo 41: Lucas Descobre sobre a prisão de Clara
43 Capítulo 42 - Roberto e Alberto
44 Capítulo 43 - Clara e Lucas para Sempre
45 Capítulo 44 - Pedro padrinho de casamento
46 Capítulo 45 - Alberto e as peças no seu tabuleiro
47 Capítulo 46 - Clara
48 Capítulo 47: Pedro
49 Capítulo 48 - Alberto
50 Capítulo 49: Roberto
51 Capítulo 50: Lucas
Capítulos

Atualizado até capítulo 51

1
Prólogo
2
Capítulo 1: A Máscara Perfeita
3
Capítulo 2: Entre a Lealdade e o Silêncio
4
Capítulo 3: A Sombra da Autoridade
5
Capítulo 4: O Eco da Desilusão
6
Capítulo 5: O Peso das Escolhas
7
Capítulo 6: O Início de Tudo
8
Capítulo 7: A Amizade que Floresceu
9
Capítulo 8: O Encontro Inesperado
10
Capítulo 9: O Encontro no Café
11
Capítulo 10: O Encontro com Lucas
12
Capítulo 11: O Crescer do Amor
13
Capítulo 12: As Sombras da Manipulação
14
Capítulo 13: O Jogo da Manipulação
15
Capítulo 14: O Segredo de Clara
16
Capítulo 15: O Aviso
17
Capítulo 16: O Instinto de Proteção
18
Capítulo 17: O Confronto de Pedro
19
Capítulo 18: A Proposta de Roberto
20
Capítulo 19: O Fim Inesperado
21
Capítulo 20: A Dor de Lucas
22
Capítulo 21: A Verdade que Dói
23
Capítulo 22: O Jogo da Manipulação
24
Capítulo 23: A Verdade Sombria
25
Capítulo 24: Perdida na Escuridão
26
Capítulo 25: O Eco do Vazio
27
Capítulo 26: O Pedido de Pedro
28
Capítulo 27: O Plano de Alberto
29
Capítulo 28: A Decisão de Roberto
30
Capítulo 29: A Decisão de Partir
31
Capítulo 30: Como Nos Velhos Tempos
32
Capítulo 31: O Vazio da Distância
33
Capítulo 32: O Confronto de Clara
34
Capítulo 33: O Jogo de Alberto
35
Capítulo 34: Tentando salvar meu relacionamento
36
Capítulo 35: O impasse de Lucas
37
Capítulo 36: Perspectiva de Pedro
38
Capítulo 37 : Roberto Sendo Confrontado por Lucas
39
Capítulo 38 – O Plano de Alberto
40
Capítulo 39 — Clara sendo presa
41
Capítulo 40 — O melhor amigo que alguém poderia ter
42
Capítulo 41: Lucas Descobre sobre a prisão de Clara
43
Capítulo 42 - Roberto e Alberto
44
Capítulo 43 - Clara e Lucas para Sempre
45
Capítulo 44 - Pedro padrinho de casamento
46
Capítulo 45 - Alberto e as peças no seu tabuleiro
47
Capítulo 46 - Clara
48
Capítulo 47: Pedro
49
Capítulo 48 - Alberto
50
Capítulo 49: Roberto
51
Capítulo 50: Lucas

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