As palavras de meu pai ecoavam em minha mente como um tambor distante, pesado e ameaçador. Ele sempre foi uma força a ser respeitada, mas naquele momento, a dureza de sua voz se sentia como uma prisão, e eu estava começando a perder a esperança de um futuro que imaginara. Clara estava ali, à minha frente, com o vestido sujo de lama, e cada mancha parecia um lembrete de que a realidade havia desmoronado ao nosso redor.
“Amor não é tudo, meu filho!” A frase de meu pai ressoou em meu cérebro, uma verdade amarga que eu relutava em aceitar. O que mais importava, então? O que seria de nós se não pudéssemos nos apoiar em nossos sentimentos? Olhei para Clara e vi a fragilidade dela refletida em seus olhos, e isso partiu meu coração.
“Como você pode dizer isso?” Eu não queria ser desrespeitoso, mas as palavras saíram de mim como um grito de protesto. “Como pode falar de amor dessa forma? É o que nos mantém juntos, é o que nos faz lutar!” O desespero enchia meu peito, e eu estava prestes a explodir em frustração.
Roberto estava ali, forte como sempre, mas havia um semblante de intransigência em seu olhar que me fazia questionar sua capacidade de compreender o que realmente importava. Ele não via que a fragilidade de Clara não era um sinal de fraqueza, mas uma oportunidade de amar e apoiar. Aquela situação era tudo o que eu sempre quis, e, mesmo assim, parecia que tudo estava escapando de minhas mãos.
“Lucas, por favor,” Clara murmurou, a voz trêmula. Eu podia ver a batalha que ela travava dentro de si mesma. “Não precisa lutar com seu pai assim.” Mas era exatamente isso que eu queria fazer. Eu queria que ela soubesse que estava ao seu lado, que não a abandonaria, mesmo quando tudo parecia desmoronar.
“Você não entende, Clara,” respondi, buscando coragem. “Não posso deixá-lo me levar com essa pressão. Não posso deixar que ele decida meu futuro.” Minha voz falhava, mas havia uma determinação crescente dentro de mim. Não era apenas meu pai que estava tentando moldar meu destino; era também a sociedade, a tradição e todas as expectativas que pesavam sobre meus ombros.
Alberto entrou na conversa, como sempre, com seu tom tranquilo e persuasivo. “Talvez seja melhor dar um passo para trás, Lucas. Às vezes, precisamos ouvir e refletir antes de agir.” Ele parecia genuinamente preocupado, mas havia algo em sua postura que me deixava inquieto. O que ele queria de verdade? Era amigo ou um manipulador sorrateiro?
“Refletir? Sobre o quê?” A frustração queimava dentro de mim. “Sobre como nosso amor pode ser transformado em mais uma obrigação? Você e meu pai não entendem nada. Esse não é apenas um compromisso; é a nossa vida, e estamos prestes a jogá-la fora!”
As palavras saíram com mais fervor do que eu pretendia. O olhar de Clara estava fixo em mim, quase como se ela estivesse tentando entender o que eu estava realmente sentindo. Era como se, no fundo, ela soubesse que eu estava lutando contra muito mais do que apenas meu pai ou a situação atual. Estava lutando contra as expectativas que me foram impostas, contra o medo de não ser o homem que todos esperavam que eu fosse.
“Lucas,” Clara disse, sua voz mais suave agora, “não precisamos deixar que isso nos destrua. Podemos encontrar uma solução.” Ela parecia tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão forte. Mas a verdade é que eu não tinha certeza de como encontrar essa solução. A tempestade dentro de mim estava crescendo e não parecia haver saída.
“E se não houver uma solução?” retruquei, a dor transparecendo em minha voz. “E se não pudermos escapar do que nos foi imposto? Meu pai nunca vai aceitar isso.”
As palavras de Roberto ainda reverberavam em minha mente: “Você precisa ser responsável, forte.” O que ele considerava responsabilidade? Deixar de lado meu amor por Clara em nome de uma honra que parecia tão vazia? Eu não queria ser um peso, um fardo para ela. O olhar dela estava repleto de expectativa e esperança, e eu não sabia se era capaz de atender a essas expectativas.
“Talvez eu devesse apenas ceder,” eu disse, mais para mim mesmo do que para os outros. A ideia de desistir do que amava, de abandonar Clara e tudo o que havíamos construído juntos, me deixou paralisado. Era como se uma parte de mim estivesse lutando para se libertar, enquanto outra estava presa ao que meu pai desejava.
“Não, Lucas,” Clara disse, levantando-se de onde estava sentada. “Você não pode desistir de nós. Eu não posso aceitar isso. Você precisa lutar.” A determinação em sua voz me fez hesitar. A paixão e a sinceridade em seu olhar eram como um farol em meio à escuridão que me cercava.
Eu sabia que ela tinha razão. Amar não é fácil, mas era a única coisa que realmente importava. Se meu pai não pudesse entender isso, talvez fosse a hora de eu tomar uma decisão. Uma decisão que mudaria o curso de nossas vidas.
Tirei um momento para respirar fundo e percebi que estava em um ponto de inflexão. Se eu realmente amava Clara, precisava enfrentar os desafios de cabeça erguida. O que meu pai pensava não deveria ser a única coisa que definisse quem eu era. Eu precisava ser forte, mas não da maneira que ele esperava. A força verdadeira viria do amor, e não do medo.
“Está bem,” eu disse, decidindo. “Vou lutar por nós, Clara. Não posso prometer que será fácil, mas estou pronto para enfrentar o que vier.” O que quer que isso significasse, eu estava decidido a seguir em frente.
Olhei para Alberto e Roberto, que trocavam olhares carregados de desapontamento e surpresa. A sala parecia mais pequena, o ar mais pesado. Mas, em meio a tudo isso, senti um novo senso de clareza se formando. Aquela luta não era apenas minha; era nossa. E se eu quisesse que essa batalha fosse vencida, precisava deixar de lado a expectativa de todos ao meu redor e focar no que realmente importava: o amor que compartilhávamos.
Com Clara ao meu lado, eu me sentia mais forte. Era hora de transformar nossa desilusão em determinação. Era hora de lutar.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
EITA QUE BAFÃO XOQUEI
2024-11-02
1
Jaquerds
/Proud/
2024-10-28
1