O dia estava nublado e chuvoso, típico da primavera na nossa cidade. Apesar do tempo instável, eu tinha uma tarefa a cumprir: visitar uma exposição de arte que estava em cartaz no centro cultural. Meu pai sempre acreditou que a arte era uma forma de entender o mundo, e, por mais que eu tentasse me interessar, aquilo nunca foi exatamente minha praia. No entanto, como parte do meu compromisso de agradá-lo, lá estava eu, em busca de algo que pudesse ao menos justificar minha presença.
Ao entrar no centro cultural, fui recebido por uma atmosfera de criatividade. As paredes estavam adornadas com pinturas vibrantes, e as esculturas pareciam ganhar vida sob a luz suave que filtrava pelas janelas. No entanto, a minha mente estava distante, pensando em como eu poderia escapar daquela visita sem ferir os sentimentos do meu pai.
Caminhei por algumas salas, observando as obras de arte, mas nada parecia realmente me prender a atenção. Foi então que, ao entrar em uma das salas menores, minha atenção foi capturada por uma garota que estava de pé em frente a uma pintura abstrata. Seu cabelo castanho caía em ondas suaves sobre os ombros, e ela parecia perdida em seus pensamentos. Não era apenas a beleza dela que me chamou a atenção; havia algo em sua expressão que me intrigou.
Enquanto eu observava, percebi que ela estava desenhando algo em um caderno. Um impulso repentino me fez querer saber o que ela estava criando. Aproximando-me, tentei encontrar coragem para falar. “Oi,” disse, um pouco hesitante. “Você está desenhando algo?”
Ela virou-se rapidamente, e um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto. “Oi! Estou apenas esboçando algumas ideias sobre esta pintura. É fascinante como a arte pode transmitir tantas emoções, não é?”
“Sim, definitivamente,” respondi, tentando acompanhar o ritmo da conversa. A intensidade em seu olhar me fez sentir que havia algo especial ali. “Não sou exatamente um grande apreciador de arte, mas gosto de ver como as pessoas reagem a ela.”
“Ah, você deve dar mais uma chance!” Clara disse, olhando para mim com uma empolgação genuína. “Cada obra tem uma história, uma emoção escondida. Às vezes, é preciso olhar mais de perto para entendê-las.”
Ela tinha uma maneira de falar que fazia tudo parecer mais interessante. Eu me senti atraído pela sua paixão, e, mesmo que a arte não fosse meu forte, sua presença me fazia querer saber mais. “Você gosta de desenhar?” perguntei, curioso.
“Sim! É uma forma de expressão para mim. Às vezes, quando estou triste ou confusa, desenhar é a única maneira de me sentir melhor.” O olhar dela se suavizou ao falar sobre isso, e eu me senti mais à vontade. Havia uma vulnerabilidade na forma como ela se expressava que era cativante.
“A arte é uma forma de escapar da realidade, não é?” eu disse, lembrando das minhas próprias lutas. Clara assentiu, e o entendimento entre nós se intensificou. “Acho que todos nós precisamos de um lugar seguro para nos escondermos, mesmo que seja por um momento.”
Nesse momento, percebi que estávamos em sintonia. Nossos sentimentos e experiências se entrelaçavam de forma inesperada. Conversamos sobre tudo — sobre nossos medos, aspirações e como a arte, de alguma forma, nos ajudava a enfrentar a vida.
“Eu nunca pensei que teria uma conversa tão profunda em uma exposição de arte,” eu comentei, rindo levemente. “Geralmente, sou mais reservado e cético sobre essas coisas.”
“Às vezes, tudo o que precisamos é de alguém com quem compartilhar nossos pensamentos,” Clara respondeu, sua voz suave, mas cheia de determinação. “E você parece uma pessoa interessante, mesmo que não goste de arte.”
Aquela frase me fez sorrir. Era raro eu me sentir à vontade o suficiente para ser eu mesmo, especialmente em uma situação como aquela. Clara parecia ver além da fachada que eu mantinha para proteger meus sentimentos. A conexão entre nós estava se formando rapidamente, e eu estava ansioso para explorá-la.
“O que mais você gosta de fazer, além de desenhar?” perguntei, curioso sobre mais do que ela tinha a oferecer.
“Gosto de escrever também. Criar histórias e personagens é algo que me fascina. É como se eu pudesse viver em outros mundos por meio das palavras.” O brilho em seus olhos ao falar sobre isso era contagiante, e percebi que a paixão dela por criar ultrapassava qualquer barreira que eu havia levantado.
“Você tem que me mostrar seus desenhos e suas histórias um dia,” sugeri, sentindo uma empolgação crescer dentro de mim. “Eu adoraria ver o que você cria.”
Clara sorriu com um ar de satisfação. “Combinado! E quem sabe, você pode até me ajudar a encontrar a história que está escondida atrás de alguma dessas pinturas.”
A ideia de colaborar com ela em algo criativo era instigante. Naquele momento, percebi que não apenas havia encontrado alguém que compartilhava minhas inquietações, mas também uma nova amiga que me desafiava a ser melhor. A conversa fluiu facilmente, e, à medida que o tempo passava, eu percebia que não queria que aquele momento chegasse ao fim.
No final da exposição, trocamos números de telefone e combinamos de nos encontrar novamente. A ideia de continuar a conversa e a amizade me deixou animado. Enquanto saía do centro cultural, não pude deixar de me sentir mais leve, como se uma nova luz tivesse entrado na minha vida.
Naquele dia, conheci Clara, uma garota que desafiava minhas perspectivas e que, sem eu perceber, começava a me ajudar a enfrentar meus próprios medos e inseguranças. Eu sabia que ela era especial e que havia algo mais profundo entre nós. À medida que caminhava para casa, uma nova esperança se acendia dentro de mim. Finalmente, algo estava mudando, e eu estava pronto para explorar isso.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
não entendi nada
2024-11-02
1