O som da chuva batendo contra as janelas de vidro era como uma música suave para os ouvidos de Alberto. Ele observava o caos se desenrolar com uma satisfação que não podia expressar em público. Da posição privilegiada no canto da sala, quase invisível aos olhos atentos dos outros, ele estudava cada movimento, cada expressão de nervosismo e desespero. Não era exatamente o que ele havia planejado, mas, como sempre, Alberto sabia se adaptar.
Lucas estava inquieto. O jovem andava de um lado para o outro, com os punhos cerrados e o olhar perdido, como se pudesse encontrar, no reflexo da janela, alguma resposta para seus tormentos. Clara, sua adorável noiva, estava sentada no sofá, as mãos trêmulas tentando limpar as manchas de lama do vestido de noiva. O desespero dela era quase palpável.
Pobre Clara, pensou Alberto, com um meio sorriso no rosto. Tão inocente... tão fácil de manipular. Ele se lembrava de cada palavra cuidadosamente escolhida, de cada sussurro que plantou dúvida no coração dela. Mas o trabalho pesado foi feito por suas próprias inseguranças, por aquele medo latente de não ser boa o suficiente para Lucas, ou pior, de que o amor de Lucas não fosse verdadeiro.
E Roberto, o pai inflexível, estava em outra sala, talvez discutindo com alguém ou tentando controlar a situação. O velho idiota. Ele se achava tão poderoso, mas não passava de uma marionete, puxada por cordas invisíveis que Alberto controlava com precisão. Cada decisão, cada olhar de desprezo que Roberto lançava ao filho, contribuía para a ruína iminente. Alberto não precisava levantar a voz ou se revelar; tudo estava fluindo conforme o plano.
Pedro, o amigo fiel, estava sentado ao lado de Clara, tentando consolá-la. Outro tolo, pensou Alberto. Pedro não fazia ideia de que seu próprio coração o traía, de que seu consolo inabalável só complicava ainda mais seus sentimentos por Clara. O jovem tentava ser um bom amigo, mas era transparente para os olhos treinados de Alberto. Todos ali eram previsíveis. Exceto ele.
O plano havia começado simples: destruir a felicidade de Lucas. Desde o início, algo em Lucas o incomodava. Talvez fosse o otimismo estúpido que o rapaz carregava consigo ou a facilidade com que conseguia tudo o que queria. A inveja corroía Alberto, um sentimento que ele já havia aceitado como parte de quem era. Mas esse não era apenas um capricho infantil, era uma necessidade. Ele queria ver Lucas falhar, queria ver a perfeição dele desmoronar.
E Clara... bem, ela foi apenas uma peça conveniente. Uma noiva atormentada, insegura, fácil de manipular com as palavras certas. Bastava uma leve sugestão, uma dúvida plantada com cuidado, e o resto se desenrolava sozinho. A lama no vestido de noiva era apenas o começo do que ele havia preparado para ela.
Alberto recostou-se na cadeira, os olhos semicerrados enquanto analisava o resultado até agora. Havia algo quase poético em como tudo estava desmoronando naquele dia que deveria ser de pura felicidade. O olhar desesperado de Lucas, a angústia de Clara, o desespero silencioso de Pedro... tudo isso era a música perfeita para os seus ouvidos.
Mas ele ainda não havia terminado.
Ainda havia segredos a serem revelados, mentiras a serem expostas. Ele sabia que, em breve, teria que entrar em cena de verdade, fingindo ser o salvador, o único capaz de "ajudar" aquela situação a se resolver. E quando o caos atingisse seu ápice, ele já estaria posicionado para colher os frutos.
Alberto levantou-se lentamente, ajeitando o terno impecável e caminhando até o espelho mais próximo. Olhou para seu próprio reflexo e sorriu. Era a máscara perfeita: o homem amigável, o conselheiro sábio, o amigo leal. Ninguém suspeitava de nada.
Ainda não, ele pensou, enquanto se preparava para entrar na sala. O jogo estava apenas começando, e ele sabia que era o único jogador que conhecia todas as regras.
Com um último olhar para o grupo de pessoas que ele estava prestes a destruir por completo, Alberto abriu a porta. O show continuaria.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
gente o que é isso que poder destrutivo esse homem possui
2024-11-02
1
Jaquerds
/Proud/
2024-10-28
1