Roberto observava a cena do canto da sala, seu olhar fixo em Lucas e Clara, dois jovens que pareciam perdidos em um mundo de desilusão. O coração do pai se apertava ao ver seu filho daquela forma, mas ele não poderia ceder a essa fraqueza. A educação rígida que lhe fora imposta durante a infância moldou sua visão de mundo; ele acreditava que um homem precisava ser forte, não apenas por si mesmo, mas pela família. A fragilidade de Lucas o preocupava.
O que havia acontecido com meu filho? A pergunta o atormentava, mas ele não tinha respostas. Roberto sabia que sua abordagem direta e autoritária, embora motivada pelo amor, havia gerado um abismo entre eles. Ele sempre esperou que Lucas se tornasse um homem forte, capaz de enfrentar os desafios da vida. No entanto, o que ele via agora era um jovem debilitado pela dúvida e pela insegurança.
O casamento se aproximava, e todos os preparativos estavam em andamento, mas a atmosfera naquela sala estava carregada de tensão. Clara, sua futura nora, tentava se recompor, mas as manchas de lama em seu vestido de noiva a traíam. Era um símbolo do que estava por vir. Ele havia observado a relação deles se deteriorar nos últimos meses e se perguntava se estava na hora de tomar uma atitude mais drástica.
Roberto sabia que a maioria dos pais se alegraria em ver seus filhos apaixonados, mas para ele, o amor parecia um fardo, uma vulnerabilidade. Ele sempre fora o primeiro a mostrar aos filhos o que significava a realidade: a vida não era um conto de fadas, e as promessas muitas vezes eram quebradas. Ele tinha que preparar Lucas para a vida, mas como poderia fazer isso se ele não estava disposto a ouvir?
No fundo de sua mente, uma sombra de dúvida se instalava. E se eu estivesse errado? Essa ideia o atormentava, mas ele rapidamente a afastava. Ele sabia que sua própria história era repleta de desafios que o moldaram. Ele não teve tempo para ser fraco. Por que Lucas não poderia fazer o mesmo?
Alberto, sempre presente, parecia ser a única figura que oferecia alguma esperança àqueles jovens. Ele era carismático e tinha a habilidade de entrar no coração das pessoas, mas Roberto sentia um leve desconforto em relação a ele. Havia algo em seu olhar, uma astúcia que não conseguia ignorar. O que ele realmente quer? Essa pergunta ecoava em sua mente.
Roberto se aproximou, interrompendo os pensamentos que o atormentavam. "Precisamos falar," disse, sua voz firme e controlada. Clara levantou a cabeça, e ele notou a expressão de desespero em seu rosto. Lucas, no entanto, desviou o olhar, como se temesse a conversa.
"Sobre o que, pai?" Lucas respondeu, a voz tensa. Roberto notou a resistência no tom do filho e sentiu a frustração subir. Isso não é um momento de fraqueza!
"Sobre você e Clara. Este casamento não pode ser apenas uma fuga. Temos um nome a zelar, uma reputação. O que aconteceu aqui não é aceitável." As palavras saíram de sua boca como uma sentença. Ele não pretendia ser cruel, mas a responsabilidade que sentia pesava sobre ele como uma montanha.
"Mas pai, eu...," Lucas começou, a voz trêmula. Roberto ergueu a mão, interrompendo-o.
"Não! Você precisa entender que o amor não é suficiente. Não pode ser. Você precisa ser responsável, forte. Não podemos nos permitir fraquezas." Ele olhou para Clara, que parecia à beira das lágrimas. Esse não era o dia para ser fraco, pensou Roberto.
Alberto, que observava em silêncio, parecia compreender a gravidade da situação. Ele se aproximou, com um sorriso tranquilizador, como sempre. "Roberto, talvez seja melhor darmos um tempo. Deixá-los respirar um pouco," sugeriu, e a forma como pronunciou aquelas palavras fez Roberto sentir uma pontada de raiva. Quem ele pensa que é?
"Não, Alberto. Isso não é um momento de fraqueza," Roberto respondeu, sua voz mais alta agora. "Eles precisam aprender que a vida é dura. Ninguém vai lhes dar nada se não lutarem por isso."
Alberto apenas assentiu, mas havia algo em seu olhar que Roberto não gostou. Ele virou-se novamente para Lucas, que agora olhava com indignação.
"Eu só quero fazer o que é certo, pai. Amar Clara é tudo o que eu quero. É por isso que estamos aqui," Lucas insistiu, o tom de revolta crescendo.
"Amor não é tudo, meu filho! Você precisa ser um homem. Este mundo não é gentil com os fracos." A dureza na voz de Roberto era palpável, e ele viu o olhar de Clara se desviar, como se sua presença fosse insuportável.
Enquanto a tensão aumentava, Roberto sentiu-se lutando contra uma maré crescente de emoção. Ele se lembrou de sua própria juventude, de quando as decisões pesavam em seu peito, e de como ele lutara para se manter firme. Eu não posso falhar com Lucas, pensou, e essa ideia se tornou sua âncora.
A pressão aumentava, e a sala parecia encolher ao redor deles. Ele precisava ser o pilar, a figura que poderia guiar seu filho, mas a dúvida o acompanhava como uma sombra. Ele não podia deixar que essa fraqueza tomasse conta, não podia permitir que o amor, aquele amor que ele considerava tão frágil, destruísse tudo o que ele havia trabalhado para construir.
"Vamos resolver isso de uma vez por todas," disse Roberto, sua voz baixa e controlada, mas cheia de determinação. Ele sabia que precisava tomar uma atitude, mesmo que isso significasse ferir aqueles que amava.
E assim, Roberto se preparou para ser a figura de autoridade que sempre foi, mesmo quando seu coração clamava por empatia. Ele se lembrou de que o amor também pode machucar, e que, às vezes, era preciso ser duro para proteger aqueles que se amava.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
CARAMBA GENTE QUE BAFÃO
2024-11-02
1
Jaquerds
/Drool/
2024-10-28
1