A tarde estava amena, e o aroma do café fresco pairava no ar. O pequeno café no centro da cidade, conhecido por seus bolos e sobremesas caseiras, era meu refúgio após uma semana cheia de desafios e pressões. Como pai de Lucas, eu sempre tentava ser a melhor versão de mim mesmo, mas a responsabilidade de garantir que meu filho tivesse um futuro promissor pesava sobre meus ombros.
Naquele dia, eu estava sentado em uma mesa no canto, observando as pessoas que passavam. A maioria parecia tão imersa em suas próprias vidas, conversando animadamente ou digitando em seus laptops. Enquanto isso, eu tomava um gole do meu café, refletindo sobre as cobranças que enfrentava diariamente. As expectativas em relação a Lucas eram um fardo constante, e eu me sentia cada vez mais impaciente com o mundo ao meu redor.
Foi então que vi Clara entrar no café. Ela estava com um caderno nas mãos e um olhar sonhador, quase como se estivesse perdida em suas próprias ideias. O movimento despreocupado dela pelo espaço me irritou um pouco; era como se ela não tivesse nada de realmente importante para fazer. Quando ela hesitou, procurando um lugar para se sentar, eu me levantei, decidido a me manifestar.
“Ei, você!” chamei, um pouco mais alto do que o necessário. Clara virou-se, surpresa, e eu continuei: “Por que não procura algo útil para fazer em vez de ficar por aí escrevendo bobagens? O mundo não precisa de mais histórias.”
Ela me olhou, e um sorriso desdenhoso surgiu em seu rosto. “E quem você pensa que é, velho resmungão? Parece que você não tem nada melhor para fazer do que criticar quem tenta se expressar.”
As palavras dela me pegaram desprevenido. Eu estava acostumado a ser respeitado, e a ousadia dela me irritou ainda mais. “Escuta, não é sobre você. É sobre o que realmente importa na vida. Você deveria se concentrar em algo que tenha um impacto real. O que você espera conseguir escrevendo em um caderno? Isso não vai levar a lugar nenhum.”
Clara não se deixou abater. “Talvez eu prefira criar algo significativo em vez de simplesmente seguir o que os outros esperam de mim. A vida não é só sobre ser prático; é sobre se expressar e encontrar o que realmente importa. E, sinceramente, quem precisa de alguém que só reclama de tudo?”
O olhar determinado dela me surpreendeu. Havia uma chama dentro dela que não era comum. “Olha, eu só digo o que penso,” respondi, tentando manter um tom de superioridade, mas eu sabia que a raiva estava me consumindo. “Você deveria ser mais realista.”
Ela cruzou os braços, seu sorriso agora uma expressão de desafio. “E você deveria relaxar. A vida não precisa ser uma constante batalha contra os sonhos dos outros. Algumas pessoas simplesmente querem criar e explorar, e isso não é menos válido do que qualquer carreira que você ache mais útil.”
O que começou como uma interação negativa começou a se transformar em um jogo de palavras. Clara não era como as outras pessoas que eu costumava encontrar; ela tinha uma perspectiva diferente e estava disposta a defender suas convicções. A frustração que eu sentia começou a se misturar com um leve respeito.
“Talvez você tenha razão, mas a vida real exige mais do que apenas sonhos e palavras bonitas. Meu filho está se preparando para o futuro, e eu não posso simplesmente deixá-lo se perder em fantasias,” eu disse, minha voz mais baixa, mas ainda firme.
“E ele pode se perder nas expectativas que você impõe a ele, assim como você se perdeu nas suas próprias. Não seria mais sábio deixá-lo encontrar o caminho dele?” Clara disse, sua voz agora suave, mas com uma força subjacente.
Por um momento, eu hesitei. A garra dela me desafiava de uma forma que eu não esperava. Ela era apenas uma garota, mas suas palavras tinham um peso que me fez refletir. “Talvez você não esteja tão errada assim. É apenas difícil para mim deixar que ele tome suas próprias decisões.”
Ela sorriu, e dessa vez, não era um sorriso de desdém, mas um gesto de compreensão. “É assim que os pais se sentem. Mas lembre-se, às vezes, permitir que alguém se arrisque pode ser a melhor coisa que você pode fazer por ele.”
Antes que eu pudesse responder, Clara olhou para o relógio. “Bem, foi um prazer conhecê-lo, senhor resmungão. Espero que um dia você consiga abrir a mente e o coração para as possibilidades.”
Ela se levantou e começou a se afastar, deixando um misto de raiva e admiração em mim. Enquanto a observava sair do café, percebi que ela tinha feito algo que poucos conseguiam: me fazer refletir. O que eu inicialmente vi como uma jovem despreocupada se transformou em um encontro que desafiou minha visão sobre a vida e as expectativas.
Naquela tarde, não apenas critiquei Clara, mas também me vi refletindo sobre as minhas próprias atitudes. A vida não era apenas sobre resultados práticos; havia um valor em sonhos e na busca de significado. E, enquanto caminhava para casa, percebi que havia muito mais a ser explorado no mundo — não apenas para Lucas, mas para mim também.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Fatima Gonçalves
eita tá meio em olhado para mim
2024-11-02
1
Jaquerds
/Plusone/
2024-10-28
1