A caminho da mansão de Simba, os meus olhos ainda estão embaçados com as lágrimas que hora ou outra insiste em rolar. O ar fresco da noite nigeriana me envolve, mas não é suficiente para acalmar o turbilhão de emoções que sinto. O carro desliza suavemente pela estrada, e posso ver, ao longe, as luzes da mansão que se erguem como um farol grandioso no meio da escuridão. Cada quilômetro que passamos, mais evidente se torna a magnitude do poder e da riqueza de Simba Umar.
Ao chegarmos, sou imediatamente envolvida pela grandiosidade do lugar. O portão de ferro, ornamentado com intrincados padrões geométricos, se abre silenciosamente, revelando uma entrada longa e ladeada por palmeiras altas e perfeitamente alinhadas. Cada folha parece reluzir à luz dos postes de rua dourados, e o som suave de uma fonte ecoa pelo caminho de pedras que leva à mansão. Mesmo à noite, é possível perceber que o jardim é meticulosamente cuidado, com flores exóticas que nunca vi antes e arbustos moldados em formas precisas.
A mansão em si é uma obra-prima. A fachada branca e dourada brilha sob as luzes, e as janelas enormes refletem o céu estrelado. Subimos os degraus de mármore polido, e as portas de madeira maciça, decoradas com símbolos tribais entalhados, se abrem para nos receber.
Simba caminha ao meu lado em silêncio, e eu mal consigo acreditar que essa será minha nova casa. Cada detalhe impressiona, mas há algo além do luxo. Há uma profunda conexão com a cultura, uma homenagem às tradições e à história do povo yorubá que eu mal começo a entender.
Assim que cruzamos a porta principal, sou recebida por um imenso hall de entrada. Mas dessa vez consciente, não mais dopada como dá primeira vez.
A mansão é realmente muito linda.
O teto é alto, decorado com lustres de cristal que lançam um brilho suave sobre o chão de mármore, que é coberto por tapetes artesanais, com padrões tradicionais de cores vibrantes. No centro do salão, uma escultura de bronze em tamanho real de um cavalo em movimento chama minha atenção. Os detalhes são tão impressionantes que quase posso ouvir o som de seus cascos batendo no chão.
À nossa esquerda, há uma escadaria que se curva graciosamente para o segundo andar. O corrimão é feito de madeira escura e esculpida com símbolos que reconheço vagamente como sendo da cultura Yoruba. Simba faz um gesto para que eu o siga.
- Venha, vou lhe mostrar a casa. Ele diz calmamente, mas sem emoção.
Eu sigo os seus passos, ainda absorvendo tudo ao meu redor. Enquanto subimos a escada, noto as paredes decoradas com pinturas enormes, retratando cenas da história da Nigéria. Algumas mostram reis antigos em trajes de batalha, outros retratam cerimônias religiosas com figuras vestidas em tecidos vibrantes, dançando ao som de tambores e instrumentos que parecem ecoar pelo tempo.
Todas essas coisas seriam motivo para eu passar horas admirando, já que sou apaixonada por história. Mas na atual citcunstância não consigo olhar como uma historiadora.
Simba me guia pelo corredor principal do segundo andar, onde mais janelas altas permitem que a luz da lua inunde o espaço. As cortinas de seda, de um dourado profundo, se movem suavemente com a brisa que entra. Cada quarto que passamos parece mais grandioso que o anterior. Biblioteca, salas de estar decoradas com sofás de veludo, e portas de vidro que se abrem para varanda que dão vista para os jardins e para o lago ao longe.
Finalmente, ele para em frente a uma porta dupla. Simba abre uma das portas e faz um gesto para que eu entre.
- Este é o meu quarto. Ele diz, a voz baixa.
O quarto é tão grandioso quanto o resto da mansão, mas há uma sensação mais íntima aqui. O teto alto é adornado com molduras douradas, e o lustre no centro lança uma luz suave sobre o ambiente. As paredes são cobertas por painéis de madeira escura, e uma cama enorme, coberta com lençóis de seda, está no centro. Almofadas de cores ricas, como vinho e dourado, estão dispostas perfeitamente sobre ela.
Há uma lareira ao fundo, e em uma das paredes, uma coleção de máscaras tradicionais está exposta, cada uma contando uma história diferente através de suas expressões e detalhes esculpidos. Na parede oposta, janelas do chão ao teto oferecem uma vista impressionante dos jardins iluminados.
- Você vai se acostumar com isso. Simba diz, observando minha reação enquanto eu caminho pelo quarto, sentindo-me perdida em tanta grandiosidade.
Paro em frente à janela, tentando absorver tudo, mas ainda há uma distância entre mim e esse mundo. Tudo parece tão distante da minha realidade, da minha vida no Brasil.
- Agora, como manda a tradição... Simba começa, sua voz interrompendo meus pensamentos. Ele toca meu ombro por trás. Por us srgubdos mru coração para.
- Ao se casar, a noiva deve receber um dote. Algo que simbolize o início da nova vida dela.
Ele leva a mão a minha cintura. Sinto o peso de sua mão, mas eu me viro para ele me afastando.
Reflito por alguns segundos antes de pensar em qualquer resposta. Um dote? Nunca imaginei que um dia estaria nessa situação, sendo perguntada o que eu gostaria de receber como "presente" por me casar com um homem que mal conheço.
- O que você gostaria de receber, Amélia?Simba pergunta, seu olhar fixo em mim.
Minha mente corre, mas não consigo pensar em nada material que faça sentido. O que poderia eu pedir? Um carro? Jóias? Uma casa para minha família no Brasil? Nada disso parece real ou justo. Tudo o que realmente quero está fora do alcance de Simba. Quero minha liberdade, quero minha vida de volta, quero não ter sido sequestrada.
- Eu...começo, mas minha voz falha.
Simba levanta uma sobrancelha, esperando.
- Não sei o que pedir. Admito, quase em um sussurro.
Ele observa por um momento, como se estivesse tentando entender minha hesitação.
- Pense bem. Ele diz, sua voz mais suave do que o habitual.
- Não precisa decidir agora, mas o dote é uma tradição importante. Algo que marca o início da sua nova vida. Pode ser qualquer coisa.
"Qualquer coisa", ele disse. Mas o que eu realmente poderia pedir que mudaria algo? O que eu realmente desejo não pode ser dado por um dote. Quero a minha liberdade.
- Qualquer coisa mesmo? Eu pergunto.
- Sim!
- Quero ser livre! Me deixe ir e voltar para casa. Digo com as palavras presas a garganta e os olhos cheios de lágrima.
Ele se aproxima, acaricia o meu rosto com um toque suave. E sorri gentilmente.
Vira as costas e vai até uma cômoda, abre a gaveta, pega algo e volta até mim.
Ele segura a minha mão e coloca um anel.
- Esse anel mostra o seu status social. Mostra que é de família nobre, você agora leva o brasão da família Umar. Ele diz e beija a minha mão.
- Me deixe te ajudar.
Ele começa a tirar as minhas roupas, primeiro o gele (o turbante), depois a buba (a blusa que cobre os ombros) eu fico apenas com uma blusinha de alcinha. Simba acaricia a pele dos meus ombros com o dedo. E toca os meus cabelos lisos, os colocando atrás da orelha.
Simba é forte, bonito e muito cheiroso. É um homem que facilmente me atrairia, mas nâo com sendo meu dono.
Ele desse as mãos e segura a minha cintura, e desamarra o iro (peça de tecido que cobre a saia). Ele acaricia a minha cintura, e beija o meu ombro e pescoço. Eu fico paralisada, não sei como reagir.
- Está com medo? Ele pergunta sussurrando no meu ouvido.
Ele toca minha pele devagar e com leveza e me faz arrepiar, ele sorri.
- Prometo que farei a sua primeira vez ser maravilhosa e inesquecivel. Ele sussurra novamente ao meu ouvido.
Eu me afasto.
- Amélia não precisa ter medo. Não vou te machucar ele diz gentilmente.
- Quem não vai me machucar? O homem que me comprou? Ou o que me bateu? Ou o que ameaçou me torturar? Qual deles? Eu pergunto, ele respira fundo.
- Não sei porque tudo isso! Eu sou seu marido. É normal fazermos sexo. Ele diz e senta na beira da cama enquanto começa a tirar a sua roupa.
- É sim! Mas quando tem amor. Eu não amo você. Eu digo.
- Sexo é desejo! E não amor! Ele diz e se aproxima vestindo apenas com uma calça larga e cueca.
- Não me toque! Eu não quero! Eu digo e ele para.
- É a tradição! A mulher se casa, se entrega ao seu marido. A porra do amor surge depois. Ninguém casa por amor, casa por interesse. Ele diz.
- É! E qual foi o seu interesse? Já que não sou da nobreza e nem Nigeriana?
- Fuder você! Ele responde sem nem pensar.
Eu fico sem reação, mas de repente lhe dou um tapa no seu rosto.
"Pah"
Ele me olha com fúria. Respira fundo, sai do quarto e bate a porta...
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Atualizado até capítulo 75
Comments
Claudia louca por Livros📚
Fiquei admirada dele não te feito nada quando ela deu um tapa nele .
2024-12-26
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Eva Garbin
ele não reagiu com o tapa que ela deu nele
2025-04-03
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Nicole Rossales
a noção tá no seu sangue só falta circular
2025-03-06
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